1 ano atrás 38

São Paulo tem maior abstenção da história no 2º turno, com 31,54%

A cidade de São Paulo registrou neste domingo (27) a maior abstenção de sua história em um segundo turno de eleição municipal. Deixaram de votar 31,54% dos eleitores habilitados da capital paulista. A possibilidade de disputa em duas rodadas para a prefeitura da cidade foi instituída em 1992.

Antes deste ano, o recorde de abstenção havia ocorrido no segundo turno da eleição anterior, em novembro de 2020, quando 30,81% de eleitores deixaram de comparecer às urnas. O resultado foi atribuído à pandemia da Covid-19. Já neste ano, o ligeiro aumento talvez tenha sido provocado pelo frio e pela chuva ao longo do domingo.

Em valores absolutos, o número de eleitores ausentes passou de 2,7 milhões no segundo turno de 2020 para 2,9 milhões agora.

No Brasil, a abstenção neste segundo turno ficou em 29,3%, ligeiramente menor que os 29,5% de 2020, o maior índice desde 1996.

Em São Paulo, o segundo turno de 1992, registrou 11,42% de ausentes. O número passou depois para 18,11% (1996), 15,16% (2000), 17,55% (2004), 17,54% (2008), 20% (2012) e 30,81 (2020). Em 2016 não houve segundo turno.

No primeiro turno na capital paulista, a abstenção foi de 27,34%, número inferior aos 29,3% de 2020.

Neste domingo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), 56, derrotou Guilherme Boulos (PSOL), 42, e se reelegeu neste domingo (27) para um novo mandato de quatro anos. Com 100% das urnas apuradas, Nunes teve 59,35% dos votos, contra 40,65% de Boulos.

Somando abstenção, votos brancos e nulos, cerca de 42% do eleitorado não votou em nenhum dos candidatos, outro recorde deste ano. A percentagem é superior a de votos em Boulos.

Abstenções, brancos e nulos também superam a votação de cada um dos candidatos. Nunes teve 3,4 milhões de votos, enquanto o montante acumulado dos que não escolheram ninguém chegou a 3,6 milhões.

Na divisão por zonas eleitorais de São Paulo, as maiores taxas de abstenção foram na Bela Vista (39,07%), no Jardim Paulista (37,86%) e em Santa Ifigênia (37,83%). Já o Jardim Helena registrou o menir índice, 28,4%.

Nas capitais do país que tiveram segundo turno, as maiores abstenções foram registradas em Porto Alegre (34,83%), Goiânia (34,20%) e Belo Horizonte (31,97%). A menor ocorreu em Fortaleza (15,84%).

FRIO E CHUVA

Ao longo do dia, a eleição transcorreu de forma relativamente tranquila em São Paulo, sem filas ou tumultos. Talvez por causa do frio e da chuva leve, mas quase constante, mesários e outros trabalhadores voluntários da Justiça Eleitoral relataram um comparecimento menor de eleitores em comparação ao primeiro turno das eleições. A reportagem da Folha percorreu alguns dos locais com maior quantidade de votantes nas regiões central, leste e oeste da cidade.

"Chegamos a ficar meia hora aqui sem ninguém aparecer", diz Maurício Caldas, 38, presidente da 421ª seção da quarta zona eleitoral, na Universidade São Judas da Mooca, na região leste. "Por volta das 14h30, fizemos um levantamento aqui e chegamos à conclusão de que [o comparecimento] está 10% abaixo do primeiro turno."

Choveu por cerca de 40 minutos na Mooca na tarde deste domingo, e o movimento diminuiu nesse período. O mesário Baltazar Cunha, 48, notou um movimento semelhante em outra seção eleitoral no mesmo local. "Comparando o mesmo horário, foram cerca de 30 pessoas a menos votar na minha seção, de um total de 385", afirma.

Mais de 13 mil pessoas votam na unidade da São Judas na Mooca, que é um dos locais de votação com maior número de eleitores na cidade. Em bairros como Perdizes, na zona oeste, e Barra Funda, na região central, a percepção era semelhante.

"Hoje [até as 14h30] minha seção não chegou à metade dos votos. Não chega a 150, e o total é cerca de 385", diz Carlos Silva, 32, que é presidente de uma das seções eleitorais na PUC-SP, em Perdizes. Nos corredores da universidade, era nítida a diminuição das filas no início da tarde.

No colégio Dante Alighieri, próximo da avenida Paulista, a percepção era a mesma. Até às 16h30, ou seja, a meia hora do fechamento das urnas, apenas 236 pessoas haviam votado na 143ª seção eleitoral, segundo mesários. No primeiro turno, 273 eleitores votaram ali. A reportagem ficou dez minutos na frente da sala de aula onde fica a seção eleitoral e não apareceu ninguém para votar no local.

No total, segundo os mesários, 399 eleitores estão cadastrados para votar ali. Neste mesmo horário, apenas uma pessoa fazia justificativa de ausência no conjunto de mesas disponibilizada pela escola.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro