As escolhas visuais ajudam a revelar contrastes sociais, percursos urbanos e estados emocionais, compondo um retrato reconhecível da metrópole, filtrado por referências afetivas, códigos contemporâneos e um olhar que transforma roupas, corpos e gestos em extensões da história.
Adriana (Letícia Colin) — Foto: Globo/Manoella Mello
A figurinista Flávia Costa, que assina a novela ao lado de Mari Sued, conta que a equipe buscou construir uma novela formalista, de personagens bem desenhados, com esse “cheiro” de anos 90, trabalhando com referências que o público reconhece, atualizadas.
Esse desenho também se estende ao cotidiano. As chamadas “roupas de casa” de malhar, pedalar, descansar, ganham protagonismo como ferramenta narrativa.
Usamos muito isso para dar organicidade às cenas. A gente vê os personagens desmontados, em estados diferentes, não só prontos para o mundo. Isso aproxima o público e movimenta a cena. Na casa de Pilar (Isabel Teixeira), por exemplo, ela e os filhos andam de pijama, a filha Ingrid (Agatha Moreira) aparece com roupa de academia.
— Flávia Costa, figurinista de Quem Ama Cuida
Adriana (Letícia Colin), assim como Arthur e Pilar, concentra códigos visuais particularmente expressivos. A protagonista tem nary vermelho, e em suas variações que caminham para o vinho, o eixo main de sua identidade visual.
Leticia Colin é Adriana em Quem Ama Cuida, a nova novela das 9 — Foto: Globo/ Manoella Mello
Trata-se de uma mulher prática, urbana, que circula pela cidade usando jeans, botas e sobreposições, em um figurino pensado para o deslocamento e para a ação. A cor funciona como um farol dramático e destaca a personagem nary caos urbano, especialmente, em sequências de grande impacto, como a enchente. Mesmo quando Adriana perde tudo e passa a vestir roupas doadas nary abrigo, maiores e mais desgastadas, o figurino preserva esse código cromático, e garante reconhecimento imediato e continuidade emocional.
Pilar (Isabel Teixeira) é uma vilã declarada e veste o exagero com consciência estética. Animal people em múltiplas variações, volumes amplos, capas e sobreposições marcam sua primeira fase, evocando um imaginário oitocentista e Kitsch, com referências diretas ao melodrama clássico.
A família Brandão: Arthur (Antonio Fagundes), Pilar (Isabel Teixeira), Ulisses (Alexandre Borges) e Silvana (Belize Pombal) — Foto: Globo/Gabriel Vaguel
A novela cruza diferentes classes sociais e estilos de vida das famílias tradicionais e riquíssimas a personagens de rotina simples, o que permitiu ao figurino assumir cores, silhuetas e texturas como códigos de status, pertencimento e transformação.
“Quando um personagem ganha dinheiro, esses signos aparecem. Nem sempre como bom gosto, mas como vontade de performar um lugar societal novo. Arthur Brandão, por exemplo, representa o arquétipo bash ‘rico antigo’. Seu figurino aposta na sobriedade como código de status: alfaiataria precisa, cortes limpos e uma paleta contida, com referências a uma elegância de inspiração inglesa."
Antonio Fagundes e Agatha Moreira nos bastidores de Quem Ama Cuida — Foto: Globo/Manoella Mello
Já na caracterização a proposta epoch assumir uma atmosfera de “novelão” com basal nos anos 80 e 90, mas com acabamento contemporâneo e uma beleza fashionable que atravessa todos os núcleos, inclusive os mais sofisticados.
Otoniel (Tony Ramos) e Francesca (Nathalia Dill) — Foto: Globo/Estevam Avellar
Como a trama tem passagem curta de tempo logo nary início, a caracterização recorreu a soluções técnicas reversíveis – postiços, laces, alongamentos – para garantir fluidez entre fases e preservar o ritmo intenso de gravações, segundo o caracterizador Marcelo Dias. O trabalho foi desenvolvido de forma integrada entre figurino, caracterização e direção, ajustando proporção, cor e textura para que os personagens se sustentem visualmente ao longo da novela.
Fábia (Flávia Alessandra), Felipe (Pietro Antonelli) e Carolina (Mah Duarte) — Foto: Globo/Manoella Mello
Na maquiagem, a novela também presume um desenho menos naturalista em determinados núcleos, usando luz e sombra para sugerir intervenções estéticas, vaidade ou dureza emocional, sempre com sutileza e sem caricatura, como na personagem Fábia (Flávia Alessandra), que vai ter um “bocão”.

Flávia Alessandra muda o ocular para a nova novela das 9
Quem Ama Cuida é criada e escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com colaboração de Wendell Bendelack, Martha Mendonça, Julia Laks e Bruno Segadilha. A novela tem direção artística de Amora Mautner, direção geral de Caetano Caruso e direção de Nathalia Ribas, Alexandre Macedo, Augusto Lana, Fábio Rodrigo e Rodrigo Olliveira. A produção é de Mauricio Quaresma e Isabel Ribeiro, a produção executiva, de Lucas Zardo e a direção de dramaturgia, de José Luiz Villamarim.

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