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Trump põe o mundo de joelhos

A Europa respondeu de forma tímida ao poderio americano, que atropelou mais uma vez a Carta da ONU e atacou um país sem o aval do Conselho de Segurança e sem comunicar antecipadamente o Congresso americano. Os líderes francês, alemão e inglês comemoraram a deposição do ditador Nicolás Maduro, sem apontar firmemente para a ilegalidade do ato, que não encontra respaldo em nenhuma lei internacional.

Donald Trump, por outro lado, não vê nenhum problema em rasgar a fantasia do autocrata em formação, muito mais parecido com os líderes que tanto respeita, como Vladimir Putin e Xi Jinping, do que com os aliados europeus. Em nenhum momento, o americano falou em restaurar a democracia venezuelana. Pelo contrário, concentrou-se em defender a devolução do petróleo que havia sido "roubado" dos Estados Unidos, quando nos anos 2000 o governo chavista estatizou áreas exploradas por petrolíferas americanas.

E, por último e mais importante, o Brasil parece cada vez mais isolado na sua própria área de influência. Lula, o presidente colombiano, Gustavo Petro, e a mexicana Claudia Scheinbaum foram vozes isoladas entre as democracias da região ao condenar a ação militar americana. No caso de Lula, com o cuidado de não mencionar explicitamente o presidente americano, para não azedar completamente a "boa química". Donald Trump é volúvel e navega conforme seus próprios interesses. Aproximou-se de Lula quando percebeu que o tarifaço sobre exportações brasileiras produziria mais inflação e não era do interesse de grandes empresas americanas. Mas na eleição é outro papo. Vai apoiar o candidato que compartilhar da mesma ideologia e não representar uma pedra no sapato da sua influência na região.

O discurso petista da soberania funcionou muito bem no tarifaço, sob o senso comum do patriotismo. Mas Nicolás Maduro é um déspota cruel nunca condenado claramente pelo PT. A defesa da soberania sob essa ótica ficará mais difícil. Será interessante ver o que as pesquisas apontam sobre o apoio da sociedade brasileira à intervenção americana na Venezuela. Suponho que seja mais próximo ao que os levantamentos mostraram sobre a matança nos morros do Rio de Janeiro - apoio maciço. Violência urbana e Venezuela: dois temas em que a oposição nada de braçada.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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