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Trump lança 'Conselho da Paz' em Davos

Cerca de 60 lideranças mundiais foram convidadas para participar do órgão, inclusive Lula, que ainda não respondeu ao convite. O presidente argentino, Javier Milei, e o ex-primeiro-ministro, Tony Blair, que aceitaram integrar o conselho, participaram da cerimônia.

"É um dia muito empolgante, hoje é a formação do que já é conhecido como Conselho da Paz", disse Trump.

➡️ O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro.

Entenda, ponto a ponto, o que se sabe sobre o Conselho da Paz

“Quem é que achou que isso poderia dar certo?”, avalia Marcelo Lins sobre Conselho de Paz

“Quem é que achou que isso poderia dar certo?”, avalia Marcelo Lins sobre Conselho de Paz

1. O que é o Conselho da Paz?

A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo grupo terrorista Hamas, em outubro do ano passado.

O conselho, que terá um papel consultivo, vai assessorar o comitê responsável pela administração provisória da Faixa de Gaza, que iniciou seus trabalhos neste mês, no Cairo, sob o comando do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath e de outros 14 membros.

A entidade "ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza", anunciou a Casa Branca.

A proposta, no entanto, é vista com receio pela comunidade internacional e recebeu críticas de diplomatas e de analistas.

"É uma daquelas iniciativas que a gente fica se perguntando: quem é que planejou isso? E quem é que pensou que isso ia dar certo? Muitos analistas, e eu me incluo entre eles, estão absolutamente céticos sobre o que poderá acontecer com esse conselho”, avaliou o apresentador Marcelo Lins, no programa GloboNews Internacional neste domingo (18).

De acordo com fontes diplomáticas ouvidas pela Reuters, há uma grande preocupação, principalmente entre os governos europeus, de que o conselho prejudique a ONU.

"É uma 'Nações Unidas de Trump' que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU", disse um deles.

O rascunho do estatuto do Conselho de Paz faz uma crítica velada às Nações Unidas falando que "um organismo internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz" é necessário e que é preciso "coragem de abandonar abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência".

Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a estrutura proposta por Trump reúne uma série de falhas e concentra poder demais em uma única liderança, que seria a do próprio presidente dos Estados Unidos.

"Há um temor real de que o Conselho se torne uma espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos.", afirma Stuenkel.

4. Quem vai presidir o Conselho da Paz?

Donald Trump será o presidente inaugural. Com amplos poderes, ele terá a palavra final em votações, pode escolher os países que deseja convidar e também pode revogar a participação de quem o desagradar.

De acordo com o projeto de estatuto do conselho, quem quiser fazer parte do grupo exercerá mandatos de três anos, mas uma taxa bilionária garante a permanência fixa.

"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da data de entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro para o Conselho da Paz no primeiro ano", diz o documento.

Trump com o secretário de Estado, Marco Rubio — Foto: Reuters/Nathan Howard

5. Quem faz parte do conselho executivo fundador?

Em comunicado na sexta-feira (16), a Casa Branca divulgou os nomes dos sete nomeados como membros fundadores do conselho. Os escolhidos por Trump foram:

  • Marco Rubio, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos
  • Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido
  • Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para a paz na Faixa de Gaza,
  • Jared Kushner, genro de Trump
  • Ajay Banga, o presidente do Banco Mundial
  • Marc Rowan, magnata financista americano
  • Robert Gabriel, fiel colaborador de Trump no Conselho de Segurança Nacional

As responsabilidades de cada membro do conselho ainda não foram divulgadas.

O presidente americano também designou o major-general americano Jasper Jeffers para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) em Gaza.

6. Que países já confirmaram participação no conselho?

Nesta quarta-feira (21), a Casa Branca afirmou que 25 países já aceitaram o convite para integrar o Conselho da Paz . Entre eles estão:

  • Israel
  • Argentina
  • Arábia Saudita
  • Emirados Árabes Unidos
  • Bahrein
  • Jordânia
  • Catar
  • Egito
  • Turquia
  • Hungria
  • Marrocos
  • Paquistão
  • Indonésia
  • Kosovo
  • Uzbequistão
  • Cazaquistão
  • Paraguai
  • Vietnã
  • Armênia
  • Azerbaijão
  • Belarus

7. Quem mais foi convidado?

Segundo o governo dos Estados Unidos, convites foram enviados a lideranças de cerca de 60 países.

Até o momento, apenas a Noruega, a Suécia e a Itália se pronunciaram recusando o convite. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que precisa de mais tempo para analisar a proposta antes de se comprometer como membro.

Outros países afirmaram ainda estar avaliando o que farão. Alguns deles são:

  • Brasil
  • Rússia
  • China
  • França
  • Canadá
  • Reino Unido
  • Alemanha
  • Japão
  • Ucrânia
  • Vaticano

8. Por que o convite do Trump é uma saia justa para Lula?

O presidente brasileiro defende a criação de um Estado palestino, essa posição, registrada em discursos, entrevistas e manifestações em fóruns internacionais, se choca com o convite feito por Trump.

Caso aceite integrar o conselho de paz, Lula poderá ser cobrado por coerência. Por outro lado, uma eventual recusa pode desagradar o presidente norte-americano e prejudicar a aproximação que ocorreu entre eles desde as negociações do tarifaço para produtos brasileiros exportados para os EUA.

Ate o momento, não está claro se os palestinos terão uma participação no conselho, o que levanta questões sobre a efetividade do novo órgão.

“Um conselho que não tem em sua composição nenhum palestino para falar sobre Gaza [...] Deixa muitas dúvidas no ar, e mais do que dúvidas, desconfianças sobre qual o interesse e qual é o papel dos maiores interessados nisso, os palestinos", avalia Marcelo Lins.
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