O Brasil vive um paradoxo na conectividade: ao mesmo tempo em que ativou 3,5 milhões de novas conexões de fibra óptica (FTTH), atingindo quase metade dos lares do país segundo o estudo The State of Business in Latin America, a insatisfação dos usuários atingiu patamares críticos. Dados da Anatel mostram que, em 2024, as queixas de banda larga fixa superaram as de telefonia móvel pela primeira vez, evidenciando que a modernização da rede não blindou o consumidor de quedas constantes e lentidão.
Para esclarecer o assunto, o gerente de TI da Unentel, Carlos Duran, explicou ao TechTudo como funciona a fibra óptica e quais são os problemas mais comuns no Brasil. A seguir, entenda os motivos técnicos dessas oscilações, o impacto de fatores externos como o roubo de cabos e o que pode ser feito para resolver esses problemas e melhorar a estabilidade da sua conexão doméstica.
Mesmo com avanço da fibra óptica, a internet ainda cai muito no Brasil — Foto: Reprodução/Freepik Entenda a instabilidade da rede
A conexão de internet depende de uma cadeia complexa que vai da operadora até o seu roteador. Veja os principais pontos de falha e como agir.
- Quais são os principais motivos?
- Quais outros motivos afetam a rede?
- O que especialistas explicam sobre a fibra no Brasil?
- O que fazer para evitar o problema?
1. Quais são os principais motivos?
Um dos maiores gargalos da internet brasileira reside na infraestrutura de transporte, conhecida como backhaul. Dados do Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT/Anatel) revelam que 1.207 municípios ainda carecem dessa conexão via fibra, dependendo de rádio ou satélite para se comunicar com o resto do mundo. Isso cria um cenário em que, apesar de a fibra chegar à porta do cliente, a "estrada principal" fica "engarrafa" nos horários de pico, provocando lentidão generalizada independentemente da velocidade contratada no plano.
Outro fator crítico é a falta de visibilidade das operadoras sobre a própria rede, visto que muitos provedores expandem a base de clientes sem investir em monitoramento de tráfego em tempo real. Como explica Carlos Duran, apenas instalar a fibra não basta: sem inteligência de gestão, a promessa de alta velocidade rapidamente se transforma em instabilidade recorrente. A ausência desse controle faz com que as empresas, muitas vezes, só percebam a saturação de um link quando o usuário já está enfrentando quedas e entra em contato para reclamar.
Apenas a instalação do cabo de fibra óptica não resolve o problema — Foto: Reprodução/Freepik Existe também a prática do overselling (venda excessiva) combinada com a falta de redundância. Provedores menores muitas vezes vendem mais banda do que a capacidade total de seus links, apostando que nem todos usarão a rede simultaneamente. Assim, quando uma rota cai ou fica lenta, redes sem gestão inteligente não conseguem desviar o tráfego automaticamente para uma rota de backup, resultando no "apagão" digital para o consumidor final.
2. Quais outros motivos afetam a rede?
Fatores externos de segurança pública impactam diretamente a estabilidade. Segundo a Conexis, o Brasil está enfrentando uma epidemia de furto e vandalismo em cabos, o que resultou em 5,4 milhões de metros de material roubado só em 2024. Além disso, a desordem nos postes gera a "microcurvatura": quando a fibra é esmagada ou esticada excessivamente e o sinal de luz é prejudicado. O resultado não é a queda total, mas uma conexão lenta e instável, falha difícil de diagnosticar sem o uso de equipamento técnico especializado.
Já o mito de que a "internet cai quando chove" possui explicação técnica: embora a fibra óptica seja imune à água, os equipamentos que a alimentam não são. Dessa forma, as quedas durante tempestades ocorrem geralmente por falta de energia nos nós da operadora, muitas vezes desprovidos de baterias suficientes, ou por oscilações na rede elétrica doméstica que travam o roteador. Trata-se, portanto, de um problema de infraestrutura elétrica, e não de uma vulnerabilidade da fibra em si.
A chuva não afeta a fibra óptica, mas a estrutura que fez a rede funcionar — Foto: Reprodução/Freepik Dentro de casa, o vilão costuma ser o próprio Wi-Fi: é comum que a conexão chegue intacta ao modem, mas se degrade no ar devido à interferência. A frequência de 2.4 GHz, típica de roteadores mais antigos, sofre intenso congestionamento causado por micro-ondas, babás eletrônicas e redes vizinhas. Nesses casos, o que parece ser uma "queda" é, na verdade, apenas uma falha local na comunicação sem fio, e não uma interrupção do serviço prestado pela operadora.
3. O que especialistas explicam sobre a fibra no Brasil?
Para Carlos Duran, a estabilidade é resultado de uma operação proativa que transcende o hardware, exigindo investimento constante em manutenção preventiva. Isso significa que operadoras de qualidade investem em manutenção preventiva. Por exemplo, ao monitorar a atenuação do sinal, é possível detectar desgastes precoces, como sujeira ou danos físicos, e enviar técnicos antes do rompimento total do cabo. Sem esse zelo diário, a infraestrutura física inevitavelmente se deteriora, causando intermitências na conexão mesmo quando o material utilizado é de alta qualidade.
Quando a operação acompanha o comportamento da rede em tempo real, trabalha com rotas alternativas e age antes que o usuário perceba o problema. É assim que a fibra deixa de ser só um cabo e passa a entregar consistência na conexão"
— Carlos Duran, gerente de TI da Unentel
Manutenção preventiva é a melhor opção para evitar problemas — Foto: Reprodução/Freepik A conclusão do especialista aponta a inteligência de dados como a única solução para a atual crise de qualidade. "Na prática, apenas instalar a tecnologia quase nunca será suficiente", pondera Duran, ao finalizar que o diferencial está no monitoramento contínuo. Para ele, é essa vigilância que evita quedas nos horários de pico, reduz oscilações e assegura que a velocidade contratada seja entregue com estabilidade, garantindo que o serviço funcione conforme o esperado pelo consumidor.
4. O que fazer para evitar o problema?
Para isolar a falha, a recomendação técnica primordial é testar a conexão via cabo de rede (Ethernet) diretamente no computador. Se a estabilidade se mantiver no cabo e oscilar no celular, o problema reside no Wi-Fi local. Nesses casos, evite repetidores simples, que reduzem a velocidade pela metade, e invista em sistemas Wi-Fi Mesh para residências maiores, pois essa tecnologia gerencia o sinal inteligentemente, eliminando "zonas de sombra" com eficácia superior.
O gerenciamento adequado das frequências do roteador também otimiza a experiência. Utilize redes de 5 GHz (ou 6 GHz) para equipamentos de alta demanda, como TVs 4K e consoles, garantindo que estejam próximos ao aparelho para máxima velocidade. Deixe a frequência de 2.4 GHz, que tem maior alcance, mas sofre mais interferência, dedicada apenas a dispositivos periféricos, como lâmpadas inteligentes e impressoras, que não exigem banda larga robusta.
Faça testes periódicos para atestar que toda a conexão está perfeita — Foto: Reprodução/Freepik Por fim, é fundamental que o consumidor conheça seus direitos garantidos pela regulamentação da Anatel. Interrupções de serviço superiores a 30 minutos geram direito a ressarcimento automático ou proporcional na fatura. Além disso, caso a instabilidade se torne crônica e a operadora não apresente solução, é permitido rescindir o contrato de fidelidade sem a incidência de multas, uma vez que fica caracterizado o descumprimento da oferta de qualidade por parte da empresa.
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