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Rã-flecha: conheça a espécie por trás do veneno citado em caso envolvendo opositor russo

Segundo a informação do comunicado, análises de amostras do cadáver de Navalny encontraram epibatidina, uma toxina encontrada em rãs-flecha venenosas.

Abaixo, conheça a espécie.

Rã-flecha Ameerega trivittata, espécie venenosa que ocorre na floresta amazônica — Foto: Ubiratã Ferreira Souza

As rãs-flecha formam um grupo de anfíbios da família dos dendrobatídeos, que reúne dezenas de espécies distribuídas principalmente pelas florestas tropicais da América Central e da América do Sul, incluindo o Brasil.

Diferentemente de muitas outras rãs, que se camuflam para escapar de predadores, elas fazem o oposto: exibem cores vibrantes como amarelo, dourado, vermelho, verde, azul e preto.

Essa estratégia é chamada de coloração de advertência. Ao ostentar tons chamativos, o animal sinaliza que não deve ser atacado. A pele dessas rãs secreta substâncias tóxicas capazes de paralisar — e, em alguns casos, matar — predadores.

Um único desses anfíbios pode produzir até 1900 microgramas deste veneno intenso, o que o torna 20 vezes mais tóxico do que outros sapos.

Isso pode ser o suficiente para matar até mesmo animais de porte bem maior.

Rã flecha — Foto: Reprodução TV Globo

Os cientistas ainda investigam a origem exata da toxicidade dessas rãs. A principal hipótese é que elas não produzem o veneno diretamente, mas o acumulam a partir da alimentação. Na natureza, alimentam-se de formigas, cupins e besouros que contêm alcaloides tóxicos. Esses compostos seriam então armazenados na pele do anfíbio.

Curiosamente, indivíduos criados em cativeiro e alimentados com dieta diferente perdem grande parte da toxicidade, o que reforça a teoria de que o veneno está ligado ao que comem no ambiente selvagem.

Para que o veneno seja letal a humanos, é necessário contato direto com a toxina em quantidade suficiente. Povos indígenas da América do Sul tradicionalmente utilizavam secreções dessas rãs para envenenar a ponta de dardos de caça — prática que deu origem ao nome “rã-flecha”.

Além disso, como a toxicidade depende da dieta, rãs criadas fora do ambiente natural tendem a não apresentar o mesmo nível de perigo.

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