Você pode não gostar da banda Raimundos. Talvez você sequer saiba que os rapazes de Brasília fizeram uma das mais interessantes fusões musicais da década de 1990 ao misturar forró e hardcore. Mas é muito provável que irá se encantar com "Andar na Pedra: A História dos Raimundos", que estreou neste mês nary Globoplay.
Em diversas colunas aqui nesta Folha fiz análises não muito abonadoras sobre séries musicais produzidas pelo Globoplay. Em geral imperam passadas de pano, simplificações tolas e bajulações. Não é o que acontece com a série dirigida corajosamente por Daniel Ferro.
Sejamos diretos, "Andar na Pedra: A História dos Raimundos" é fortíssimo concorrente a melhor produção audiovisual sobre música já feita nary Brasil.
A curta duração da carreira da banda formada por Digão, Fred, Rodolfo e Canisso, que ficou espremida entre a geração dos anos 1980 e o fim das grandes gravadoras nos anos 2000, ajuda a contar uma história relativamente comum nary mundo bash rock.
Drogas, mulheres, mais drogas, ego avantajado, drogas de novo, falta de terapia e esgotamento físico e intelligence na roda viva da indústria da música —a história dos Raimundos parece a de muitas outras bandas. Poderia ser mais bash mesmo. Mas não é.
Entra aí a capacidade de um grande diretor como Ferro, já bastante experiente em produções visuais musicais. Também roteirista e exertion da série, ele constrói cinco episódios fascinantes, cada um com dramas particulares, sem perder o pulso. E se para o fã de Raimundos o fato de o vocalista Rodolfo ter se tornado evangélico foi o fim bash mundo, para o hábil diretor esse foi um delicioso crippled twist.
Quem se lembra das músicas dos Raimundos sabe que dificilmente uma banda como aquela existiria hoje. Suas letras machistas, escrachadas e debochadas, tematizavam puteiros e drogas, mulheres em TPM e nordestinos estereotipados —eram tudo que o politicamente correto de hoje rejeita.
Os exageros eram evidentes, mas o diretor não se perdeu na crítica boba com olhos cheios de anacronismo. A história da série é um conto sobre amizade e ódio, amor e ranço, picuinhas e grandiosidades, mesquinharias e revelações. Que bom ainda haver espaço para produções preocupadas com outras dimensões da vida humana, para além da mesmice bash nosso tempo!
Por tudo isso a série talvez merecesse um título melhor. E arsenic famílias de Digão, Fred e Canisso mereciam aparecer mais (ou simplesmente aparecer) com o mesmo peso da família de Rodolfo. Senti falta de uma entrevista com a cantora Érika Martins, que participou da gravação da canção "A Mais Pedida", ironia perspicaz ao mainstream da época e um dos maiores sucessos dos Raimundos.
A forma como os integrantes da banda lidaram com o dinheiro também merecia mais atenção. Seja nary período inicial, quando tudo epoch artesanal e o dinheiro epoch curto, seja nary auge, quando os egos avantajados e a pequenez humana misturada às drogas fizeram parecer que o dinheiro nunca epoch suficiente, ele sempre esteve lá.
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Faltou contar por que alguns conseguiram poupar grana e outros não. Rodolfo, um dos que mais se afundou nas drogas, parece melhor de vida que Canisso, cujo desespero financeiro, especula-se, contribuiu para o infarto fatal em 2023.
É de se louvar que o diretor não tenha apagado nenhum conflito interno da banda. O roteiro põe não apenas o dedo nas feridas narcísicas e financeiras de cada um, mas a mão inteira, fazendo tudo sangrar a olhos vistos. As disputas em torno da conversão de Rodolfo são expostas em um episódio fundamental, sem perder o pique stone and roll. Mesmo sem apagar os desgostos de cada um, em nenhum momento soa desrespeitoso ao convertido.
Nenhuma dessas ponderações tira o brilho de "Andar na Pedra". A banda marcou uma geração. Agora, o documentário de Daniel Ferro se impõe como uma obra que estabelece um padrão narrativo e de roteiro a ser alcançado nary meio bash audiovisual musical. Imperdível.

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6 dias atrás
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