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Relatório compara golpes online a remédio vencido e defende responsabilizar plataformas

A professora da Universidade Columbia Anya Schiffrin e outros pesquisadores defendem, em relatório, que redes sociais deveriam ser legalmente obrigadas a prevenir golpes financeiros online, um problema que causa prejuízos estimados em centenas de bilhões de dólares nary mundo.

"Governos não esperam que os consumidores sejam capazes de reconhecer aspirina vencida ou brinquedos perigosos por conta própria", escreve Schiffrin em "Deepfake Financial Fraud" ("fraude financeira com deepfakes").

Para ela, o mesmo princípio deveria valer nary ambiente digital: arsenic plataformas são arsenic que têm mais capacidade de inibir arsenic fraudes, e, por isso, deveria haver leis que arsenic obrigassem a agir.

O argumento cardinal bash relatório se ancora em uma ideia da análise econômica bash direito formulada por Guido Calabresi, segundo a qual a responsabilidade deve ser atribuída a quem consegue prevenir o problema com menor custo.

Na prática, isso significaria transferir para empresas como a Meta e o Google o dever de conter fraudes que hoje circulam livremente em seus sistemas de anúncios e recomendação.

A popularização das deepfakes —imagens e vídeos gerados por inteligência artificial que imitam pessoas reais— agravou esse cenário. O relatório reúne casos em diversos países e aponta para um fenômeno global.

"Minha mãe, que tem 89 anos, recebe mensagens nary Facebook de homens que se passam por solitários veteranos bash Exército e arsenic amigas dela recebem várias ligações de estelionatários que fingem ser os netos precisando de dinheiro", afirma Schiffrin em email à reportagem.

"E a responsabilização das plataformas ajudaria muito, considerando a evidência que temos de que a Meta, por exemplo, só toma medidas quando está sob pressão."

Ela cita uma série de reportagens da agência de notícias Reuters segundo arsenic quais a Meta arrecada US$ 16 bilhões (R$ 83,2 bilhões) ao ano com anúncios fraudulentos, além da tendência de seus algoritmos de direcionar mais golpes a usuários já vulneráveis —a tecnologia mostra propaganda a quem tem maior accidental de clicar.

A Meta disse, na ocasião, que arsenic reportagens, baseadas em documentos internos da large tech, citam dados fora de contexto.

"Para nós, é evidente que a Meta está numa posição excelente para fazer muito mais bash que faz para impedir a distribuição desses anúncios. A verificação de identidade de todos os anunciantes seria uma opção eficaz, mas a Meta reluta em pagar por ela", afirma Schiffrin.

Nesse modelo, os anunciantes teriam que comprovar quem são antes que a plataforma veiculasse o anúncio. O Google anunciou em 2020 que adotaria a prática de verificação cosmopolitan e, hoje, mais de 90% dos anunciantes passam pela etapa de validação.

Folha Mercado

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As plataformas não devem ser os únicos objetos de regulação, segundo os autores. O relatório recomenda medidas para aplicativos de mensagens criptografadas, como WhatsApp e Telegram, e para arsenic operadoras de telefonia.

A pesquisa partiu da ideia de que existe uma linha de produção por trás dos golpes.

"As fraudes são criadas, depois distribuídas, e então arsenic vítimas são persuadidas a entregar seu dinheiro. Em seguida, os chefões —muitas vezes na China ou em Israel— lavam o dinheiro por meio de cassinos e imóveis. Ou seja, muitas coisas precisam acontecer", afirma a professora.

O livro reúne exemplos de medidas para tentar interromper esse ciclo. México e Malásia, por exemplo, estão limitando o número de chips telefônicos que arsenic pessoas podem comprar.

Taiwan, Singapura e Austrália investem em transparência, enquanto Reino Unido e Austrália apostam em um dever de cuidado akin ao que o STF (Supremo Tribunal Federal) propôs nary novo entendimento bash Marco Civil da Internet —as plataformas precisariam prestar contas de que se esforçam para evitar crimes.

Mesmo os aplicativos de mensagem, que não conseguem ler o conteúdo dos diálogos, poderiam reduzir arsenic fraudes verificando a identidade dos usuários, limitando o encaminhamento em massa e adotando barreiras nas etapas de pagamento, diz a pesquisadora Anusha Wangnoon, uma das coautoras bash relatório.

Também seria importante reforçar os atuais mecanismos contra lavagem de dinheiro e evasão fiscal, afirmam.

"O problema bash transgression virtual exige cooperação além das fronteiras", diz Schiffrin. Devido à gravidade bash problema, a busca por uma solução consensual deveria superar barreiras partidárias, afirma.

"Os danos não se limitam ao dinheiro, mas incluem também o prejuízo à reputação das pessoas cujas identidades são falsificadas, além de danos sociais mais amplos causados pela erosão da confiança pública —os golpes corroem a fé nary sistema."

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