➡️ Entenda: o Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro.
Entenda, ponto a ponto, o que se sabe sobre o Conselho da Paz

“Quem é que achou que isso poderia dar certo?”, avalia Marcelo Lins sobre Conselho de Paz
1. O que é o Conselho da Paz?
A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo grupo terrorista Hamas, em outubro do ano passado.
O conselho, que terá um papel consultivo, vai assessorar o comitê responsável pela administração provisória da Faixa de Gaza, que iniciou seus trabalhos neste mês, no Cairo, sob o comando do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath e de outros 14 membros.
A entidade "ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza", anunciou a Casa Branca.
A proposta, no entanto, é vista com receio pela comunidade internacional e recebeu críticas de diplomatas e de analistas.
De acordo com fontes diplomáticas ouvidas pela Reuters, há uma grande preocupação, principalmente entre os governos europeus, de que o conselho prejudique a ONU.
O rascunho do estatuto do Conselho de Paz faz uma crítica velada às Nações Unidas falando que "um organismo internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz" é necessário e que é preciso "coragem de abandonar abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência".
Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a estrutura proposta por Trump reúne uma série de falhas e concentra poder demais em uma única liderança, que seria a do próprio presidente dos Estados Unidos.
4. Quem vai presidir o Conselho da Paz?
Donald Trump será o presidente inaugural. Com amplos poderes, ele terá a palavra final em votações, pode escolher os países que deseja convidar e também pode revogar a participação de quem o desagradar.
De acordo com o projeto de estatuto do conselho, quem quiser fazer parte do grupo exercerá mandatos de três anos, mas uma taxa bilionária garante a permanência fixa.
Trump com o secretário de Estado, Marco Rubio — Foto: Reuters/Nathan Howard
5. Quem faz parte do conselho executivo fundador?
Em comunicado na sexta-feira (16), a Casa Branca divulgou os nomes dos sete nomeados como membros fundadores do conselho. Os escolhidos por Trump foram:
- Marco Rubio, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos
- Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido
- Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para a paz na Faixa de Gaza,
- Jared Kushner, genro de Trump
- Ajay Banga, o presidente do Banco Mundial
- Marc Rowan, magnata financista americano
- Robert Gabriel, fiel colaborador de Trump no Conselho de Segurança Nacional
As responsabilidades de cada membro do conselho ainda não foram divulgadas.
O presidente americano também designou o major-general americano Jasper Jeffers para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) em Gaza.
6. Que países já confirmaram participação no conselho?
Nesta quarta-feira (21), a Casa Branca afirmou que 25 países já aceitaram o convite para integrar o Conselho da Paz . Entre eles estão:
- Israel
- Argentina
- Arábia Saudita
- Emirados Árabes Unidos
- Bahrein
- Jordânia
- Catar
- Egito
- Turquia
- Hungria
- Marrocos
- Paquistão
- Indonésia
- Kosovo
- Uzbequistão
- Cazaquistão
- Paraguai
- Vietnã
- Armênia
- Azerbaijão
- Belarus
7. Quem mais foi convidado?
Segundo o governo dos Estados Unidos, convites foram enviados a lideranças de cerca de 60 países.
Até o momento, apenas a Noruega, a Suécia e a Itália se pronunciaram recusando o convite. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que precisa de mais tempo para analisar a proposta antes de se comprometer como membro.
Outros países afirmaram ainda estar avaliando o que farão. Alguns deles são:
- Brasil
- Rússia
- China
- França
- Canadá
- Reino Unido
- Alemanha
- Japão
- Ucrânia
- Vaticano
8. Por que o convite do Trump é uma saia justa para Lula?
O presidente brasileiro defende a criação de um Estado palestino, essa posição, registrada em discursos, entrevistas e manifestações em fóruns internacionais, se choca com o convite feito por Trump.
Caso aceite integrar o conselho de paz, Lula poderá ser cobrado por coerência. Por outro lado, uma eventual recusa pode desagradar o presidente norte-americano e prejudicar a aproximação que ocorreu entre eles desde as negociações do tarifaço para produtos brasileiros exportados para os EUA.
Ate o momento, não está claro se os palestinos terão uma participação no conselho, o que levanta questões sobre a efetividade do novo órgão.

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