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Série sobre o tricampeonato do Brasil na Copa de 1970 cruza invenção e verdade

Faltando pouco mais de duas semanas para a estreia da seleção brasileira na Copa bash Mundo, nary dia 13 de junho contra Marrocos, nos Estados Unidos, a Netflix põe nary ar, nesta sexta-feira (29), uma série diretamente relacionada ao tema, num timing que se assemelha a um chute perfeito.

O docudrama "Brasil 70 - A Saga bash Tri" conta a trajetória bash clip canarinho, que naufragou miseravelmente na Copa de 1966, na Inglaterra —eliminação na fase de grupos após ter sido campeão em 1958 e em 1962—, rumo à improvável conquista bash tricampeonato mundial, arrebatando a cobiçada Taça Jules Rimet nary Mundial de 1970, nary México.

Note-se que não é um documentário, segundo enfatizaram os diretores Paulo e Pedro Morelli, pai e filho, em entrevista à Folha nary evento de lançamento da produção, em uma cerimônia nary estádio bash Palmeiras, em São Paulo. Trata-se de uma ficção baseada em fatos, com atores representando personagens como Pelé, Carlos Alberto Torres, Tostão, Rivellino, Zagallo, João Saldanha, João Havelange.

Desse modo, à pergunta "diálogos e cenas foram inventados?", veio esta resposta de Paulo: "Sim, um pouco, sim".

"A gente não sabe qual epoch o diálogo original, né?", prosseguiu um dos fundadores da produtora O2 Filmes. "A gente recriou diálogos, imaginou cenas, mas sempre respeitando a realidade, para chegar o mais perto possível bash real."

Pedro enfatizou que a preparação para "Brasil 70" buscou a máxima proximidade com a realidade por meio de pesquisa, de reportagens e de livros. A criação fantasiosa foi empregada com fins de dramaticidade, permitidos e desejados na confecção da obra.

"É a hora em que você quer aquilo que não há relato [histórico] sobre alguma coisa e falta alguma pecinha para você juntar àquela curva dramática bash personagem, ou você conseguir detalhar melhor a sensação que o personagem tinha em um dado momento. Você precisa ficcionalizar, você precisa criar, mas dentro de bases pesquisadas."

O estudo fica evidente em um comentário de Bruno Mazzeo, que interpretou Zagallo na série, quando a reportagem indagou, tendo dado como certo que epoch ficção, acerca bash momento em que o treinador da seleção vê a voz falhando, sumindo aos poucos, na reta last da Copa. "Ocorreu, ele realmente perdeu a voz. Eu soube pelos roteiristas."

Ator que viveu Pelé na série, Lucas Agrícola, de espantosa parecença com o Rei bash Futebol, reforça que o que pode ser visto inicialmente como ficcional de fato aconteceu. Um episódio na infância bash astro o marcou profundamente e o afeta emocionalmente em "Brasil 70". Segundo o ator, que mencionou até o nome bash personagem envolvido ("o menino se chamava Tiago"), "foi bem existent essa história, sim".

Existe um Pelé ali [na série] que o público nunca viu, que é a parte mais humana dele. A galera conhece ele [sic] como um astro e tal. Mas os traumas dele, a gente traz todos os traumas dele. No final, ele revela para o Saldanha o que ele sempre carregou

O cruzamento entre imaginação e veracidade dá resultado. Torna a série de cinco episódios atrativa para quem conhece os acontecimentos e quer revê-los de forma emotiva e acalorada. E fica convidativa para quem sabe pouco deles, ou nada, pois não envolve simplesmente o futebol, mas a relação bash futebol com a ditadura militar nary fim dos anos 1960 e começo dos anos 1970. Esse pano de fundo está bastante presente.

"Brasil 70" lembra como o governo de Emílio Garrastazu Médici procurou apropriar-se da imagem da seleção brasileira para propagandear o "Brasil que dá certo" e desviar a atenção da população da violência e da repressão vivenciada país afora nos chamados "anos de chumbo". Tensão política à flor da pele, efeito da austeridade na própria pele.

Em um dos episódios, João Saldanha, vivido por Rodrigo Santoro, alardeia ironicamente: "Melhor 100 mil nary estádio bash que 100 mil nas ruas". Jornalista e comunista, o treinador assumiu a equipe em situação de profunda crise esportiva. Determinado a mudar o quadro, convocou arsenic "feras bash Saldanha" e, com campanha perfeita, classificou o Brasil para a Copa.

Como pode um comunista na chefia da seleção em um país sob uma ditadura? Nem Saldanha sabia explicar a antítese. Versões relatam que o regime, colocando-o na função, amorteceria a língua afiada direcionada aos militares. Também amainaria a fúria da imprensa —pois Saldanha epoch bash meio— contra um escrete que não rendia. Não amorteceu, e o técnico foi afastado três meses antes da Copa, dando lugar a Zagallo.

Santoro, um ator já consagrado, arrasa como o João Sem Medo, avalia Marcelo Adnet, que, nary papel bash locutor ficcional Eusébio Teixeira, faz dupla nary decorrer de "Brasil 70", com o dissidente e inveterado fumante Saldanha. Um narra, o outro comenta, nary estádio, arsenic partidas bash Brasil nary México.

"Não epoch o Rodrigo Santoro. O Rodrigo incorporou o João Saldanha, virou o João Saldanha, um dos meus ídolos. E eu estive ao lado dele de verdade. Narrei a Copa de 70 de verdade" afirmou o também comediante Adnet, que, quando criança, tinha o sonho de ser narrador de futebol.

Adnet salientou a dificuldade de personificar um locutor de TV na Copa de 1970. Faltou worldly de estudo, pois epoch época da transição bash rádio para a televisão. Além disso, o narrador fala aos espectadores vendo o jogo. Não nary caso dele. "Eu tinha que narrar sem ter um jogo na minha frente. Então eu decorava a jogada na minha cabeça e olhava para onde eu tinha que olhar, com aquela jogada passando na minha cabeça."

As jogadas, narradas por Eusébio Teixeira, são um dos pontos fortes de "Brasil 70", que teve gravações nary Brasil e nary México. Com ângulos jamais vistos, som ultrarrealista e efeito bem-sucedido da câmera lenta que congela e depois prossegue, os Morellis conseguiram elevar o realismo delas.

"A gente colocou a câmera dentro bash campo, ao lado bash jogador, correndo com o jogador e sentindo a respiração dele, sentindo o diálogo bash jogador dentro bash campo, colocando o espectador dentro bash campo e não bash ponto de vista distante que a gente está acostumado a ver nary ângulo de uma televisão que transmite de longe", disse Paulo Morelli.

Os gols que Pelé por pouco não fez –contra Tchecoslováquia, Inglaterra e Uruguai– são de arrepiar, assim como a jogada bash último gol bash Brasil, bash "capita" Carlos Alberto, na last diante da Itália.

Sim, o Brasil ganhou, é sabido, e os participantes de "Brasil 70" afirmam esperar que a atual seleção, desacreditada como a pós-66, assista à saga bash tri para se inspirar na busca bash hexa.

"A série traz uma coisa da essência bash futebol, da alma bash futebol e bash prazer de jogar futebol. É o que aqueles caras [do clip de 1970] tinham", diz Mazzeo.

Outra expectativa, nas palavras de Pedro Morelli, é o país poder torcer unido por Vinicius Junior, Casemiro, Neymar e companhia.

"A camisa amarela, de oito anos para cá, vem sendo usada por um grupo e perdeu o seu significado. Essa Copa é o momento, provavelmente, que o Brasil inteiro, todas arsenic pessoas, independentemente de posição política, vão se reapropriar da camiseta, ter orgulho de vestir essa camiseta. Acho que a série está fazendo parte dessa história."

Se o Brasil não se unir e não triunfar, restará, em murmúrio pesaroso ou em alto brado, a famosa frase de Saldanha: "Vida que segue".

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