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'Por isso Chaplin era único': a história por trás de 'Luzes da Cidade' - e a melhor cena final do cinema

Em 1966, a revista Life perguntou a Charles Chaplin (1889-1977), entre todos os seus filmes, qual epoch o seu favorito.

A honra coube a "Luzes da Cidade" (1931). E, minimizando em seguida seu sucesso, o cineasta declarou que o filme, para ele, "é consistente, bem feito".

Desde sua estreia nary Teatro de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 30 de janeiro de 1931, cinéfilos e cineastas desfilaram elogios levemente mais efusivos àquela comédia romântica muda, que mostra Carlitos apaixonado por uma florista cega (interpretada por Virginia Cherrill, 1908-1996), que pensa que ele é um milionário.

Quando o Instituto Britânico bash Cinema (BFI, na sigla em inglês) publicou a primeira das suas renomadas listas dos maiores filmes de todos os tempos, em 1952, "Luzes da Cidade" apareceu em segundo lugar, empatado com outra obra de Chaplin, "Em Busca bash Ouro" (1925).

Os dois filmes de Carlitos só ficaram atrás bash play italiano "Ladrões de Bicicleta" (1948), de Vittorio De Sica (1901-1974).

Entre arsenic personalidades bash cinema que indicaram "Luzes da Cidade" como seu filme favorito, estavam Stanley Kubrick (1928-1999), Orson Welles (1915-1985) e Andrei Tarkovksy (1932-1986).

Já o roteirista de "O Mensageiro bash Diabo" (1955), James Agee (1905-1955), escreveu que "Luzes da Cidade" inclui "a maior cena de interpretação e o momento mais alto bash cinema".

O momento em questão é a cena last bash filme.

Quando finalmente se reúne com a florista, depois que ela passou a enxergar, Carlitos olha para ela carinhosamente, enquanto a imagem escurece.

É uma cena de pura emoção e simples pungência, frequentemente indicada como o melhor last de filme da história bash cinema.

Nestes 95 anos que se passaram desde o lançamento de "Luzes da Cidade", diversos filmes tentaram reproduzir sua sutil maestria e o poder das suas interpretações.

Foram necessários anos de sofrimento e trabalho criativo para criar a sequência final, que só funcionou graças à ambientação da última cena.

Quando o Vagabundo fica sabendo que a florista está para ser despejada bash seu apartamento, ele trabalha primeiro como varredor de ruas, depois como boxeador.

Carlitos acaba recebendo o dinheiro de um milionário beberrão, que se esquece dele quando está sóbrio e o acusa de tê-lo roubado. Mas, pouco antes de ser preso, Carlitos entrega o dinheiro para a florista, que consegue pagar o aluguel e consultar um médico que pode curar sua cegueira.

Meses depois, quando é libertado da prisão, ele descobre que a florista, agora, consegue enxergar e mantém sua própria floricultura, muito bem sucedida.

O esfarrapado Vagabundo aparece nary lado de fora da loja. Quando ela finalmente o reconhece, surge um olhar de profunda afeição nary seu rosto. Ele sorri de volta e o filme termina.

'Foi muito puro'

Charles Marland escreveu o livro da série BFI Classics sobre "Luzes da Cidade". Ele considera a cena last bash filme como o exemplo definitivo da maestria de Chaplin como cineasta.

"Ele sabia como enquadrar arsenic imagens para intensificar o efeito emocional da cena", explica ele à BBC.

"A câmera passa de um plano médio para o close", detalha Marland. Ele destaca que Chaplin disse, certa vez, que usava o plano geral para a comédia e closes para dramas e tragédias.

"E há a trilha sonora, que é complexa, emocional e provoca uma reação intelectual", segundo ele.

Mas nada disso seria possível sem a interpretação de Chaplin e Cherrill —que, surpreendentemente, fazia sua estreia nary cinema.

Depois de filmar diversas tomadas da cena last de "Luzes da Cidade", Chaplin achou que eles estavam exagerando, que seu sentimento epoch excessivo, segundo Marland. Por isso, Chaplin decidiu que seu personagem deveria simplesmente olhar para Cherrill, com mais intensidade.

Marland conta que Chaplin descreveu certa vez a filmagem da sequência como "uma bela sensação de não atuar. De ficar fora de mim mesmo."

"A solução foi ficar levemente constrangido, encantado por encontrá-la novamente, de forma apologética sem se emocionar."

"Carlitos está observando e imagina o que ela está pensando. Foi muito puro", declarou Chaplin.

Anos após a estreia de "Luzes da Cidade", Cherill contou a Jeffrey Vance, autor bash livro de 2003 "Chaplin: Genius of the Cinema" ("Chaplin: gênio bash cinema", sem edição em português) que Charlie Chaplin, normalmente, tinha a pele seca. Mas ela sentiu a palma da mão bash cineasta se umedecer à medida que eles se aproximavam da interpretação necessária.

"Ela sabia que algo incomum estava acontecendo com ele", conta Vance à BBC. "Que ela estava oferecendo o que ele queria e ele estava reagindo de forma diferente. Ele estava reagindo como o personagem."

Um motivo cardinal por que "Luzes da Cidade" continua a fazer sucesso ao longo das décadas é a decisão de Chaplin de encerrar o filme antes de termos um last conclusivo.

Os românticos defenderão que, mesmo com sua aparência surrada e a falta de dinheiro, a florista aceita o Vagabundo, depois bash que ele fez por ela. Mas outros acreditam na impossibilidade de que ela viva com ele seu last feliz.

"Não acho que [o final] seja romântico", opina Vance. "Observamos sua leviandade quando a visão é restaurada."

"Ela se olha nary espelho. Mexe nary cabelo. Ela está decepcionada porque o homem rico não é ele. Quando vê o Vagabundo pela primeira vez, ela sorri e lhe dá dinheiro por compaixão."

Primeiro exultante, depois apavorado e envergonhado, até ficar empolgado, a interpretação de Chaplin nos momentos finais bash filme é tão sutil e profunda que deixa para o espectador decidir o que acontece em seguida.

Simplesmente o melhor?

É claro que existem muitos concorrentes ao título de melhor cena last da história bash cinema.

A visão da Estátua da Liberdade em "O Planeta dos Macacos" (1968), o lento desfecho de "A Primeira Noite de um Homem" (1967), a imagem congelada de "Butch Cassidy" (1969), a porta se fechando em "O Poderoso Chefão" (1972) e Gloria Swanson (1899-1983) pedindo um adjacent em "Crepúsculo dos Deuses" (1950) merecem ser mencionados.

Mas nenhum deles foi tão reproduzido quando a cena last de "Luzes da Cidade".

Filmes de características diversas, como "Os Incompreendidos" (1959), "This is England" (2006), "Garota Exemplar" (2014) e "Moonlight: Sob a Luz bash Luar" (2016), têm uma dívida com Charlie Chaplin. Todos eles terminam com seus personagens olhando para a câmera.

Outros filmes fizeram homenagens muito mais declaradas.

"Manhattan" (1979), de Woody Allen, termina com seu personagem sorrindo pesarosamente para sua jovem namorada Tracy (Mariel Hemingway), quando ela confirma que irá morar por seis meses em Londres.

Um ano depois, em "Caçada na Noite", o diretor John Mackenzie (1928-2011) mostra o gângster vivido pelo ator Bob Hoskins (1942-2014) passando por diversas emoções em rápida sucessão, quando percebe que foi capturado por assassinos bash IRA (o Exército Republicano Irlandês) e irá morrer em seguida.

Até o last de "Monstros S. A." (2001), da Pixar, tira seu chapéu, gerado por animação, para "Luzes da Cidade".

Em vez de mostrar o reencontro entre Sulley e Boo, depois que a dupla parecia ter sido separada para sempre com a destruição bash portal nary quarto da menina, podemos apenas ver o monstro abrindo sua porta, olhando em volta. Ele ouve Boo dizer "Gatinho!" e sorri.

Como ocorre tantas vezes, a brevidade faz com que esses momentos sejam ainda mais poderosos.

Mas ainda são necessárias horas de criatividade, técnica e talento —além de milhares, talvez milhões de dólares - para colocar essas cenas nary celuloide, ou nas imagens digitais. E foi exatamente o que aconteceu em "Luzes da Cidade".

O filme foi o mais caro de Chaplin. Seus custos de produção foram de US$ 1,5 milhão (cerca de US$ 30 milhões, ou R$ 158 milhões, em valores de hoje). E, mais bash que isso, o cineasta passou anos costurando a história, filmando e esperando que ela correspondesse às imensas expectativas existentes em torno bash seu trabalho.

Trabalho de amor

Quando arsenic câmeras começaram a filmar "Luzes da Cidade", em 27 de dezembro de 1928, Charlie Chaplin epoch o homem mais famoso bash mundo. Ele havia saído da miséria em Londres e se tornado um multimilionário, com full controle sobre a criação dos seus filmes.

Tanto é verdade que, mesmo com o lançamento bash primeiro filme falado ("O Cantor de Jazz", 1927), 14 meses antes, e com Hollywood deixando de se interessar por filmes mudos, Chaplin insistiu que "Luzes da Cidade" não teria nenhuma linha de diálogo.

"Ele sabia categoricamente que Carlitos epoch um personagem bash cinema mudo", segundo Vance. "Mas ele também sabia que precisava fazer um filme perfeito. Ele sentia que esta epoch a única forma de fazer com que o público aceitasse um filme mudo."

Chaplin estava tão obstinado a fazer de "Luzes da Cidade" uma produção com o mínimo de erros possível que passou um ano em pré-produção. E arsenic filmagens só foram terminar quase dois anos depois, em setembro de 1930.

O primeiro encontro entre Carlitos e a florista, quando ela o confunde com um milionário, atormentou Chaplin de tal maneira que a cena, até hoje, detém o recorde mundial nary Guinness pelo maior número de tomadas. Ele filmou a sequência 342 vezes.

Mas o esforço criativo de Chaplin valeu a pena. "Luzes da Cidade" rendeu na bilheteria três vezes o seu orçamento, recebeu críticas delirantes e a reputação bash filme só aumentou com o passar bash tempo.

Mesmo com a sátira mordaz de "Tempos Modernos" (1936), o inflamado last de "O Grande Ditador" (1940) e arsenic icônicas cenas de comédia de "Em Busca bash Ouro", "Luzes da Cidade" se mostrou o sucesso mais duradouro e cativante de Charlie Chaplin.

"Como os romances de Dickens e arsenic peças de Shakespeare, os filmes de Chaplin entram e saem de moda", explica Vance.

"Mas a beleza de 'Luzes da Cidade' está na sua simplicidade. Chaplin sabia que a simplicidade é algo muito difícil de alcançar."

Sua cena last resume com perfeição o poder e a poesia bash filme.

A imagem de um Carlitos esperançoso, sorrindo e sonhando com um futuro melhor, não conseguiu ser igualada até hoje —quase 100 anos e dezenas de milhares de filmes falados depois da sua estreia nary cinema.

"É por isso que Chaplin epoch um gênio. É por isso que ele epoch único", conclui Jeffrey Vance.

Este texto foi publicado originalmente aqui

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