O Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), conhecido como Talibã do Paquistão, é um grupo extremista que mantém uma insurgência armada contra o Estado do Paquistão desde 2007. A organização afirma querer derrubar o governo e implantar um regime rígido baseado na sharia, a lei islâmica.
O TTP é formalmente separado do Talibã que governa o Afeganistão, mas os dois grupos mantêm laços históricos, estratégicos e doutrinários.
O governo paquistanês sustenta que os chefes do TTP e grande parte de seus integrantes atuam a partir do Afeganistão. Islamabad também acusa o país vizinho de servir de abrigo para separatistas no sudoeste do Paquistão.
O grupo paquistanês ganhou notoriedade internacional após reivindicar o atentado contra a estudante Malala Yousafzai, baleada em 2012 por defender o direito de meninas à educação. Ela sobreviveu e se tornou símbolo global da luta por acesso à escola.

Paquistão bombardeia Cabul após declarar 'guerra aberta' contra o Afeganistão
Durante a guerra contra forças lideradas pelos Estados Unidos, combatentes paquistaneses atuaram ao lado dos insurgentes afegãos. Hoje, Islamabad acusa o governo vizinho de permitir que lideranças do TTP se abriguem em seu território e organizem ataques próximos das fronteiras — acusações que Cabul nega.
Pessoas com bandeiras do Talibã na fronteira do Afeganistão com o Paquistão — Foto: Saeed Ali Achakzai/Reuters
Aliados históricos em confronto
O Paquistão tem sido o aliado mais próximo do Talibã afegão por décadas e ajudou a dar origem ao regime no início dos anos 1990 – como forma de conferir ao país "profundidade estratégica" em sua rivalidade com a Índia.
No entanto, desde que o Talibã retomou o poder em 2021 – volta que foi saudada pelo então primeiro-ministro paquistanês –, os dois países vêm enfrentando questões.
A aproximação diplomática do Afeganistão com o governo indiano, que começou com o envio de ajuda humanitária ao país a partir de 2022 e culminou com um encontro e anúncio de parcerias em outubro de 2025, não é vista com bons olhos pelo Paquistão.
Soldados talibãs sentam-se ao lado de uma arma antiaérea enquanto vigiam os caças paquistaneses, na província de Khost, Afeganistão, em 27 de fevereiro de 2026 — Foto: Reuters
Refúgio para terroristas?
Nos últimos meses, o grupo intensificou os ataques realizados. No começo deste mês, 31 pessoas morreram e outras 130 ficaram feridas em um atentado suicida a uma mesquita xiita em Islamabad.
Em novembro, após três anos sem ataques à capital, outro homem-bomba deixou 12 mortos e 27 feridos em frente a um tribunal.

Ataque suicida em mesquita do Paquistão deixa mortos e feridos
O Paquistão afirma que a liderança do grupo militante TTP e muitos de seus combatentes estão baseados no Afeganistão, e que insurgentes armados que buscam a independência da província de Baluchistão , no sudoeste do Paquistão, também usam o país como refúgio.
Cabul nega e, por sua vez, acusa o país vizinho de abrigar combatentes de seu inimigo, o Estado Islâmico, o que Islamabad nega.
Além dos atentados realizados contra o Estado paquistanês, o TTP lutou ao lado do regime afegão contra as forças lideradas pelos EUA no Afeganistão.
Escalada recente de violência
Autoridades paquistanesas dizem que a atividade do TTP aumentou desde a volta do Talibã ao poder, em 2021. O país enfrenta uma nova onda de atentados, especialmente em regiões próximas à fronteira.
Entre os ataques recentes estão uma explosão em uma mesquita em Islamabad, que deixou dezenas de mortos, e uma emboscada contra veículos policiais no distrito de Bajaur.
Como a violência escalou?
- No fim de semana, o Paquistão fez bombardeios contra acampamentos de militantes do TTP e do Estado Islâmico no Afeganistão.
- O Talibã, grupo que governa o Afeganistão, afirmou que daria uma “resposta apropriada e proporcional” aos ataques.
- A operação afegã para retaliar os bombardeios foi feita nesta quinta-feira (26).
Analistas apontam que o avanço do grupo reforça um cenário já delicado, em que militância armada, disputas fronteiriças e fragilidade econômica se combinam, tornando mais difícil qualquer tentativa de pacificação duradoura.

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