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- Author, Kathryn Armstrong
- Author, Vicky Wong
Published Há 7 minutos
Tempo de leitura: 6 min
O lançamento de um relógio de bolso exclusivo provocou um frenesi que forçou lojas em todo o mundo a fecharem e, em alguns casos, levou policiais e seguranças a ter que lidar com grandes multidões desordeiras.
A coleção de relógios Royal Pop, uma colaboração muito aguardada entre a Swatch e a marca de luxo Audemars Piguet (AP), começou a ser vendida no sábado em lojas selecionadas ao redor do mundo.
Semelhante a vendas anteriores desse tipo, algumas pessoas fizeram fila por dias para conseguir um dos oito modelos.
Mas a intensidade do interesse pelo produto, tanto online quanto nas ruas de comércio, dividiu opiniões sobre marketing responsável e sobre se os relógios realmente valem a pena.
Mais conhecida por seus relógios coloridos da década de 1980, a AP Swatch descreveu a coleção Royal Pop como "uma colaboração disruptiva entre dois ícones da relojoaria suíça".
Embora as vendas originais da coleção tenham ocorrido exclusivamente em lojas selecionadas — com as pessoas só conseguindo comprar um relógio de US$ 448 (R$ 2,2 mil) por pessoa — elas foram impulsionadas por uma campanha online que durou meses.
A especialista em varejo Catherine Shuttleworth disse que a Swatch fez um trabalho fantástico ao divulgar o produto, aproveitando o gosto dos consumidores mais jovens por colaborações, exclusividade e novidade.
"O hype funcionou", disse ela à BBC, acrescentando que os consumidores conseguiriam pagar uma fração do custo normal por um produto da AP.
A crítica e podcaster Britt Pearce concorda — e diz que esses tipos de colaboração são "um fenômeno passageiro, mas um fenômeno passageiro muito empolgante".

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No Reino Unido, a Swatch fechou suas lojas em várias cidades depois que centenas de pessoas fizeram fila do lado de fora e a polícia foi chamada. Houve relatos de comportamento ameaçador e pelo menos uma prisão.
Também houve relatos de brigas em Amsterdã e Milão, bem como em cidades da Ásia e do Oriente Médio.
De acordo com a agência de notícias Reuters, policiais dispararam gás lacrimogêneo para controlar 300 pessoas do lado de fora de uma loja da Swatch perto de Paris, e quatro pessoas relataram ter sido agredidas na multidão do lado de fora de uma loja em Lille, norte da França.
Alguns em Nova York acamparam por uma semana e houve relatos de que pessoas passaram mal durante a espera.
Em uma postagem nas redes sociais depois que multidões se reuniram em filiais em todo o mundo, a Swatch pediu às pessoas que "não corressem para nossas lojas em grande número" e fechou suas lojas por motivos de segurança quando a multidão se tornou muito grande.
A empresa foi criticada por algumas pessoas, que dizem que os relógios deveriam estar disponíveis em seu site e que recursos policiais foram desviados desnecessariamente.
Pearce disse que a Swatch parece "estar criando situações perigosas para as pessoas colecionarem um relógio".
"Acho que eles sabem exatamente o que estão fazendo", acrescentou.
No entanto, Shuttleworth sugeriu que a Swatch não poderia ter previsto o surgimento da violência.
Shuttleworth disse que as vendas online também registraram problemas, com pessoas usando bots e outras tecnologias para tentar enganar o sistema.

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Na segunda-feira, a Swatch divulgou um comunicado afirmando que a resposta à coleção de relógios Royal Pop foi "fenomenal em todo o mundo", acrescentando que houve problemas em apenas 20 das 220 lojas da Swatch onde os relógios foram colocados à venda.
Ele comparou a venda com a do MoonsWatch — uma colaboração de 2022 com a fabricante de relógios de luxo Omega — quando a polícia foi chamada e lojas foram fechadas.
"Assim como com o MoonSwatch, a situação agora se normalizou um pouco após o dia do lançamento, especialmente depois de termos comunicado mais uma vez que a coleção Royal Pop estará disponível por vários meses", acrescentou a Swatch.
Britt disse que visitou uma das lojas da Swatch em Londres na noite de sexta-feira e viu os seguranças "perderem um pouco o controle" à medida que a multidão aumentava de tamanho antes do lançamento do relógio.
Ela também afirmou que viu pessoas saindo da loja após comprar um relógio sendo abordadas por indivíduos oferecendo pagar o dobro do valor.

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Enquanto algumas pessoas na fila para comprar os relógios são entusiastas, outras os compram para vendê-los online.
Jaylen disse à BBC que comprou um dos relógios de 335 libras (R$ 2,2 mil) no domingo e o vendeu por pouco mais de mil libras (R$ 6,7 mil).
"Vou voltar para comprar mais. É um por pessoa, mas tenho amigos a quem paguei para consegui-los em outras lojas", disse.
Embora haja relatos de relógios Royal Pop sendo revendidos por grandes quantias online, a revista britânica especializada em relógios WatchPro alertou que alguns desses anúncios são falsos.
A BBC também viu alguns relógios Royal Pop listados no eBay por entre 3 mil e 5 mil libras (R$ 20 mil e R$ 33 mil).
Ahmed, que também comprou um dos relógios, disse à BBC que estava pensando no longo prazo e que manteria o seu por agora, prevendo que ele deve aumentar significativamente de valor quando a venda limitada terminar.
"Eles já estão passando de mil libras (R$ 6,7 mil) no mercado, então quando pararem completamente de produzi-los e não houver mais sendo lançados... é uma decisão óbvia", disse.

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Houve avaliações mistas sobre o próprio relógio entre as pessoas com quem a BBC conversou.
"Sinto que é algo que pode ser guardado e passado adiante. Pode ser memorável, valioso e aumentar de valor ao longo do tempo se for de estoque limitado", disse Corzo, que está na fila há dias e afirmou ter observado uma melhora na comunicação e cooperação entre as pessoas na multidão.
"A Swatch colaborou com uma marca muito boa, que é a AP. E é muito bom ter isso na minha coleção de relógios", disse outro homem, que ficou na fila por dois dias e dormiu em uma barraca.
Outros não se entusiasmaram.
"Não acho que valha o dinheiro nem o tempo de ficar na fila", disse Tabassum, de 18 anos, em Birmingham.
"Por que todo esse barulho?", disse sua amiga, Meredith.
Britt Pearce disse que havia ficado empolgada com a colaboração entre duas renomadas marcas de relógios e achou que isso poderia incentivar as pessoas a se interessarem mais por relógios.
No entanto, sua experiência na loja de Londres diminuiu esse entusiasmo.
"Eu diria que ir lá e fazer parte disso acabou prejudicando a minha percepção", disse.
Com reportagem adicional de Tim Muffett e Vinnie O'Dowd

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