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'Sou o primeiro a topar' discussão de imposto sobre ultrarricos no G7, diz Durigan em Paris

Na manhã desta segunda-feira (18), em um evento com acadêmicos e políticos franceses, ele defendeu o avanço da agenda sobre justiça fiscal e a adoção de um imposto mínimo sobre os ultrarricos, a exemplo da reforma fiscal aprovada no Brasil em 2025.

Em paralelo à agenda oficial dos ministros e presidentes de Bancos Centrais, um colóquio promovido pela influente revista Le Grand Continent trouxe o assunto à mesa, com a participação de Durigan e do economista Gabriel Zucman, diretor do Observatório Fiscal Internacional.

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Zucman é autor de uma proposta de imposto mínimo global de 2% sobre a fortuna dos bilionários com patrimônio superior a US$ 100 milhões. Ele tem colaborado com o Ministério da Fazenda desde a presidência brasileira do G20, em 2024.

"Eu sou muito disposto a levar esse debate porque é um debate do nosso tempo, como o debate da jornada de trabalho no Brasil também foi. O debate da taxação dos super-ricos deve ser levado”, disse Durigan, ao final do evento. "O poder de agenda vem muito da presidência do G7. (…) Agora, se tiver espaço para discutir justiça tributária, eu sou o primeiro a topar”, acrescentou.

Apesar da resistência de alguns países, liderados pelos Estados Unidos, o assunto foi, pela primeira vez, levado ao âmbito do G20 durante a cúpula do Rio de Janeiro.

O caso do Brasil, que conseguiu aprovar um imposto mínimo progressivo de até 10% sobre grandes fortunas, é visto como um exemplo para o avanço da discussão em nível global. A estimativa da Fazenda é que a mudança atingirá 142 mil pessoas no país.

No mundo, os avanços são tímidos — inclusive na França, considerada na vanguarda desse debate.

Um projeto de lei semelhante, que previa um imposto de 2% ao ano sobre patrimônios superiores a € 100 milhões, foi rejeitado pelo Senado francês no ano passado. A medida afetaria cerca de 1,8 mil pessoas físicas, segundo cálculos de Zucman.

Outros países europeus, como Espanha, Reino Unido, Holanda e Bélgica, também analisam aumentar a tributação dos ultra-ricos, assim como o estado americano da Califórnia, governado pelo democrata Gavin Newsom, opositor do presidente Donald Trump.

Foco na guerra no Irã e minerais críticos

Entretanto, em um contexto de multilateralismo fragilizado, guerras e tensões entre os Estados Unidos e seus aliados europeus, a presidência francesa do G7 prefere dar enfoque a outros temas mais consensuais, como a emergência de desbloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% dos hidrocarbonetos exportados para o resto do mundo.

"Tem sido muito importante ouvir os ministros de outros países, as lideranças de outros países que estão sentindo o impacto da guerra de uma outra perspectiva. Quando a gente conversa com os países do Golfo, que estão convidados para um almoço amanhã no G7, e eles contam a perspectiva local de como está o desenvolvimento da guerra na região, isso contribui muito”, disse Durigan, que defendeu "subsídios limitados" aos combustíveis para limitar os efeitos da crise no Oriente Médio sobre os preços da energia.

Para o Brasil, os outros dois tópicos que concentram as atenções em Paris são a atração de investimentos estrangeiros para o país e o acesso a minerais críticos.

"Um fórum como o G7 permite fazer esse debate e mostrar como a gente tem melhorado a situação econômica no Brasil, do ponto de vista macro, com os números todos que a gente tem apresentado)”, ressaltou o ministro da Fazenda.

"É fundamental dar segurança jurídica, por isso um novo marco que garanta procedimentos céleres e seguros, evitando judicialização, com grande pactuação com o setor”, argumentou. "Há um interesse grande nessa área.”

Nesta terça-feira (19), antes de retornar a Brasília, o ministro terá um encontro com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), cuja sede fica em Paris.

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