Na segunda entrevista à imprensa europeia que concedeu nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou à revista alemã Der Spiegel que é preciso "aceitar o resultado" quando indagado sobre uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições de outubro.
Lula está em visita à Espanha, chega domingo (19) à Alemanha, onde abre a Feira Industrial de Hannover, que tem o Brasil como país convidado, e ainda passará por Portugal na terça-feira (21).
"Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou de centro, temos que aceitar o resultado", declarou a jornalistas da revista em Brasília, para logo em seguida se usar como exemplo. "Nunca imaginei que um metalúrgico, líder sindical como eu fui, seria eleito três vezes para a Presidência. Mas aqui estou."
As mais recentes pesquisas de opinião de voto, incluindo a do Datafolha, mostram que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos por tentativa de golpe de Estado, empata com o petista em um eventual segundo turno presidencial.
Na sequência, questionado se não tinha medo de o Brasil "recair no autoritarismo", Lula declarou que o país "continuará a ser democrático". "Além disso, venceremos essa eleição." O presidente acrescentou ainda que não há lugar para "fascistas, para pessoas que não acreditam na democracia" no Brasil.
"Essa ideologia de direita que domina o mundo não tem futuro. Em vez de ideias, ela só espalha ódio e mentiras."
O presidente, segundo a revista, foi "evasivo" ao responder sobre sua participação na eleição, em que tentará o quarto mandato. Lula respondeu "depende", citando a convenção partidária do PT que discutirá "os principais nomes". "Estou me preparando para isso. Minha cabeça e meu corpo estão 100% em forma. Quero chegar aos 120 anos!"
Lula comentou também sobre as recentes derrotas da esquerda na América Latina, ressaltando que a alternância de poder é "a coisa mais maravilhosa da democracia", e voltou a repetir que as ditaduras de Cuba e Venezuela eram questões a serem resolvidas internamente, por seus eleitores.
O presidente disse considerar "lamentável" que a União Europeia tenha defendido Juan Guaidó como chefe de Estado na Venezuela "quando ele tomou o poder em um golpe".
Como já havia feito nesta semana em entrevista ao jornal espanhol El País, Lula aproveitou a plateia internacional para tecer fortes críticas ao presidente americano, Donald Trump, que "não foi eleito imperador do mundo", frase que virou o título da reportagem da Spiegel, ao comentar a guerra no Irã e os efeitos devastadores do conflito nos mercados globais.
Também não poupou o presidente russo, Vladimir Putin, diferentemente do ano passado, quando participou da celebração dos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial em Moscou, atitude que lhe rendeu muitas críticas na Europa devido à guerra da Ucrânia.
"Assim como Putin não tinha o direito de invadir a Ucrânia, Trump não tem o direito de intervir na Venezuela ou ameaçar Cuba", declarou.
Sobre a saia justa provocada por Friedrich Merz, que viralizou com comentário depreciativo a Belém após participar da COP30, em novembro, Lula, de caso pensado ou não, acabou fazendo uma provocação. Ao explicar por que tinha recomendado ao primeiro-ministro alemão comer em um bar da capital paraense, o presidente lembrou que comeu um salsichão em uma barraca de rua em Berlim na última vez que visitou Angela Merkel.
A ex-primeira-ministra e Merz, apesar de pertencerem ao mesmo partido, a CDU, são desafetos.

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