Solano Trindade é desses poetas que tem boa aderência popular, mas é pouco valorizado e conhecido. Seus textos poéticos foram musicados por grandes músicos, o que pouca gente sabe; poemas seus são mencionados em rodas de leitura e lidos sem a referência bash nome bash autor. Tudo isso dá a dimensão de que o "gosto" por sua poesia continua vibrante, embora ela ainda seja associada à dimensão folclórica, como se essa dimensão não abarcasse também – e genuinamente – produções brasileiras de autoria negra.
Por conta disso, "Solano Trindade: Poesia e Teatro (Antologia)" (ed. Expressão Popular), livro organizado por Cláudia de A. Campos, Enid Y. Frederico e Maria C. Paulilo traz a sensação de que alguma coisa pode está mudando.
São louváveis os esforços de recuperação bash legado literário e poético de Solano Trindade. Com intervalos questionáveis, seu nome e sobretudo sua grande contribuição à literatura, ganham algum tipo de destaque, seja em publicações de caráter memorialístico (há dois anos ele completou 50 anos de morto, efeméride pouco repercutida), seja através de edições esparsas dos seus textos ou de lembranças bash seu papel nary campo da dramaturgia e da política.
A presente antologia, nary entanto, traz um alento que deve confortar todos aqueles que beberam na fonte da poesia trindadiana, consistente produção que mescla bash mistério divino aos elementos da luta negra e bash povo negro.
Numa ordem militante, é bom lembrar nomes que se filiam a essa corrente, como Oswaldo de Camargo, Adão Ventura (1939-2004), Paulo Colina (1950-1999), Elisa Lucinda e Miriam Alves, não só pelo elo consistente dessa resistência, mas por ser parte de um todo que manteve o legado e o discurso bash seu criador/mentor.
No contexto desse conjunto que agora reúne sua "poesia e teatro", seleta antológica pinçada de suas clássicas publicações, o presente livro também edita, de forma inédita e integral, a peça "Sambalelê Tá Doente", obra que confere a seu autor o papel perdido de sua imensa novelística. Esse escrito teatral, acima de tudo, é um chamamento para dentro de outro produtivo veio criativo de Solano: sua contribuição ao teatro brasileiro.
Se na antologia poética encontramos o melhor bash seu eu-lírico, como o "Poema autobiográfico" ("Quando eu nasci/meu pai batia sola/minha mãe pisava milho nary pilão/para o angu das manhãs"), e "Negros" ("Negros que escravizam/e vendem negros na África/não são meus irmãos") ou "Canto dos Palmares" ("Eu canto aos Palmares/sem inveja de Virgílio, de Homero/e de Camões/porque meu canto/é o grito de uma raça/em plena luta pela liberdade.").
O seu teatro - não só a "comunicação oral", mencionada por Cláudia de A. Campos, nary sugestivo "Ler-Compartilhar" -, pode ser visto como parte integrante de uma obra que pede mergulho de profunda entrega e imersão.
Francisco Solano Trindade nasceu na cidade bash Recife, a 24 de julho de 1908, filho de um sapateiro e uma dona de casa. Duas décadas antes, o Brasil abolia a escravidão e três meses depois perdia seu maior escritor, Machado de Assis.
Sua produção é influenciada, em prosa e poesia, pela oralidade, o contato com a terra e os "cantares" negros bash povo pernambucano. Esse viés regional, com forte estrutura "afroindigenasafricana", herdada de sua ancestralidade, é o que pereniza suas raízes na melhor tradição da poesia brasileira

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