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Trump, racismo e os limites da decência; veja vídeo

Um Presidente de uma nação pode ter comportamentos abertamente racistas? Já não há limites para a indecência? Infelizmente, parece que não.

Há dias, Donald Trump partilhou um vídeo que representava Barack Obama e a sua mulher Michele como macacos. Depois das críticas, apagou mais tarde o post, mas recusou pedir desculpa pela ofensa.

A animalização dos adversários está bem documentada na História. É uma forma clássica de desumanização muito usada por regimes fascistas e genocidas.

Na Alemanha nazi, os judeus foram chamados de ratos, vermes ou parasitas. No colonialismo europeu era muitas vezes usada uma retórica racista de animalização dos povos africanos, descritos como "selvagens" ou "primitivos", de forma a legitimar a escravatura ou a dominação.

Não, este post de Donald Trump não é um caso isolado. Quando ele chegou a política, trouxe uma máquina demolidora. Uma máquina demolidora das regras básicas de civilidade e da decência que vigoram há décadas, que elevam os comportamentos e que fazem do espaço público um sítio frequentável.

Estas declarações ofensivas, indecentes ou fora da norma passaram a ser tão frequentes, que foram normalizadas. O que no início causava choque e indignação, deixou de causar impacto. Grande parte da sociedade encolhe os ombros e habitua-se.

Na ciência política há um conceito que explica isto: chama-se "Janela de Overton". Esta janela representa o conjunto de ideias e valores considerados aceitáveis numa determinada sociedade num determinado tempo. Nesta fase, a janela do admissível está escancarada.

Mais grave ainda, Trump serve de farol para os movimentos de extrema-direita pelo mundo fora. O que ele faz e diz, os outros copiam - na América Latina, na Europa, também aqui em Portugal.

Assim, cada vez mais gente perde a vergonha de repetir insultos racistas, xenófobos, homofóbicos ou machistas. Os algoritmos das redes sociais ajudam.

Como se volta a impor limites para a indecência e se fecha de novo esta janela do aceitável, eis a grande questão dos nossos dias. O futuro das democracias pode mesmo depender disso.

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