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Quem eram os chefes militares do Irã mortos em ataques dos EUA e de Israel

De acordo com a TV estatal e agências oficiais, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi, e o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, foram mortos em um ataque aéreo enquanto participavam de uma reunião do Conselho de Defesa, no sábado.

As autoridades persas também relataram a morte do comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, e de Ali Shamkhani, ligado ao Conselho de Defesa.

A seguir, veja o perfil e a trajetória de cada um dos líderes militares mortos nos ataques.

O comandante-em-chefe do Exército do Irã, major-general Abdolrahim Mousavi, observa durante um exercício militar em local não divulgado no Irã, nesta imagem divulgada em 25 de agosto de 2022. — Foto: Exército iraniano/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS

Abdolrahim Mousavi havia assumido em 13 de junho o posto de chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, cargo máximo da estrutura militar do país.

Pouco tempo depois de ser nomeado para o cargo, Mousavi passou a ser apontado como uma das vítimas dos ataques mais recentes. A morte, no entanto, só foi confirmada neste domingo pela imprensa estatal iraniana.

Aziz Nasirzadeh ingressou na Força Aérea iraniana aos 19 anos e participou da Guerra Irã-Iraque, entre 1980 e 1988. Ao longo da carreira, ocupou posições de comando até ser escolhido, em 2021, como vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.

O comandante das forças terrestres da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Brigadeiro-General Mohammad Pakpour, participa de um desfile militar como parte da cerimônia que marca o dia anual do exército do país, em Teerã, em 17 de abril de 2024. — Foto: ATTA KENARE/AFP

O major-general Mohammad Pakpour foi nomeado comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em junho do ano passado, em substituição ao major-general Hossein Salami, que também morreu em um ataque realizado por forças israelenses no mesmo período.

Pakpour ascendeu na hierarquia da Guarda Revolucionária, comandando suas forças terrestres e a unidade especial Saberin antes de assumir o comando geral.

À esquerda, o principal responsável pela área de segurança do Irã, Ali Shamkhani; à direita, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, durante encontro em Abu Dhabi, em 16 de março de 2023. — Foto: WAM/Divulgação via REUTERS

Ali Shamkhani ingressou na Guarda Revolucionária em 1979, logo após a Revolução Islâmica. Entre 1981 e 1988, atuou como vice-comandante da corporação.

Ao longo das décadas, transitou por diferentes correntes políticas da República Islâmica. Em 2013, foi nomeado secretário do Conselho de Segurança.

Antes disso, ocupou o cargo de ministro da Defesa no governo do presidente reformista Mohammad Khatami, que comandou o país por dois mandatos, de 1997 a 2005.

Irã confirma morte de Khamenei

Apresentador da TV estatal do Irã confirma emocionado morte de Khamenei; notícia é celebrada nas ruas de algumas cidades do país

Apresentador da TV estatal do Irã confirma emocionado morte de Khamenei; notícia é celebrada nas ruas de algumas cidades do país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado mais cedo que o líder supremo do Irã foi morto durante um bombardeio.

Khamenei comandou o país por quase quatro décadas. A morte foi inicialmente confirmada pela agência estatal Fars em seu perfil no Telegram. "O líder supremo da Revolução foi martirizado", diz a publicação.

O gabinete do governo do Irã, cujo presidente é Masoud Pezeshkian, declarou 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado geral.

"É com profundo pesar e consternação que informamos que, após o ataque brutal do governo criminoso dos Estados Unidos e do regime abjeto sionista, o modelo de fé, luta e resistência, o líder supremo da Revolução Islâmica, sua eminência o grande aiatolá Ali Khamenei, alcançou a grande graça do martírio", diz nota.

O texto classifica o episódio como um "crime" e diz que "marcará uma nova página na história do mundo islâmico e do xiismo". "O sangue puro deste descendente do profeta fluirá como uma fonte impetuosa e erradicará a opressão e o crime americano-sionista. Desta vez, com toda a força e firmeza, e com o apoio da nação islâmica e dos homens livres do mundo, faremos com que os autores e mandantes deste grande crime se arrependam".

Segundo a agência estatal, Khamenei foi morto em seu local de trabalho na manhã deste sábado.

"Os meios de comunicação ligados ao regime sionista e à reação regional alegaram repetidamente que, por medo de assassinato, o líder da Revolução vivia em um local seguro e escondido. Seu martírio em seu local de trabalho provou, mais uma vez, a falsidade dessas alegações e da guerra psicológica do inimigo", completa a nota.

A agência também compartilhou o comunicado das Guardas Revolucionárias do Irã, que lamentaram a morte. "O Corpo da Guarda da Revolução Islâmica, as Forças Armadas da República Islâmica e o vasto Basij (milícia popular) continuarão poderosamente o caminho de seu guia para defender o precioso legado deste líder supremo".

O apresentador da TV estatal iraniana anunciou a morte de Khamenei emocionado. Veja no vídeo abaixo.

Em uma rede social, Trump afirmou que Khamenei não conseguiu escapar dos sistemas de inteligência e rastreamento dos Estados Unidos, em parceria com Israel. Segundo ele, “não havia nada” que o líder supremo pudesse fazer.

“Khamenei, uma das pessoas mais malignas da História, está morto. Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para pessoas de muitos países ao redor do mundo que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e seu bando de capangas sanguinários”, escreveu Trump.

Na Truth Social, Trump afirmou que os bombardeios contra o Irã vão continuar para alcançar “paz no Oriente Médio e no mundo”. Ele disse esperar que integrantes da Guarda Revolucionária e das forças de segurança se unam à população para “devolver grandeza” ao país.

"Este é o maior momento para o povo iraniano retomar o próprio país. Estamos ouvindo que muitos integrantes da Guarda Revolucionária (IRGC), das Forças Armadas e de outras forças de segurança e polícia já não querem lutar e estão buscando imunidade de nossa parte", afirmou.

Imagem de satélite mostra fumaça preta subindo e grandes danos no complexo do Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, após ataque — Foto: Pleiades Neo (c) Airbus DS 2026/Divulgação via REUTERS

Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã deste sábado. A ação deixou 201 mortos e 747 feridos, segundo a imprensa iraniana com base em informações da rede humanitária Crescente Vermelho.

Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.

O Exército dos Estados Unidos informou que nenhum militar americano ficou ferido na ação. O governo americano afirmou ainda que os danos às bases militares dos EUA no Oriente Médio, após a retaliação iraniana, foram “mínimos”.

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, foi fechado por motivos de segurança, informou a agência estatal iraniana Tasnim.

Em pronunciamento, Netanyahu declarou que a ofensiva contra o Irã matou comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários ligados ao programa nuclear iraniano. Segundo ele, "milhares de alvos" serão atacados nos próximos dias.

No mesmo pronunciamento, Netanyahu fez um apelo direto à população do Irã para que se levante contra o regime e vá às ruas para protestar.

“Não percam a oportunidade. Esta é uma oportunidade que surge uma vez por geração”, afirmou.

Em inglês, Netanyahu acrescentou: “A ajuda chegou”, em referência a uma publicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em janeiro, o norte-americano afirmou que estava enviando “ajuda” a manifestantes que protestavam contra Khamenei.

O que se sabe do ataque de EUA e Israel:

  • Agências de notícias informaram que mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e a instalações usadas pelo líder supremo em Teerã, capital do Irã.
  • Segundo a agência estatal iraniana Fars, explosões também foram ouvidas nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah, todas em diferentes regiões do país.
  • Exército israelense afirma ter atingido "centenas de alvos militares iranianos", incluindo lançadores de mísseis.
  • O ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, morreram nos ataques israelenses, segundo três fontes ouvidas pela agência Reuters.

O que se sabe sobre a retaliação do Irã:

  • Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra o território israelense, onde sirenes de alerta foram acionadas.
  • Diversas explosões foram ouvidas em outros países da região, como Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes — países que têm bases norte-americanas.
  • Vários prédios residenciais foram atingidos no Bahrein, segundo o governo local.
  • Em comunicado, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado vários mísseis iranianos e que uma pessoa morreu na capital Abu Dhabi. Uma explosão também foi ouvida em Dubai, segundo testemunhas.
  • Sistemas de defesa antimísseis foram acionados por Israel e pelos países do Golfo.
  • 4 pessoas morreram na Síria após míssil iraniano atingir um prédio, informa a agência Reuters.
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