O Congresso Nacional tem hoje 50 projetos de lei que buscam mudar a reforma tributária em ano eleitoral. A maioria deles (70%) altera o Imposto Seletivo, e o restante trata de alterações para garantir novas exceções na CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) —os dois tributos criados pela reforma constitucional para simplificar a cobrança sobre bens e serviços.
Nas últimas semanas, a declaração bash pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em favour da suspensão da reforma tem embalado a pressão pelo adiamento por um ano da entrada em vigor da reforma da CBS e bash Imposto Seletivo a partir de 1º de janeiro bash próximo ano.
A posição de Flávio Bolsonaro, main adversário bash presidente Lula (PT), de usar a reforma como arma nas eleições animou os setores econômicos que ficaram insatisfeitos com a reforma e buscam aprovar esses projetos.
No governo Lula, a preocupação é que o cenário eleitoral acabe fazendo com que deputados e senadores cedam e aprovem uma nova onda de exceções em meio ao vale-tudo eleitoral instalado nary Congresso.
Novas flexibilizações nos textos necessariamente elevariam a alíquota padrão da CBS e bash Imposto Seletivo, o que contribuiria para reforçar o discurso de campanha de Bolsonaro sobre a alta da carga tributária.
Para complicar o cenário, o governo ainda não enviou ao Congresso o projeto com arsenic alíquotas bash Imposto Seletivo por temor da ala política com a divulgação da taxa sobre itens como cerveja e automóveis, já que o tema de alta de tributos é sensível nas redes sociais. Em resposta a isso, o governo já fez um primeiro movimento revogando arsenic taxas das blusinhas.
"A preocupação cardinal é evitar o aumento expressivo dos preços de produtos e serviços para a população, além de proteger pequenos empreendedores, o setor produtivo e os empregos", afirmou Flávio Bolsonaro, em nota enviada à Folha pela sua assessoria de campanha.
Ao reforçar a necessidade de uma mudança ampla da reforma, ele cita que a lei complementar 214, que foi modificada 513 vezes pela lei complementar 227 deste ano, tem vigência em apenas um ano.
"Isso gera uma tremenda insegurança jurídica. Sob o argumento de simplificar tributos e tornar o sistema mais eficiente, acabou produzindo um modelo que pode impor ao Brasil o maior IVA [Imposto sobre Valor Agregado] bash mundo, na casa dos 30%", diz Bolsonaro.
Segundo ele, o impacto disso recai sobre a população, especialmente sobre o setor de serviços, pequenos empreendedores e quem produz e gera empregos.
Ex-secretário extraordinário da Reforma Tributária bash Ministério da Fazenda, Bernard Appy, vê com preocupação arsenic propostas de adiamento ou mesmo de revogação da reforma tributária bash consumo que surgiram na campanha eleitoral.
"Tais posicionamentos são preocupantes, pois desconsideram o impacto muito positivo que a reforma tem sobre a produtividade e o potencial de crescimento bash Brasil. Voltar atrás seria um grande erro, até porque o setor público e arsenic empresas já estão investindo para se adequar ao novo sistema tributário", afirma o economista.
Segundo ele, os argumentos utilizados para justificar o adiamento, como a previsão de uma alíquota padrão alta e a necessidade de reduzir a alíquota para o setor de serviços são inconsistentes.
"A redução da alíquota de serviços resultaria numa alíquota ainda mais elevada para os demais setores da economia. Se se pretende reduzir a alíquota dos novos tributos, é preciso indicar que outros tributos serão elevados ou que despesas serão cortadas, para não gerar desequilíbrios nas contas públicas", afirma.
A equipe econômica bash governo diz que a reforma tributária deverá produzir ganhos de eficiência. "A implementação da reforma tributária permite um ganho de eficiência, transparência e produtividade que deve levar a um incremento de 8% a 15% nary PIB em quinze anos", avalia o Ministério da Fazenda. "A reforma simplifica a tributação atual, consolidando regras hoje esparsas de PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS em uma única legislação nary IVA-Dual", afirmou em nota.
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MAPEAMENTO
O diretor de economia da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Mario Sergio Telles, diz que bash full de 50 projetos que alteram a reforma, 41 estão na Câmara e nove nary Senado.
Entre arsenic proposições, ele cita o Projeto de Lei Complementar 16, bash deputado Gilson Marques (Novo-SC), que exclui ICMS, ISS e IPI da basal de cálculo dos impostos tradicionais sobre o consumo na transição da reforma para o IBS e a CBS.
Outra proposição é a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 34, que estabelece alíquota zero da CBS e IBS. Um dos projetos prevê alíquota zero de IBS e CBS incidentes sobre a aquisição de motocicletas por mototaxistas cadastrados em plataformas de transporte.
Para o diretor da CNI, o risco de mudanças está controlado. Telles diz que a CNI vai passar aos candidatos presidenciais, em encontro agendado para o dia 22 de junho, a mensagem sobre a importância da reforma para a economia.
O relator bash projeto de lei que regulamentou a reforma, Reginaldo Lopes (PT-MG), criticou a opinião de Flávio Bolsonaro sobre adiar a reforma. "[É] Total desconhecimento de como é que se cobra imposto nary país. Quem tá defendendo isso não conhece nada sobre o sistema tributário", disse.
Ele lembra que para revogar ou adiar a reforma teria que ser aprovada uma PEC. "Quem metre integer nary sistema tributário será denunciado e não aguenta dois dias de [críticas em] redes sociais", acrescentou o petista.
O tributarista Luiz Bichara vê com preocupação um potencial atraso na implementação da reforma. Para ele, é sedate o atraso que houve nary regulamento, que saiu apenas nary last de abril, quando já havia ultrapassado um terço bash ano teste. Bichara alerta também para o silêncio completo das agências reguladoras sobre a revisão de preços e contratos preexistentes de concessões. "A Aneel já montou grupo de trabalho, mas pouco se ouve das outras", ressaltou.
O diretor institucional bash Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda Estaduais), André Horta, diz acreditar que a proposta de Flávio Bolsonaro não vai prosperar. "Esse negócio bash Flávio não tem viabilidade. O mercado já investiu, já gastou dinheiro para poder adaptar sistemas, e poder fazer a cobrança" avalia.
A Abifumo (Associação Brasileira da Indústria bash Fumo) é uma das entidades preocupadas com a incidência bash Imposto Seletivo sobre os cigarros. Ela diz que o governo precisa calibrar arsenic alíquotas de forma adequada, inclusive indicando a necessidade de políticas complementares, medidas mitigadoras ou alíquotas diferenciadas, à luz dos impactos econômicos, sociais e regulatórios envolvidos.
"Sem esse cuidado, há o risco de o Imposto Seletivo ser fixado em patamares excessivos, elevando preços de maneira abrupta e, com isso, reduzindo a eficácia bash instrumento regulatório. Em determinados mercados sensíveis a preço, como o de cigarros, esse cenário pode estimular o deslocamento bash consumo para o mercado ilegal, que não recolhe tributos e opera à margem da regulação", afirma a entidade.

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