Parte do setor está mais focada em sobreviver em meio aos juros elevados do que em investir para garantir crescimento contínuo no futuro
Redação
23/01/2026 12:01
| Atualizado
23/01/2026 12:08
Segundo levantamento da Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 31% da indústria brasileira recorreu a crédito de longo prazo para cobrir despesas correntes. O dado revela uma distorção: linhas tradicionalmente voltadas a investimentos e expansão vêm sendo usadas para financiar capital de giro, como folha de pagamento e impostos. O investimento em máquinas e equipamentos foi a segunda finalidade mais apontada na busca por crédito de longo prazo (30%), seguido do investimento em instalações (10%).
Parte do setor está mais focada em sobreviver em meio aos juros elevados e outros desafios do que em investir para garantir crescimento contínuo no futuro. "O fato de boa parte das empresas industriais tomarem crédito de longo prazo para capital de giro mostra que o crédito de curto prazo, provavelmente, está muito caro e que as demais condições. Por isso, as empresas acabam buscando usar o crédito de longo prazo para atender a necessidades do dia a dia", avalia Maria Virgínia Colusso, analista de políticas e indústria da CNI. Nas operações de curto ou médio prazos (até cinco anos), 59% das empresas apontaram o capital de giro como a principal finalidade do crédito. Em seguida, aparecem o investimento em máquinas e equipamentos (15%) e o investimento em instalações (5%).
A Sondagem Especial também apurou o impacto do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na capacidade de investimento do setor. Segundo o levantamento, a alta prejudicou quase um terço das empresas industriais no ano passado. A pesquisa revela que 16% dos empresários desistiram de contratar ou renovar crédito após o aumento da tributação, enquanto outros 16% reduziram o valor solicitado. Por outro lado, um terço (33%) das empresas industriais manteve a decisão de contratar ou renovar crédito mesmo depois da alta do imposto. "Observa-se que essa situação tende a afetar diretamente a produtividade e a competitividade da indústria brasileira", destaca a economista.

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