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Trump diz estar disposto a sacrificar a Otan para conseguir a Groenlândia e que 'não precisa' do direito internacional

A fala de Trump é mais um capítulo da sua investida para controlar a ilha do Ártico, que pertence à Dinamarca, e escala ainda mais as tensões com a Europa. O presidente norte-americano quer adquirir a Groenlândia "porque é isso que eu sinto ser psicologicamente necessário para o sucesso", disse ao "New York Times".

A Europa, inclusive, está preparando um plano de ação para caso Trump materialize suas ameaças de tomar a Groenlândia. Ainda não se sabe detalhes do plano, além de que ele inclui a França e a Alemanha —faz sentido que a Dinamarca, por ser responsável pela ilha, esteja envolvida.

Trump também afirmou ao jornal norte-americano acreditar que seus poderes como presidente dos EUA "se limitam apenas à sua própria moralidade" e que ele "não precisa" do direito internacional.

Questionado pelos repórteres se ele acreditava haver algum freio para seus poderes em escala global, ele respondeu: "Sim, há uma coisa. Minha própria moralidade. Minha própria mente. É a única coisa que pode me deter". "Não preciso do direito internacional (...) Não estou querendo prejudicar ninguém", completou o presidente dos EUA, segundo o NYT.

Trump quer comprar Groenlândia, diz Casa Branca

Donald Trump Jr. chegou há poucos dias a Nuuk, na Groenlândia — Foto: Emil Stach/Ritzau Scanpix/via REUTERS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera fazer uma oferta para comprar a Groenlândia, informou a Casa Branca nesta quarta-feira (7). A iniciativa ocorre apesar de a população da ilha afirmar que o território não está à venda.

Após pedido da Dinamarca, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que vai se reunir na próxima semana com representantes do país.

“Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Vamos participar. Pedimos uma reunião”, afirmou a ministra Vivian Motzfeldt à TV pública local.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump discute “ativamente” com a equipe a possibilidade de compra da Groenlândia, que tem área aproximada à do Alasca, maior estado americano.

Segundo ela, o presidente avalia que a medida serviria para conter a influência da Rússia e da China no Ártico. Leavitt afirmou que a opção preferencial de Trump é a diplomacia, mas não descartou o uso da força.

O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, disse não ter conhecimento de planos de envio de tropas à Groenlândia. Segundo ele, não há discussões sobre ação militar, e o foco estaria em canais diplomáticos.

Johnson afirmou, no entanto, que não foi informado previamente sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Desde então, Trump fez ameaças de intervenção em Cuba, Groenlândia, Irã, México e Colômbia.

Foco em 'verdadeiras ameaças'

O senador republicano Thom Tillis criticou as declarações do presidente, em nota conjunta com a democrata Jeanne Shaheen, principal representante do partido no Comitê de Relações Exteriores do Senado.

"Quando Dinamarca e Groenlândia deixam claro que a ilha não está à venda, os Estados Unidos devem cumprir suas obrigações e respeitar a soberania e integridade territorial do reino da Dinamarca", declararam os políticos.

"Devemos nos manter focados nas verdadeiras ameaças e trabalhar com nossos aliados, não contra eles, para fortalecer nossa segurança compartilhada."

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reforçou que a ilha não está à venda e que somente os seus 57 mil habitantes podem decidir o futuro do território. A Groenlândia tem status semiautônomo, mas permanece sob soberania da Dinamarca.

Na segunda-feira (7), a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que um ataque militar de um país da Otan contra outro colocaria em risco a aliança e o sistema de segurança criado após a Segunda Guerra Mundial.

A Dinamarca é membro fundador da Otan e aliada histórica dos Estados Unidos. O país participou do envio de tropas para apoiar a invasão americana ao Iraque, em 2003.

Trump, por sua vez, tem feito críticas à Otan. O presidente afirmou que a aliança beneficia países menores às custas da segurança americana.

"Sempre estaremos ao lado da Otan, embora eles não estejam ao nosso lado", publicou o presidente na rede Truth Social.

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