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Quem é Iván Mordisco, criminoso mais procurado da Colômbia, apontado como sucessor de Escobar, que está por trás de ataques no país

O presidente Gustavo Petro o compara a Pablo Escobar desde que Mordisco abandonou as negociações de paz com seu governo, em 2024. (Leia mais abaixo)

Drones explosivos e carros-bomba tornaram-se a marca registrada do comandante do maior grupo dissidente das Farc, que realizou demonstrações de força às vésperas das eleições gerais de 31 de maio.

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Mordisco, um ex-comandante do maior grupo guerrilheiro da Colômbia até a década passada, se recusou a assinar o acordo de paz que desarmou as Farc em 2016, que concedeu anistia a seus ex-membros.

Após a dissolução do grupo, ele organizou uma facção dissidente que permaneceu armada, financiada pelo narcotráfico.

Hoje, ele comanda um esquadrão de cerca de 3.200 combatentes que se financiam com tráfico de cocaína, mineração ilegal, extorsão e outros crimes.

Mordisco juntou-se à guerrilha ainda adolescente e é considerado um atirador de elite.

Com o tempo, conquistou o respeito de outros combatentes por sua proficiência com fuzis e explosivos.

Quando as Farc depuseram as armas para se tornarem um partido político, Mordisco permaneceu na selva, semeando o terror. Ele utiliza os emblemas históricos do antigo grupo guerrilheiro marxista e venera suas principais figuras.

Nas Farc, "ele era um comandante de nível médio. Nunca esteve entre os comandantes históricos, mas sua experiência militar e sua oposição inicial às negociações lhe conferiram significativa legitimidade", disse o pesquisador de conflitos Jorge Mantilla à AFP.

À frente do grupo dissidente conhecido como Estado-Maior Central (EMC), ele impediu que a sigla Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia desaparecesse.

Seus combatentes se consideram herdeiros do projeto ideológico das Farc.

Mordisco não esteve presente nas negociações de paz de 2026, ocorridas em Havana, e deixou claro desde o início que não deporia suas armas.

O ex-segundo em comando do grupo guerrilheiro e principal negociador das Farc, Iván Márquez, enviou um líder conhecido como Gentil Duarte à Colômbia para persuadi-lo a aderir ao processo, segundo pesquisadores da Core Foundation.

Mas, longe de convencê-lo, Duarte se juntou a ele e, juntos, abandonaram o pacto com o então presidente e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Juan Manuel Santos.

Mordisco afirmava que se tratava de um acordo de "morte" e "desapropriação". Ele acreditava que o pacto só beneficiaria a liderança das Farc e que os combatentes de base ficariam desprotegidos.

As Forças Armadas estimam que os grupos dissidentes se fortaleceram rapidamente por meio de seus negócios ilícitos, recrutamento forçado e aliciamento de jovens empobrecidos em plataformas de mídia social como o TikTok.

Em abril de 2023, Mordisco fez sua única aparição pública, em uma área de selva.

Ele chegou em um SUV blindado de luxo para anunciar o início das negociações com Petro. Ele portava um fuzil Tavor X95 de fabricação israelense e usava seus característicos óculos escuros.

Líder guerrilheiro colombiano Iván Mordisco discursa em evento em 16 de abril de 2023, em San Vicente del Caguán, Colômbia — Foto: Foto por JOAQUIN SARMIENTO / AFP

Em 2024, Mordisco rompeu as negociações de paz com Petro, que o chamou de "traqueto", termo coloquial para narcotraficantes na Colômbia.

"Quero Iván Mordisco capturado vivo, não morto", declarou Petro à época, lançando uma caçada implacável com recompensas milionárias por sua captura.

Sua morte foi noticiada em diversas ocasiões. Em 2022, o governo de direita de Iván Duque anunciou seu falecimento, mas o rebelde reapareceu posteriormente em um vídeo.

Petro o considera a principal ameaça à segurança de um país mergulhado em mais de seis décadas de conflito entre guerrilheiros, paramilitares, narcotraficantes e agentes do Estado.

Em vídeos, Mordisco afirma estar "do lado dos pobres" e ser um defensor do meio ambiente, enquanto é acusado de assassinar policiais, civis e líderes sociais na selva.

Segundo pesquisadores da violência colombiana, ele também é considerado um comandante implacável que ordena execuções por traição ou corrupção.

Estrutura de ônibus que explodiu em um atentado de grupos armados colombianos em frente a uma base militar no oeste da Colômbia, em 24 de abril de 2025. — Foto: Joaquín Sarmiento/ AFP

O presidente Gustavo Petro tachou os guerrilheiros de "terroristas" e ordenou que a força pública redobre operações contra o grupo.

Os principais candidatos presidenciais também condenaram os atos de violência. O país vai às urnas no dia 31 de maio, em uma eleição que tem a segurança como um dos temas centrais.

A explosão ocorreu no departamento de Cauca — Foto: BBC

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