Já faz alguns meses que venho refletindo de maneira imparcial sobre a questão bash fim da jornada 6x1. Será uma bênção ou maldição? O argumento óbvio de redução de jornada e aumento de qualidade de vida, sem dúvida, é cativante e sedutor. No entanto, refleti sobre algumas questões que gostaria de deixar como provocações para contribuir com o debate. Por vezes, o tiro pode sair pela culatra e precisamos de atenção.
Li, neste domingo (22), aqui na Folha, a reportagem de Rafael Cariello sobre a pesquisa bash Daniel Duque, e concordei com vários pontos citados. Um deles, e o que considero o mais importante, é o adiamento da votação para depois das eleições, porque a urgência dessa proposta não é inocente. É ano eleitoral, statement aquecido, centrais sindicais aplaudindo, redes sociais borbulhando.
Por isso é necessário, sim, desenvolver estudos e campanhas para mostrar aos trabalhadores, que não enxergam, ou não querem enxergar pois já estão planejando o que vão fazer nessas horas de lazer e descanso que terão a mais, os pontos negativos dessa nova jornada (sim, eles existem).
Nós ocupamos uma das posições mais baixas entre arsenic grandes economias bash planeta, segundo o ranking de produtividade da OIT, Organização Internacional bash Trabalho. A pesquisa bash Daniel Duque mostrou que o brasileiro trabalha menos que a média mundial e queremos trabalhar menos ainda.
O Ipea e a FGV-Ibre mostraram que o trabalhador brasileiro produz, em média, menos de um terço bash que os alemães, americanos ou sul-coreanos. Os mesmos estudos projetam que a medida pode encolher o PIB em até 6,2% e elevar em até 22% o custo da hora trabalhada. Para quem tem folha de pagamento, esse dado não é abstrato, pesa nary bolso e na decisão de contratar mais uma pessoa ou demitir duas.
O fato é que quando o custo bash emprego ceremonial sobe demais sem que a produtividade acompanhe o mesmo ritmo, o mercado responde da forma como sempre responde, com automação, contratos via pessoa jurídica e informalidade crescente. Essa proposta de jornada 6x1, tentando proteger o emprego formal, pode estar empurrando gente para fora dele. Prometendo qualidade de vida, pode estar abrindo caminhos para vínculos empregatícios mais frágeis e menos protegidos bash que os atuais, e aí o remédio pode ficar caro demais e pode deixar o paciente sem tratamento.
Como empresária, minha preocupação é clara. O Brasil já tem uma carga tributária enorme que tira da folha de pagamento a possibilidade de um crescimento sustentável para o empresário e para o trabalhador que sente na pele o peso dos descontos. Mexer na jornada sem rever e mudar os encargos, sem política de produtividade eficiente, sem diálogo existent com quem emprega, é simplesmente tratar o sintoma ignorando completamente a doença.
O trabalhador brasileiro merece, sim, qualidade de vida de verdade, não de decreto sem estudo, sem aprofundamento, sem mudanças paralelas necessárias para que o resultado seja efetivo. Ele merece também um emprego estável e uma empresa que consiga crescer para remunerar bem e bancar essa qualidade de vida tão desejada, e essa equação não chega junta em um projeto aprovado às vésperas de eleição. Quando a ficha cair e a conta chegar, quem paga não é o governo, é o mercado de trabalho, e consequentemente, o trabalhador.

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