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Protestos ou acordo nuclear? Trump silencia sobre as manifestações em nova ameaça de ataque ao Irã

Na quarta-feira (28), no entanto, a onda de manifestações não foi mencionada por Trump em um post sobre o Irã na sua própria rede social, a Truth Social.

A mensagem pede para que Teerã "sente-se à mesa" para negociar um novo acordo nuclear.

"Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações o mais breve possível e chegue a um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares - um acordo que seja bom para todas as partes. O tempo está se esgotando, é realmente essencial! Como eu disse ao Irã uma vez, façam um acordo! Eles não fizeram e houve a “Operação Martelo da Meia-Noite”, uma grande destruição do Irã. O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente", postou Trump.
"Uma enorme armada está a caminho do Irã. Ela se move rapidamente, com grande poder, entusiasmo e determinação. É uma frota maior, liderada pelo magnífico porta-aviões Abraham Lincoln, do que a enviada à Venezuela. Assim como no caso da Venezuela, está pronta, disposta e apta a cumprir sua missão rapidamente, com velocidade e violência, se necessário", escreveu.

Se antes o republicano justificava o envio de reforço militar dos EUA ao Oriente Médio como forma de pressionar o regime iraniano a não reprimir a onda de protestos, agora ele recupera uma pauta antiga, de um acordo que impeça Teerã de produzir armas nucleares.

"Estava notavelmente ausente das reivindicações de Trump qualquer menção à proteção dos manifestantes que foram às ruas do Irã a partir de dezembro, o que abalou o país e criou a mais recente crise para o governo. Trump havia prometido, em publicações anteriores nas redes sociais, ajudá-los, mas quase não os mencionou nas últimas semanas", pontuou o jornal americano "The New York Times".

A mudança também foi assinalada pelo jornal inglês "The Guardian", o qual diz que a mensagem "reflete uma mudança notável na justificativa declarada da Casa Branca para o envio de um grupo de ataque de porta-aviões à região, passando da indignação com a morte de manifestantes para o destino do programa nuclear de Teerã."

➡️ Contexto: Em 2018, Trump retirou os EUA do acordo nuclear com o Irã, negociado pelo antecessor de Trump, Barack Obama. A tratativa fechada em 2015 fez o regime iraniano se comprometer a limitar suas atividades nucleares em troca do alívio em sanções internacionais. Na prática, a decisão levou o Irã a retomar e acelerar seu programa nuclear.

O post de Trump desta quarta (28) contrasta com o tom de um discurso feito pelo presidente americano em 13 de janeiro, em que ele mandou uma mensagem direta aos opositores do regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei: "Patriotas iranianos, continuem protestando. Derrubem suas instituições. (...) A ajuda está a caminho", ele declarou na data.

Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters

'O tempo está se esgotando'

Nesta quarta (28) o presidente americano também lembrou da grande operação realizada pelos EUA em parceria com Israel no Irã em junho do ano passado, quando três instalações nucleares do país foram bombardeadas.

Trump disse que um novo ataque ao país será "muito pior" e que o "tempo está se esgotando".

Em um post na rede social X, um alto funcionário do governo iraniano, o conselheiro sênior do khamenei Ali Shamkhani, disse que qualquer ataque dos EUA será considerado o início de uma guerra.

"O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns, mas se pressionado, se defenderá e responderá como nunca antes".

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse também que o país não negociaria com Washington sob ameaças.

“Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil. Se eles querem que as negociações avancem, certamente precisam deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a colocação de questões ilógicas”, disse Araghchi, ao comentar o deslocamento do porta-aviões Abraham Lincoln.

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