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Por que a Gol quer barrar a sociedade entre Azul, United e American

Bola dividida

No entanto, até o fim do ano passado, a própria Gol tinha um acordo similar com a American. Assinado em 2022, ele permitiu que a companhia norte-americana injetasse US$ 200 milhões (R$ 948,3 milhões à época) na Gol, o dobro do que a Azul agora deve receber.

A grande diferença entre ambos os acordos se resume à forma: na Azul, as ações negociadas eram ordinárias (com direito a voto); na Gol, eram preferenciais (sem voto).

No entanto, naquela ocasião, a Gol assinou um acordo de acionistas, garantindo à American poder de veto sobre passos estratégicos.

É o que mostram documentos arquivados pela Gol na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). De acordo com eles, o aporte da American em ações à época representavam 5,31% do capital total da Gol, mas ficou acertado que a sócia votaria "em todas e quaisquer assembleias gerais de acionistas".

O pacto também estabeleceu que, "sem a obtenção do consentimento prévio por escrito da AA [American Airlines]", a Gol não poderia "votar, celebrar qualquer contrato ou praticar qualquer ato para aditar, alterar ou revogar o estatuto social ou outros atos constitutivos da companhia de qualquer modo que afete negativamente, em quaisquer aspectos relevantes, os direitos, as preferências ou os poderes dos detentores das ações preferenciais".

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Também previu que a American teria um representante no conselho de administração da Gol, formado por sete integrantes. Esse representante definido à época foi Anmol Bhargava, vice-presidente de Alianças Globais da American.

Recuperação nos EUA

No ano passado, quando a Gol preparava sua saída da recuperação judicial também em curso nos EUA, a companhia buscava aporte de outras companhias aéreas no valor de US$ 1,8 bilhão.

A American era uma das empresas cotadas para fazer essa injeção de recursos, em movimento similar ao estruturado pela Azul. O aporte na Gol, contudo, acabou não ocorrendo e a American entrou na Azul.

Houve, antes disso, um movimento de fusão entre Azul e Gol, mas ele não prosperou.

Consultadas, a Abra, dona da Gol, e companhia brasileira não quiseram comentar. A Azul preferiu não se manifestar.

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Consumidores

O movimento da Gol se alinha ao do IPSConsumo, uma organização de defesa de interesses de consumidores, que também quer atuar no processo da Azul como parte interessada.

Para o instituto, há ainda indícios de "gun jumping", nome que traduz a consumação de uma fusão ou aquisição antes da aprovação do Cade. Caso confirmada, as empresas podem ser punidas.

O IPSConsumo também pede que o Cade avalie os impactos sobre o mercado.

As três gigantes dos EUA atuam em companhias que, juntas, detêm mais da metade do mercado brasileiro. A Latam é parceria da Delta e, agora, American e United ingressam na Azul.

No passado, a Delta chegou a ser acionista da Gol com um amplo acordo operacional entre elas, mas esse casamento foi desfeito.

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A Abra considera que a atual situação impede acordos de codeshare e interline (acordos de parceria operacional e comercial) -algo que costuma oferecer vantagens não só de destinos como de preços para consumidores.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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