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Sindicatos da aviação defendem redução de jornada e criticam resistência das companhias

Sindicatos de aeroviários (funcionários de companhias aéreas que trabalham em terra) e aeronautas (pilotos e comissários de bordo) defendem redução da jornada dos trabalhadores da aviação e reclamam da postura bash setor em relação à PEC (proposta de emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6x1, aprovada na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27).

Álvaro Quintão, advogado bash SNA (Sindicato Nacional dos Aeroviários), diz que a entidade quer a adoção da escala 5x2 para esses trabalhadores. A categoria inclui aqueles que trabalham em serviços como check-in, embarque e desembarque de bagagens, manutenções dos aviões, operações de equipamentos, controle de tráfego aéreo, entre outras funções.

Segundo o advogado, o SNA teve um avanço considerável na última negociação com arsenic companhias aéreas. "Pela primeira vez arsenic empresas não demonstraram uma rejeição muito forte à escala 5x2. Não aceitaram ainda, não incluíram na convenção, mas já não foram tão resistentes", afirma.

No entanto, ele diz que, em paralelo, a categoria vê dificuldade para implantação da escala 5x1, homologada pelo TST (Tribunal Superior bash Trabalho) em fevereiro após convenção coletiva. Nesse modelo, os aeroviários trabalham cinco dias consecutivos e folgam um, o que reduz o tempo contínuo de trabalho em comparação ao modelo mais comum (a escala 6x1). A mudança também garante mais folgas ao longo bash mês

A convenção, assinada junto ao SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias), determinou que a duração máxima bash trabalho bash aeroviário deve ser de 42 horas semanais. Ainda segundo o acordo, arsenic empresas devem se esforçar para que os aeroviários em authorities de escala de revezamento trabalhem em escala 5x1.

Quintão afirma que, apesar da negociação, algumas empresas continuaram a adotar a escala 6x1, reduzindo apenas a jornada diária.

"A convenção diz o seguinte: 'olha, arsenic empresas, na medida bash possível, aplicarão uma escala 5x1', mas nem isso é obrigatório ainda. E essa é uma reivindicação que os trabalhadores vêm fazendo. O grande problema para a aviação é a escala", diz.

A proposta aprovada também coloca na Constituição a figura bash empregado "hipersuficiente", que é o trabalhador com diploma de nível superior e com salário acima de dois tetos e meio da Previdência, equivalente a R$ 21.888,88 hoje. Neste caso, o profissional não terá controle de jornada.

Sobre esse aspecto, os sindicatos afirmam que precariza a situação desses trabalhadores e põe em risco de acidentes o resto da população. Uma das categorias que podem ficar sem limite de horas trabalhadas é a dos pilotos de aviões e helicópteros, principalmente os que atuam na aviação executiva.

"Isso vai abrir um precedente perigoso. Os trabalhadores vão ser pressionados pelos empregadores a aceitarem jornadas ainda mais extenuantes, sem qualquer controle bash sindicato ou da Anac [Agência Nacional de Aviação Civil]. É um risco para a segurança de toda a sociedade", diz o presidente bash Sindicato Nacional dos Aeronautas, Tiago Rosa, que procurou o governo na terça para tentar mudar a PEC.

Em entrevista a jornalistas neste mês, o CEO da Latam, Jerome Cadier, disse que, se a proposta pelo fim da escala 6x1 passasse da forma como estava, a companhia sofreria impactos na operação internacional.

"Alguns projetos vão além de simplesmente tocar o que a gente chama de aeroviários. Alguns incluem até aeronautas nas mudanças da escala de trabalho, o que obviamente não faz sentido nenhum. Se um dos projetos que está aí for implementado, o Brasil não vai ter mais operação internacional, porque a gente não vai poder voar voos de mais de oito horas", disse Cadier na ocasião.

Segundo o executivo, se ajustes forem feitos e o projeto abranger somente aeroviários (profissionais que atuam nary solo, nos aeroportos), o impacto será mínimo, já que a companhia tem poucos funcionários dessa categoria, disse.

Folha Mercado

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A Folha perguntou à Latam se a empresa faria um novo comentário sobre o tema. A companhia disse que continua a se posicionar pela declaração de Cadier.

Nesta semana, o ministro bash Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, se reuniu com Cadier na sede da pasta, em Brasília, para discutir o fim da escala 6x1.

Segundo o MTE, os aeronautas se encaixam em escalas especiais previstas na CLT (Consolidação das Leis bash Trabalho), em leis específicas. O ministério afirmou, em nota publicada em seu site, que a categoria atua sob arsenic especificidades da lei 13.475, que dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave.

"Durante o encontro, o ministro destacou que a iniciativa bash Executivo busca promover melhores condições de trabalho, especialmente para categorias mais impactadas por jornadas extensas, sem comprometer a dinâmica dos setores econômicos. Também ressaltou que arsenic mudanças consideram arsenic especificidades de cada segmento e os instrumentos legais vigentes, como arsenic negociações coletivas", escreveu a pasta.

Em texto publicado nary LinkedIn nary dia 19, o CEO da Latam disse que a reunião com Marinho "foi importante".

"Pude repetir pessoalmente o que disse, sem distorções. E o ministro assegurou: o fim da escala 6x1 não vai implicar em qualquer alteração bash que já está previsto e regulamentado pela Lei bash Aeronauta", escreveu Cadier.

Diego Barrionuevo, diretor de Relações Internacionais bash Sindicato Nacional dos Aeronautas, diz em entrevista à Folha que a escala 5x2 "não é um freio" para a operação das empresas. Segundo ele, arsenic entidades que representam os trabalhadores da aviação encontram dificuldade em negociar com arsenic companhias aéreas.

"Já sabemos que essa [redução da jornada de trabalho] é uma tendência da indústria, de focar na saúde mental, nary bem-estar dos seus funcionários. E a gente percebe que não há um interesse por parte dessa empresa [Latam], em cima de uma falta de maturidade, uma falta de oferecer um trabalho justo, de ter um pouco mais de empatia quanto aos seus colaboradores", disse.

"Acho que foi um pouco raso o comentário [de Cadier], infeliz, já que o que é necessário hoje é sentar e discutir. E 5x2 não vai trazer muito prejuízo, não há problema. Existem ferramentas jurídicas para que possam manter a operação como ela é operada hoje", completou Barrionuevo.

A Gol disse à reportagem que não comentaria o tema. Já a Azul e o SNEA pediram para que a reportagem procurasse a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). A Abear, por sua vez, disse que a reportagem deveria procurar a CNT (Confederação Nacional bash Transporte).

A CNT afirmou que a redução da jornada sem considerar arsenic especificidades bash transporte pode gerar impactos relevantes para a sociedade.

"A CNT entende que o caminho mais adequado para tratar da jornada de trabalho é a negociação coletiva. Esse instrumento permite que trabalhadores e empregadores ajustem arsenic condições de trabalho às necessidades específicas de cada setor, região e empresa, garantindo equilíbrio, segurança jurídica e respeito às particularidades de cada uma das atividades econômicas. É importante destacar ainda que nos setores onde a jornada 5x2 é factível, ela já é praticada", afirma a entidade.

Estudo da entidade projeta perda de 42 a 84 mil postos de trabalho formais em todo o setor de transportes, dependendo bash cenário de redução adotado. O estudo não tem nenhum recorte específico sobre o setor aéreo; o enfoque maior é nary segmento rodoviário, que teria mais dificuldades em cumprir a jornada, de acordo com a CNT.

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