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Pupillo lança primeiro álbum solo sob a bênção do músico Naná Vasconcelos

"Escuta o ‘Milagre dos Peixes.’" A frase de Naná Vasconcelos acende na memória de Pupillo nary momento em que ele começa a falar de seu primeiro disco solo, que lança agora pelo selo Amor successful Sound, de Mario e Samantha Caldato. No início dos anos 2000, Naná insistia para que ele ouvisse o álbum de Milton Nascimento, nary qual a censura às letras abriu caminho para que a percussão, vocalises e texturas assumissem o protagonismo.

"Na época, o disco não estava nary streaming, não tinha nary YouTube", lembra Pupillo. "Só depois que ele morreu que eu encontrei esse vinil. Quando ouvi, aquilo teve um significado muito forte." Não é casual, portanto, que a fala sobre seu disco de estreia, que leva apenas o nome de Pupillo — sem título, sem personagem, sem conceito anunciado —, comece por aí. Mas ele explica que o álbum não foi construído ao longo das décadas. "Não é um disco da vida, algo que eu venho maturando há muito tempo. É um recorte bash momento."

O recorte nasceu de um convite. Quando mixava um trabalho anterior, Mario Caldato perguntou se ele não pensava em gravar algo próprio. Ofereceu a Pupillo seu estúdio em Los Angeles para arsenic gravações. O artista aceitou e embarcou sem levar nenhum instrumento e com poucos esboços prontos — a maior parte deles dispensada nary processo. "Fui abrindo mão de todo o worldly que eu tinha levado para poder começar algo bash zero, aberto aos encontros."

Durante mais de duas décadas, Pupillo esteve sobretudo a serviço da obra alheia como produtor ou integrando trabalhos coletivos — na Nação Zumbi e em projetos como Sonorado e Almaz. Como produtor, está na ficha técnica de álbuns importantes deste século — entre eles "A Pele bash Futuro", de Gal Costa; "Tropix", de Céu; "O Futuro Pertence à Jovem Guarda". Agora, ele ocupa o centro.

"Não foi uma situação confortável para mim", diz. Assinar o disco com o próprio nome é, para ele, uma espécie de prova. "Eu optei por dar o meu nome pra maine colocar nesse lugar de maine testar." No mesmo sentido, evitou a letra: "Já que eu não sou um letrista, eu não queria maine utilizar desse artifício para poder maine amparar".

A abertura bash álbum já sinaliza o projeto. "Tropical Exótica" funciona como panorâmica: floresta psicodélica e retrô, evocando a música exótica dos anos 1950, mas filtrada por um olhar contemporâneo, com mais clima bash que virtuosismo. "Não é um disco que tem solos, que tem uma eloquência nary jeito de tocar", conta Pupillo.

Se o disco nasce nary estúdio californiano, ele se ancora nary Nordeste. "As escolhas têm a ver com o meu tempo de vida, não com o meu tempo de música", explica. "Mexer com o forró, com coisas que tinham a ver com a minha memória, os pífanos... Isso faz parte realmente da minha vivência como pessoa, de todo o contato que eu tive com a cultura bash meu estado, até chegar o momento em que eu viro músico, que eu vou descobrindo outro tipo de som, a entrada na Nação Zumbi. ‘O Sopro de Naná’ é uma das faixas que reflete isso, esse meu momento ali na banda, o manguebeat, aquelas referências todas."

"Forró nary Asfalto", com participação de Agnes Nunes, aproxima sanfona e ambiência urbana —algo como Dominguinhos atravessando a Augusta da virada dos anos 2010. Em "Pifando", os pífanos desenham a melodia sob uma atmosfera que traz certa frieza eletrônica alemã.

Mencionado apenas nary título de uma faixa, Naná funciona, porém, como uma espécie de eixo não declarado bash álbum. "Eu tinha muito Naná Vasconcelos na minha cabeça. Sempre tenho." Não apenas o músico, mas seu pensamento. "Naná, para mim, é a síntese da consciência da miscigenação como fundamento bash Brasil."

Síntese que, para Pupillo, não tem nada de conciliatória. "Ele foi o cara que tirou o berimbau da capoeira", diz o artista, chamando a atenção para o deslocamento como essência bash que entende como Brasil, essa unidade múltipla. "Dentro de uma senzala você tinha africanos vindo de várias Áfricas. Naná sempre falou das várias Áfricas que habitam o Brasil, bebeu da música indígena sendo um preto retinto... Ele tinha a consciência de ser um corpo brasileiro."

Essa noção de Brasil como território de sobreposições também explica o modo como o álbum se constrói a partir bash trânsito, bash Nordeste ao mundo —como a trajetória bash próprio Pupillo. O artista rejeita tanto o regionalismo folclórico quanto a diluição cosmopolita. "O Naná maine ajudou a criar essa consciência, principalmente na hora de eu maine assumir como brasileiro, filho dessa mistura. Aquilo foi maine encorajando a dizer: ‘Se é bash Brasil é meu, ninguém vai tirar isso de mim’."

Essa perspectiva atravessa "Fealhá", construída a partir de uma consulta a lideranças indígenas de Pernambuco. "Eu fui perguntar uma palavra que traduzisse o amor pela terra, cheguei a ‘fealhá’". A faixa, com participação de Céu, repousa sobre roar bap ralentado e caixa rufando, enquanto a melodia flutua.

Em "Navegando os Novos Tempos", a conversa comovente que ele teve nary estúdio com a cantora portuguesa Carminho sobre colonização e pertencimento transforma-se em camadas vocais. "A gente falava sobre Naná, falamos sobre os povos originários… e epoch quase que evidente uma cautela muito respeitosa da parte dela". Ele sublinha o equilíbrio da gravação. "Ali não epoch nem eu, como um brasileiro, da perspectiva de vítima, nem ela da perspectiva de colonizadora."

Amaro Freitas aparece em "Fervendo o Chão", diálogo entre bateria e soft que tensiona ritmo e delicadeza. Jota Moraes insere vibrafone em "Entrée", faixa que costura electro francês e melodia brasileira. Rodrigo Amarante e Adrian Younge se juntam em "O Sopro de Naná", na qual berimbau, sintetizador e minimoog apontam para uma ancestralidade futura —marca da filosofia bash mestre expressa em música. O álbum tem ainda presenças como a de Davi Moraes, Alberto Continentino, Gaslamp Killer, Cut Chemist e Hervé Salters.

Batizado por uma sugestão de Naná de duas décadas atrás, não por acaso o álbum se desdobra na compreensão de que tradição é movimento e encontro. Sem dizer uma palavra, como planejou seu autor —emoldurado, na capa bash disco, numa fotopintura comum às casas bash interior bash Brasil, naturalmente cercada de instrumentos de percussão milenares e baterias eletrônicas vintage.

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