Juan Pablo Guanipa, 61, foi solto dois dias antes de o Parlamento venezuelano votar uma lei de anistia geral proposta pela presidente interina do país, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro.
O advogado e coordenador político da oposição no país, Perkins Rocha, também foi solto. A família emitiu um comunicado sobre a libertação neste domingo.
Segundo o grupo direitos humanos Foro Penal, 11 presos políticos foram libertados neste domingo. A organização já havia confirmado que 383 presos políticos foram libertados desde que o governo venezuelano anunciou, em 8 de janeiro, que iniciaria uma nova série de libertações.
Juan Pablo Guanipa foi preso em 23 de maio de 2025, vinculado a uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e deputados para o Parlamento. O líder opositor passou meses foragido, e sua última aparição pública foi em 9 de janeiro de 2025, quando acompanhou Corina Machado em um ato contra a posse de Maduro após as eleições de 28 de julho de 2024, que a oposição denunciou como fraudulentas.
Guanipa foi acusado de terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio. "Ainda há centenas de venezuelanos presos injustamente. Exigimos a libertação imediata, plena e incondicional de TODOS os presos políticos", acrescentou Ramón, após confirmar a libertação de seu pai.
Pouco depois, o próprio Juan Pablo publicou em sua conta no X um vídeo em que mostra o que parece ser um alvará de soltura.
Corina Machado comemorou a libertação de Guanipa, uma figura-chave da oposição venezuelana. "Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para poder te abraçar! Você é um herói, e a história SEMPRE o reconhecerá. Liberdade para TODOS os presos políticos!!", publicou a opositora em sua conta no X.
Familiares e ONGs denunciaram a lentidão das libertações anunciadas pelo governo interino sob pressão dos Estados Unidos. Ainda há colaboradores de Corina Machado presos, entre eles Freddy Superlano e o assessor jurídico Perkins Rocha.
Superlano foi preso em julho de 2024, durante a contestada reeleição de Maduro. Foi inabilitado após conquistar em 2021 o governo do estado de Barinas, antigo reduto do chavismo. Era deputado da Assembleia Nacional (2016-2021) e foi coordenador regional do partido Vontade Popular.
Nesse sentido, o ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, que vive exilado em Madri, exigiu neste domingo, após a soltura de Guanipa, "a liberdade plena e imediata de todas as pessoas presas por razões políticas".

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