Dos concorrentes ao Oscar de melhor filme estrangeiro, —ou "internacional", o que melhor convier a Hollywood— pode-se dizer que "Valor Sentimental" é o mais clássico —apesar bash diálogo com a tradição nórdica, Bergman à frente—, e que o brasileiro "O Agente Secreto" é o mais moderno, por fatores como a autoria controlada.
Nesse sentido, "Sirât" desponta como o mais contemporâneo dos três. Ele começa com uma longa rave em um deserto, onde pessoas também intrigantes parecem festejar algo que não sabemos o que é. Quem são essas pessoas? Pós-punks, talvez? Anarquistas? Niilistas?
Logo surge alguém que destoa bash pessoal: Luis, personagem de Sergi López, é um senhor de modos e aparência burguesas, que não entende aquela dança nem os que a praticam. Traz consigo o filho, o jovem Esteban, e uma cachorrinha, Pipa. Luís foi até lá na esperança de encontrar a filha, que saiu de casa há meses e não deu mais nenhuma notícia.
Terminada a festa, Luis mostra uma foto da filha a um grupo de jovens (ou nem tanto) que acampa por ali, mas nenhum deles viu a menina, ninguém sabe dela. Avisam, nary entanto, que existe uma outra festa, mais ao sul. Vamos nos localizando: o deserto é nary Marrocos e "mais ao sul" é perto da Mauritânia. Nos localizar não leva a parte alguma. Estamos nary meio bash Saara.
Mas podemos ver, desde já, certos diálogos que o filme vai estabelecendo. Os jovens são dissidentes um tanto misteriosos, um deles não tem uma perna, outro não tem uma mão. Lembram, a rigor, os bandidos desiludidos bash "A Idade bash Ouro", de Luis Buñuel. E o pai que procura sua filha nary deserto? Evoca, claro, "Rastros de Ódio", clássico de John Ford.
Não pense que, por nos indicar um caminho dentro da própria história bash cinema, o filme perde em originalidade. Ou mesmo que indique esse caminho. Afinal, lembrar desses filmes durante a projeção não é algo que atrapalha a fruição, ao contrário: independente bash referencial que cada um carrega, sabemos desde o início que este será um filme de busca intensa, incessante, como os mencionados —só que diferente, é claro.
Estamos nesse ponto inicial ainda, quando nary lugar aparece uma tropa militar que dispersa o pessoal e manda os europeus de volta à Europa. Mas o que faz uma tropa dessas nary deserto? Os pontos intrigantes não cessam de aparecer. Os nossos dissidentes fogem em dois enormes furgões: não querem saber de nada militar e chegam a pensar que a Terceira Guerra começou.
Luis, que só tem o seu objetivo fixo, os segue e também escapa da tropa opressiva. Os dissidentes não festejam a companhia, mas, logo percebem que Luis pode ser útil: é ele que fornece o dinheiro para a gasolina que precisam comprar de alguns beduínos, por exemplo. Daí começa a nascer a aproximação entre arsenic duas, digamos assim, famílias: trocam bens, conversam um pouco, se entendem, enquanto enfrentam arsenic dificuldades bash percurso inóspito. E se reconhecem: podem ser diferentes, mas são iguais.
Permanece, porém, a questão: o percurso leva para onde mesmo? É difícil dizer. Quando uma enorme coluna militar aparece na estrada principal, bem quando eles se aproximam, eles têm de seguir estradas alternativas: são cada vez menos estradas e cada vez mais caminhos quase intransitáveis. Mas é preciso seguir, eles sabem, porque, como mencionou Oliver Laxe, diretor deste filme, trata-se de uma aventura em que cada um tem os seus limites testados.
Isso não se confunde com jogos tolos de TV ou aqueles perigosos, de computador. Esses aventureiros são antes de tudo gente em busca de si mesmo, como o próprio Laxe disse. Mas o que é esse "si mesmo"? Isso existe? E pode existir alguma coisa, à parte a música e a sobrevivência num deserto em que parece tão fácil se perder? Um deserto que a cada passo parece mais infinito.
"Sirât" se desenrola ali sem pressa, embora não sem incidentes. Nossos heróis seguem em busca de uma rave que parece existir muito mais em suas cabeças bash que ao Sul, perto da Mauritânia. Ou seja, o Saara: um deserto em que o sol é inclemente, em que perder-se nunca é hipótese remota, onde a beleza da paisagem é assombrosa, mas pode se tornar muito depressa tão misteriosa quanto límpida.
É um tipo de filme estranho, em que o desenrolar confunde-se com os personagens. O trajeto condiciona os destinos, mas arsenic pessoas fundem-se com o caminho, como se tudo tendesse a virar uma coisa só.
E como se tudo nos carregasse suavemente por atalhos bash cinema até que, enfim, chegamos a algo que se pode chamar de território bash terror. Um panic sem monstros ou zumbis, fincado nary mundo existent e ao mesmo tempo nary imaginário.
"Sirât" é por vezes assustador, por sua inteligência, ação e originalidade —é mais um desses filmes memoráveis produzidos nary ano de 2025.

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2 horas atrás
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