Menos de um ano depois das últimas eleições legislativas, que renovaram o Parlamento e definiram o primeiro-ministro, cerca de 11 milhões de portugueses voltaram às urnas para escolher o próximo presidente da República.
➡️ Em Portugal, país com modelo de governo semipresidencialista, o presidente é o chefe de Estado e exerce funções mais cerimoniais — é o primeiro-ministro quem chefia o governo e comanda o Executivo. Em momentos de crise, no entanto, a figura presidente ganha mais peso político: além de comandar as Forças Armadas, pode dissolver o Parlamento, destituir o governo e convocar eleições.
O cargo é ocupado há quase uma década por Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita, que ficou marcado por uma postura conciliadora e pela condução do país em meio a sucessivas crises políticas.
Impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, Rebelo de Sousa convocou o novo pleito, abrindo espaço para uma corrida inédita ao Palácio de Belém.
Caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos válidos, um segundo turno está previsto para 8 de fevereiro. Se confirmado, será a primeira vez em quatro décadas que uma eleição presidencial em Portugal não será decidida já no primeiro turno.
Embora lidere as últimas sondagens, o candidato da extrema direita, André Ventura, chega à reta final da disputa com a maior taxa de rejeição entre os principais concorrentes — cerca de 60%, segundo pesquisas recentes.
Esse índice sugere que ele poderia perder um eventual segundo turno contra qualquer um dos outros favoritos.
Para o professor de Ciências Políticas da Universidade Católica de Lisboa José Castello Branco, ouvido pela agência Reuters, ainda assim uma ida ao segundo turno já representaria uma vitória política para Ventura e para o Chega, ao ampliar o poder de negociação do partido diante do atual governo minoritário de centro-direita.
Candidato pelo Chega, da extrema direita, André Ventura bebe vinho durante campanha presidencial, em 9 de janeiro de 2026. — Foto: Pedro Nunes/ Reuters
Ao todo, onze partidos lançaram candidatos. Pela primeira vez, três forças políticas chegaram à reta final da campanha em condição de relativa igualdade
O avanço do Chega, partido de extrema direita que se tornou a segunda maior força política do país nas últimas eleições parlamentares, redesenhou o cenário tradicionalmente polarizado entre socialistas e sociais-democratas.
Uma pesquisa de intenção de voto feita pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP), da Universidade Católica do país, indica o seguinte cenário:
- André Ventura, líder do Chega, lidera a corrida eleitoral por uma pequena margem, com 24% das intenções de voto;
- Em segundo lugar, está o socialista António José Seguro, com 23%;
- João Cotrim de Figueiredo, deputado do Parlamento Europeu do partido de centro-direita Iniciativa Liberal, aparece 19% das intenções de voto;
- Luis Marques Mendes, da coligação de centro-direita Partido Social-Democrata (PSD)/ Aliança Democrática (AD) — que tradicionalmente disputava a presidência com os socialistas — aparece apenas na 4ª posição, com 14% dos votos.
Esses números têm variado nos últimos dias, e a pesquisa aponta que um terço dos eleitores podem mudar de ideia em cima da hora. Isso é um reflexo da instabilidade política que Portugal vive nos últimos anos, segundo disse à agência de notícias Reuters o cientista político António Costa Pinto.
Freira vota em eleições presidenciais de Portugal, em 18 de janeiro de 2026. — Foto: Pedro Nunes/ Reuters

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O candidato à presidência de Portugal João Cotrim Figueiredo durante ato de campanha, em 15 de janeiro de 2026. — Foto: Pedro Nunes/ Reuters

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