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Trump diz que Groenlândia é 'vital' para construção de seu Domo de Ouro e pressiona Otan

"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer! Militarmente, sem o vasto poder dos Estados Unidos, grande parte do qual construí durante meu primeiro mandato e que agora estou elevando a um novo e ainda maior patamar, a Otan não seria uma força ou dissuasão eficaz – nem de perto! Eles sabem disso, e eu também. A Otan se torna muito mais formidável e eficaz com a Groenlândia nas mãos dos Estados Unidos. Qualquer coisa menos que isso é inaceitável"

Europa prepara plano para caso de invasão dos EUA à Groenlândia

Europa prepara plano para caso de invasão dos EUA à Groenlândia

A Dinamarca irá reforçar sua presença militar Groenlândia e mantém diálogo com aliados da Otan em meio a críticas de Donald Trump de negligenciar a segurança no Ártico e ameaçar anexar a ilha aos EUA, afirmou o ministro da Defesa dinamarquês à agência de notícias AFP nesta quarta-feira (14).

“Continuaremos a fortalecer nossa presença militar na Groenlândia, mas também teremos um foco ainda maior, dentro da Otan, em mais exercícios e em um aumento da presença da Otan no Ártico”, escreveu o ministro Troels Lund Poulsen em comunicado à AFP.

A fala ocorreu horas antes de uma reunião entre autoridades da Groenlândia, da Dinamarca e dos Estados Unidos na Casa Branca sobre o futuro do território autônomo dinamarquês. A premiê dinamarquesa, Mette Frederiksen, já afirmou que o país não fará nenhuma "concessão fundamental". Segundo informações divulgadas pelos países, as seguintes autoridades participarão do encontro:

  • O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio;
  • O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance;
  • O ministro das Relações Exteriores groenlandês, Vivian Motzfeldt;
  • O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen.

A investida de Trump elevou as tensões na Europa, que já traça um plano para caso as ameaças do presidente norte-americano se materializem. Entre as medidas planejadas, integrantes da Otan estão discutindo a possibilidade de enviar tropas à Groenlândia, segundo a agência de notícias Bloomberg. Poulsen disse à AFP que a Dinamarca “mantém um diálogo em andamento com seus aliados sobre novas e ampliadas atividades em 2026”.

A Dinamarca já começou a enviar equipamentos militares e tropas à Groenlândia, segundo a TV dinamarquesa "DR". Um avião da Força Aérea pousou na capital Nuuk na segunda-feira. Em um primeiro momento, foram enviados à ilha alguns soldados, entre eles de uma divisão capacitada para estruturar uma logística para receber mais tropas.

Europeus se movimentam pela Groenlândia

Moradores da Groenlândia fazem protesto contra os EUA, em 15 de março de 2025 — Foto: Christian Klindt Soelbeck/Ritzau Scanpix/via REUTERS

Um grupo de países europeus está discutindo planos para reforçar sua presença militar na Groenlândia para fazer frente às ameaças de anexação feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou a agência de notícias norte-americana Bloomberg no domingo (11).

Segundo a Bloomberg, a iniciativa está sendo liderada pelo Reino Unido e pela Alemanha e visa mostrar a Trump que a Europa está levando a sério a segurança no Ártico. Os alemães irão propor a criação de uma missão conjunta da Otan para proteger a região do Ártico, afirmaram à agência fontes familiarizadas com os planos.

Um porta-voz do governo da Alemanha afirmou na segunda-feira (12) que a Otan está discutindo o fortalecimento adicional da segurança no Ártico por conta da investida de Trump para tomar a Groenlândia, que pertence à Dinamarca. A ideia seria amenizar preocupações de segurança dos EUA na região. O ministro da Defesa da Bélgica afirmou à agência de notícias Reuters disse que a há necessidade de "uma operação da Otan no extremo norte", em referência ao Ártico.

Trump disse na sexta-feira que os Estados Unidos precisam ser donos da Groenlândia para impedir que a Rússia ou a China a ocupem no futuro. Ele afirmou diversas vezes que embarcações russas e chinesas estão operando perto da ilha, algo que países nórdicos desmentiram.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou no domingo que seu país, a Europa e os aliados se encontram em uma "encruzilhada" diante da crise com os EUA sobre o controle da Groenlândia. Ela reiterou que o mundo como conhecemos acabará se Trump decidir tomar a ilha à força.

"Estamos em uma encruzilhada e este é um momento decisivo. Se os americanos derem as costas à aliança ocidental ao ameaçarem um aliado, então o mundo irá parar", disse Frederiksen durante um evento de Ano Novo do Partido Social Liberal, segundo a emissora TV2.

Frederiksen, que admitiu não conversar com Trump sobre a Groenlândia desde janeiro do ano passado, disse que a Dinamarca deixará claro que não fará concessões em "valores fundamentais" durante a reunião com Rubio, porém sem dar mais detalhes. Anteriormente, a premiê dinamarquesa disse que a ilha não está à venda e que continuará sob sua tutela.

Em meio às ameaças de Trump, a Otan compartilhou em suas redes sociais nos últimos dias imagens de soldados da aliança militar no Ártico. Os registros seriam prévios a um exercício militar marcado apenas para março na região.

Trump diz estar disposto a sacrificar a Otan pela Groenlândia

O presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso para republicanos da câmara dos EUA — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Trump disse na semana passada ao jornal norte-americano "The New York Times" que quer integrar a Groenlândia aos EUA mesmo que isso coloque em risco a existência da Otan e que "não precisa" do direito internacional.

A fala de Trump é mais um capítulo da sua investida para controlar a ilha do Ártico, que pertence à Dinamarca, e escala ainda mais as tensões com a Europa. O presidente norte-americano quer adquirir a Groenlândia "porque é isso que eu sinto ser psicologicamente necessário para o sucesso", disse ao "New York Times".

A Europa, inclusive, está preparando um plano de ação para caso Trump materialize suas ameaças de tomar a Groenlândia. Ainda não se sabe detalhes do plano, além de que ele inclui a França e a Alemanha —faz sentido que a Dinamarca, por ser responsável pela ilha, esteja envolvida.

Trump também afirmou ao jornal norte-americano acreditar que seus poderes como presidente dos EUA "se limitam apenas à sua própria moralidade" e que ele "não precisa" do direito internacional.

Trump quer comprar Groenlândia, diz Casa Branca

Donald Trump Jr. chegou há poucos dias a Nuuk, na Groenlândia — Foto: Emil Stach/Ritzau Scanpix/via REUTERS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera fazer uma oferta para comprar a Groenlândia, informou a Casa Branca nesta quarta-feira (7). A iniciativa ocorre apesar de a população da ilha afirmar que o território não está à venda.

Após pedido da Dinamarca, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que vai se reunir na próxima semana com representantes do país.

“Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Vamos participar. Pedimos uma reunião”, afirmou a ministra Vivian Motzfeldt à TV pública local.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump discute “ativamente” com a equipe a possibilidade de compra da Groenlândia, que tem área aproximada à do Alasca, maior estado americano.

Segundo ela, o presidente avalia que a medida serviria para conter a influência da Rússia e da China no Ártico. Leavitt afirmou que a opção preferencial de Trump é a diplomacia, mas não descartou o uso da força.

O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, disse não ter conhecimento de planos de envio de tropas à Groenlândia. Segundo ele, não há discussões sobre ação militar, e o foco estaria em canais diplomáticos.

Johnson afirmou, no entanto, que não foi informado previamente sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Desde então, Trump fez ameaças de intervenção em Cuba, Groenlândia, Irã, México e Colômbia.

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