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'Pressão direta nos juros', diz analista sobre alta do petróleo com guerra

Lula, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente. O presidente da República tem uma viagem agendada aos Estados Unidos na segunda quinzena deste mês. O Planalto, no entanto, avalia se mantém o encontro com Donald Trump, o que vai depender dos desdobramentos do conflito na próxima semana.

O Brasil mantém relações sólidas com ambos os lados. Com os Estados Unidos, a parceria dura mais de 200 anos — e atritos recentes entre Lula e Trump foram contornados, com ambos os governantes reconstruindo uma relação a partir do segundo semestre do ano passado. O Brasil também mantém laços comerciais e diplomáticos com o Irã, que recentemente passou a integrar o Brics+, bloco liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Para Karina Caladrin, do Ibmec-SP, a posição brasileira no conflito, mesmo com o histórico de neutralidade, merece certo cuidado. "O risco agora recai sobre a imagem que o Brasil vai ter no exterior no que tange à aproximação ou não com o Irã", diz ela, que lembra que, mesmo com a questão do tarifaço praticamente solucionada, as relações com os EUA "não estão das melhores". Caladrin lembra que o país passa por uma crise diplomática com Israel por causa dos conflitos em Gaza. No ano passado, ambos os países retiraram seus embaixadores. Já a Arábia Saudita, aliada da Casa Branca, é responsável por cerca de um quinto das importações brasileiras de petróleo bruto.

"O Brasil pode atrair mais atenção para si exatamente se for visto como um ator que defende o Irã, como um desvio para sanções do Irã — isso pode acarretar em mais tarifas", aponta a professora. "Mas se o país seguir seu histórico da política externa, não deverá ter muitas consequências", complementa ela.

Mesmo assim, Menezes, da UnB, não descarta que o Brasil seja alvo da agressividade praticada pelos EUA sob Trump — especialmente em um ano de eleições, "por estar na mesma região que os Estados Unidos".

"O governo brasileiro entende que o tarifaço do Trump foi a antecipação do ativismo que ele pretende ter na eleição brasileira. Esse ativismo inclui pressões contra o Brasil, provável manipulação pelas big techs nas redes sociais, inteligência artificial. Então sim, a democracia no Brasil e na América Latina não estão de fato asseguradas", afirma Menezes.

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