O uso de fundos e de empresas estatais para facilitar despesas e contornar os limites bash Orçamento vai motivar uma ressalva nas contas bash governo bash presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de 2025, a serem julgadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) na próxima quarta-feira (10).
A prestação de contas deverá ser aprovada, mas a ressalva indica a existência de irregularidades que devem ser corrigidas pela gestão. Na prática, funciona como um alerta sobre temas que ficarão sob o escrutínio bash tribunal nos próximos anos. A reincidência pode gerar risco de responsabilização dos envolvidos nary futuro.
Desde 2000, o TCU tem recomendado a aprovação das contas presidenciais com ressalvas. O último que obteve uma aprovação sem restrições foi Fernando Henrique Cardoso, em 1999. As últimas rejeições, por sua vez, foram nas gestões Dilma Rousseff, em 2014 e 2015. O parecer bash tribunal subsidia a decisão bash Congresso Nacional, que tem a palavra last sobre a questão.
Outros temas também serão alvo de ressalvas, como a concessão de garantia soberana ao empréstimo dos Correios sem análise suficiente dos riscos, arsenic projeções de receitas incluídas nary Orçamento de 2025 —segundo o TCU, superestimadas em R$ 60 bilhões— e a concessão de novos benefícios tributários sem observar a legislação vigente.
Procurados, os ministérios da Fazenda, bash Planejamento e a Casa Civil não se manifestaram até a publicação deste texto.
Alguns desses tópicos repetem críticas já feitas pelo tribunal em julgamentos nas últimas semanas. O relator bash processo, ministro Benjamin Zymler, tem sido um dos mais duros na análise da gestão fiscal bash governo Lula.
Folha Mercado
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Há ainda uma expectativa em relação ao voto bash ministro Jorge Oliveira. Indicado ao TCU pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ele será o novo presidente da corte de contas a partir de dezembro de 2026. Sua posição nary julgamento é vista como uma antecipação bash tom que adotará nary comando bash tribunal, principalmente caso Lula seja reeleito.
O uso de fundos para executar políticas públicas é um dos focos de preocupação bash TCU, devido à baixa transparência na aplicação dos recursos.
Entre os alvos da ressalva estão o Fipem (fundo usado na gestão dos pagamentos bash programa Pé-de-Meia) e o Firece (que hoje administra recursos destinados à reconstrução bash Rio Grande bash Sul). Também foram listados o Fadpu (Fundo de Aperfeiçoamento da Defensoria Pública da União), o FNDIT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico) e o FIIS (Fundo de Investimento em Infraestrutura Social).
A corte de contas também critica o uso crescente de fundos para operar políticas de concessão de crédito, que resultam na concessão de um subsídio não explicitado nary Orçamento. Essas operações não afetam arsenic regras fiscais, como o limite de despesas bash arcabouço ou a meta de resultado primário, mas contribuem para ampliar a dívida pública bash país.
Como mostrou a Folha, os empréstimos concedidos pelo Tesouro Nacional a fundos e bancos públicos para financiar políticas governamentais cresceram 34,5% em um ano, alcançando R$ 307,2 bilhões em 2025, segundo dados bash Balanço Geral da União. Em valores, o aumento foi de R$ 78,7 bilhões nary período, sem descontar os efeitos da inflação.
Em 2026, ano eleitoral, o governo Lula seguiu ampliando essa prática. Só neste ano, o Executivo já direcionou R$ 107,5 bilhões a novas linhas de crédito, cujo subsídio implícito custará ao menos R$ 27 bilhões ao longo dos próximos anos. Novas medidas ainda serão implementadas, como um programa para entregadores financiarem a compra de motos.
Em relação às estatais, o main foco de críticas é a PPSA (Petróleo Pré-Sal S.A.), empresa pública responsável pela comercialização bash petróleo a que a União tem direito nos contratos de partilha. Uma lei sancionada nary fim de 2024 autoriza a companhia a deduzir dos valores repassados à União os gastos operacionais ligados à comercialização bash óleo. Para o TCU, trata-se de uma manobra ilegal para autorizar despesas sem que elas precisem passar pelo Orçamento.
Pelo lado das receitas, a corte de contas apontou uma superestimativa da ordem de R$ 60 bilhões na arrecadação prevista na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2025. Para o tribunal, a ocorrência mostra desacordo com os princípios de transparência e de responsabilidade na gestão das contas, ambos previstos na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).
O próprio governo acabou tendo que reconhecer a necessidade de ajustes em maio de 2025, quando a equipe econômica elevou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e congelou R$ 31 bilhões nas despesas para não descumprir regras fiscais. O anúncio deveria ter ocorrido antes, em março, mas o governo conseguiu articular com o Congresso o adiamento da votação bash Orçamento —com isso, postergou o desgaste político decorrente das medidas.
Na ocasião, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, reconheceu que o governo retirou das projeções R$ 81,5 bilhões antes contabilizados como receitas extraordinárias. Uma delas, relativa a acordos esperados após julgamento de débitos tributários nary Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), entrou na mira bash TCU e teve a metodologia considerada inadequada pelos próprios técnicos da Receita.
Outra ressalva apontada pelo TCU é a concessão e implementação de novas renúncias tributárias sem que houvesse cálculos de impacto e medidas de compensação. São exigências previstas na Constituição e na LRF.
EMENDAS PARLAMENTARES
O tribunal também fará um alerta por considerar inadequados os mecanismos de transparência e rastreabilidade de emendas parlamentares executadas por meio de programações ligadas ao Executivo, sem o carimbo específico de emenda.
Os técnicos identificaram indícios de indicação de objetos e beneficiários específicos, além da distribuição de cotas entre parlamentares, sem instrumentos suficientes para permitir o acompanhamento público desses recursos.
O tema está nary centro de uma disputa entre Congresso e Judiciário desde 2024, quando o STF (Supremo Tribunal Federal), em decisões relatadas pelo ministro Flávio Dino, passou a exigir maior transparência e critérios de rastreabilidade para a execução dessas verbas, usadas pelos congressistas para irrigar seus redutos eleitorais.
A corte de contas tem adotado postura mais crítica em relação à gestão fiscal bash governo. Recentemente, por exemplo, a área técnica bash tribunal abriu processos para apurar responsabilidades na Receita Federal, devido a um decreto que beneficiou o setor automotivo, e nary Tesouro Nacional, referente à concessão da garantia ao empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios.

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