O UOL preparou um guia para você saber o que é permitido ou não dentro dos voos a partir das informações disponibilizadas pela Anac. Veja a seguir.
O que define se a bateria pode voar
O principal critério é a capacidade da bateria, medida em watt-hora, indicada pela sigla Wh. É esse número que determina se o item pode embarcar normalmente, se precisa de autorização da companhia aérea ou se é proibido.
Em linhas gerais, baterias com até 100 Wh são permitidas sem necessidade de autorização prévia. Entre 100 Wh e 160 Wh, o transporte depende de aprovação da empresa aérea. Acima de 160 Wh, o embarque é proibido em voos comerciais no Brasil.
Outra regra fundamental é que baterias avulsas não podem ser despachadas. Elas devem viajar na bagagem de mão e estar protegidas contra curto circuito.
Celulares, notebooks e tablets
Os dispositivos mais comuns do dia a dia, como telefones celulares, computadores portáteis e tablets, normalmente possuem baterias com menos de 100 Wh. Por isso, podem ser transportados tanto na cabine quanto na bagagem despachada, desde que seguindo algumas regras.
Apesar de permitido ser levado no porão do avião, o transporte na cabine é o mais recomendado. Caso o passageiro opte por despachar, o equipamento deve estar completamente desligado, protegido contra acionamento acidental e acondicionado de forma a evitar danos.
Relógios inteligentes, câmeras fotográficas e outros eletrônicos portáteis seguem a mesma lógica.
Power banks exigem atenção
Os power banks, também chamados de carregadores portáteis ou baterias externas, seguem as mesmas faixas de capacidade em Wh, mas têm uma diferença importante: não podem ser despachados em nenhuma hipótese.
Esses dispositivos devem ser transportados exclusivamente na bagagem de mão, justamente porque, em caso de falha ou superaquecimento, a tripulação consegue agir rapidamente na cabine.
Se tiverem até 100 Wh, podem ser levados sem autorização. Entre 100 Wh e 160 Wh, dependem de aprovação da companhia aérea, geralmente limitados a duas unidades por passageiro. Acima de 160 Wh, são proibidos.
Drones e equipamentos maiores
Drones, filmadoras profissionais e equipamentos de maior porte também seguem a regra da capacidade em Wh.
Se a bateria estiver dentro do limite de até 100 Wh, o transporte é permitido. Entre 100 Wh e 160 Wh, depende de autorização da empresa aérea. Acima disso, é proibido.
Quando a bateria é removível, deve seguir as regras aplicáveis às baterias avulsas e viajar na cabine, devidamente protegida.
Nem sempre o limite é em Wh
Nem todas as baterias são classificadas apenas pela capacidade em watt-hora. No caso das baterias de lítio metálico, que não são recarregáveis, o critério é a quantidade de lítio expressa em gramas.
O limite permitido é de até 2 gramas de lítio por bateria. Acima disso, mas não ultrapassando 8 gramas, não é permitido despachá-las, mas, em algumas situações, como em dispositivos eletrônicos, é possível levá-las na cabine de passageiros.
Esse tipo é encontrado em determinadas pilhas e em alguns equipamentos específicos, como malas motorizadas ou aparelhos de comunicação, por exemplo.
Pilhas comuns
Pilhas alcalinas tradicionais, como AA e AAA, podem ser transportadas tanto na cabine quanto na bagagem despachada.
Já pilhas de lítio metálico devem respeitar o limite de até 2 gramas por unidade. Quando transportadas como sobressalentes, devem estar protegidas contra curto circuito e viajar preferencialmente na bagagem de mão.
Vapes e cigarros eletrônicos
Cigarros eletrônicos, vapes e dispositivos similares só podem ser levados na bagagem de mão.
É proibido despachar esses equipamentos. Também não é permitido utilizá-los nem recarregá-los durante o voo.
As baterias internas seguem as regras gerais de capacidade em Wh.
Patinetes elétricos
Patinetes elétricos, scooters recreativas e dispositivos semelhantes costumam ter baterias com capacidade superior a 160 Wh.
Por isso, em regra, não podem ser transportados em voos comerciais. Mesmo que desmontados, se a bateria ultrapassar esse limite, o embarque é proibido.
Auxílios à locomoção
Cadeiras de rodas elétricas e outros dispositivos de mobilidade seguem regras específicas.
Quando utilizam baterias de íon lítio removíveis, estas precisam respeitar os limites de capacidade estabelecidos e normalmente exigem comunicação prévia à companhia aérea.
Se a bateria não for removível, a empresa pode exigir procedimentos adicionais de segurança antes do embarque. Por envolverem acessibilidade e segurança operacional, esses casos costumam ser avaliados individualmente.
Como saber a capacidade da bateria
Muitos fabricantes informam a capacidade apenas em miliampere-hora, indicada como mAh nos produtos. Para converter em Wh, é preciso multiplicar o valor em mAh pela tensão da bateria, em volts, e dividir por 1.000.
A fórmula é: Wh = mAh × V ÷ 1.000.
Segundo o engenheiro Fernando Catalano, professor do curso de engenharia aeronáutica da USP São Carlos, para a maior parte dos power banks comuns, como os que usamos para recarregar o celular, basta seguir a seguinte regra, onde Wh é a multiplicação da potência em mAh por 0,0037 (a tensão de saída, de 3,7 V dividido por mil).
Exemplos:
- Power bank de 10.000 mAh: Potência aproximada de 37 Wh
- Power bank de 20.000 mAh: Potência aproximada de 74 Wh
- Power bank de 27.000 mAh: Potência aproximada de 100 Wh
"Até cerca de 27.000 mAh , geralmente está dentro do limite de 100 Wh. Acima disso pode ter restrições. Se no rótulo já aparecer Wh, use esse número ele é o oficial. Leve sempre o power bank na bagagem de mão (nunca despachado pois sua bagagem pode ser retida)", orienta o professor.
Um power bank de 20.000 mAh com tensão de 3,7 volts, por exemplo, equivale a cerca de 74 Wh, portanto dentro do limite permitido sem autorização, diz Catalano.
A tensão normalmente aparece na própria bateria, na etiqueta do equipamento ou no manual técnico.
Antes de viajar, o passageiro deve verificar essa informação e, em caso de dúvida, consultar a companhia aérea ou a Anac por meio deste link.
Por que baterias de lítio preocupam?
As baterias de lítio, presentes em celulares, power banks e cigarros eletrônicos, são hoje um dos principais focos de atenção na segurança de voo. O risco está no chamado descontrole térmico: quando há falha interna ou dano físico, a bateria pode superaquecer rapidamente, gerando fumaça, calor extremo e até fogo.
Esse superaquecimento pode provocar curto-circuito e incêndio, além de liberar fumaça tóxica. Em geral, o fator crítico é o excesso de calor decorrente de falhas de regulação ou mau uso, como danos, compressão ou carregamento inadequado.
Incêndios envolvendo lítio não devem ser apagados com água, pois o contato pode intensificar as chamas. O método adequado é o uso de extintores classe D, específicos para metais combustíveis.
Dados recentes mostram que o problema tem crescido. Ocorrências relacionadas a baterias praticamente dobraram em seis anos. Em 2024, houve uma média de três episódios de superaquecimento de baterias do tipo em voos no mundo a cada quinzena, quando em 2018 era pouco menos de um por semana, de acordo com apuração da Reuters.
Alguns países já limitam o transporte desses dispositivos além do Brasil. A China permite apenas power banks certificados. Quem viaja ao país asiático com um modelo não autorizado pode ter de deixá-lo no aeroporto antes de embarcar.
Na Coreia do Sul, itens com bateria de lítio não podem mais ser guardados nos compartimentos superiores da cabine de passageiros. A IATA (em português, Associação Internacional de Transportes Aéreos) também realiza campanhas de conscientização sobre os problemas que o transporte inadequado dessas baterias pode causar.
Reportagem
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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