A relação entre o uso do celular e a disfunção erétil é algo que vem sendo estudado pela comunidade científica, como mostrou o recente estudo publicado pela National Library of Medicine. Segundo a publicação, homens com queixas de disfunção erétil costumam carregar aparelhos ligados próximos ao corpo por um longo tempo. Apesar de não oferecerem riscos visíveis, esses aparelhos podem contribuir com o aumento da temperatura nos genitais, além de fomentarem maus comportamentos vinculados ao uso de telas.
É o que enfatiza o Diretor executivo da Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), e Doutor em Urologia pela FMUSP, Felipe Fakhouri. “O sedentarismo, frequentemente associado ao uso excessivo de telas, está diretamente relacionado à piora da saúde vascular e da função endotelial”, afirma. Somado a isso, o aparelho também é responsável por gerar um estado de alerta constante, causado pelo excesso de notificações e ligações.
O TechTudo conversou com o médico urologista para explorar os principais riscos causados pelo uso excessivo de celulares e quais os reais impactos na saúde do homem. Será que o uso constante pode gerar disfunção erétil? O uso de telas pode reduzir a produção de testosterona? E o que fazer para reverter esses danos e restaurar o equilíbrio do organismo? Confira a seguir.
Imagem ilustrativa de um exame médico — Foto: pressfoto Uso errado do celular pode sabotar sua vida sexual? Especialista explica
Veja, no índice abaixo, os assuntos que serão tratados nesta matéria.
- Celular no bolso afeta a produção de testosterona?
- Estado de “alerta constante” vs relaxamento do sistema nervoso
- O vício em estímulos rápidos pode dificultar a excitação com estímulos reais?
- O uso do celular antes de dormir gera queda na testosterona?
- O sedentarismo associado ao uso de telas pode causar disfunção erétil?
- Quais mudanças adotar para “resetar” o organismo e reverter os danos?
Celular no bolso afeta a produção de testosterona?
A fisiologia testicular exige temperaturas inferiores às do resto do corpo para funcionar adequadamente. No entanto, celulares emitem calor e radiação em níveis que podem prejudicar a produção de testosterona. Segundo artigo publicado pela National Library of Medicine, homens com queixas de disfunção erétil costumam carregar aparelhos ligados próximos ao corpo por mais de quatro horas diárias.
Essa exposição prolongada às ondas eletromagnéticas pode criar um ambiente hostil para as células produtoras de hormônios e espermatozoides. Embora a ciência ainda busque provas definitivas de causalidade direta, a correlação observada em grupos de estudo sugere que a proximidade física com o smartphone não é inofensiva a longo prazo.
Celular no bolso afeta espermatozoides e fertilidade masculina? — Foto: Reprodução/IA/ChatGPT Além disso, a produção de testosterona e a qualidade seminal podem sofrer interferências devido ao estresse oxidativo ou ao aumento térmico local provocado pelo uso de dispositivos eletrônicos. No cenário clínico, observa-se que o hábito de manter o celular no bolso da frente da calça é um dos fatores ambientais mais comuns relatados por pacientes.
Nesse cenário, o impacto pode ser silencioso, manifestando-se somente em exames laboratoriais de forma sutil antes mesmo dos sintomas clínicos de impotência surgirem. Portanto, a recomendação de distanciamento físico do aparelho ganha força como uma medida preventiva simples, mas potencialmente eficaz para preservar a saúde reprodutiva e hormonal masculina.
Segundo Felipe Fakhouri, a produção de espermatozóides é muito sensível ao aumento da temperatura escrotal.
Estado de “alerta constante” vs relaxamento do sistema nervoso
A ereção humana é um processo neurovascular complexo que depende fundamentalmente da predominância do sistema nervoso parassimpático, responsável pelo estado de relaxamento e repouso. O uso excessivo de smartphones, alimentado por notificações incessantes, mantém o usuário em um estado de "luta ou fuga" que é mediado pelo sistema simpático.
Esse desequilíbrio autonômico dificulta a liberação de óxido nítrico, substância essencial para a dilatação dos vasos sanguíneos penianos. Quando o cérebro está focado em alertas digitais, a "presença" necessária para a excitação sexual é severamente comprometida por mecanismos psicofisiológicos de defesa.
Imagem ilustrativa de um homem completamente investido em seu celular, vendo as notificações — Foto: freepik Esse estado de hiperconectividade gera uma fragmentação da atenção que atua como um bloqueador invisível do desejo e da resposta física ao estímulo erótico. Nesse caso, homens vulneráveis à ansiedade podem desenvolver uma disfunção erétil psicogênica, gerada pelo medo de falhar e a tensão mental, ofuscando, assim, os sinais naturais de prazer.
A incapacidade de se desconectar do mundo virtual cria uma barreira psicológica que impede o relaxamento necessário para que o corpo direcione o fluxo sanguíneo para a região genital. Sendo assim, o smartphone atua como um interruptor que mantém o sistema nervoso em alerta, sabotando a função sexual biológica.
"Quando o indivíduo está em estado de hiperalerta ou ansiedade, há maior ativação do sistema nervoso simpático, que atua de forma oposta ao parassimpático, o que pode prejudicar a resposta erétil por mecanismos psicofisiológicos. Entre eles estão a atenção fragmentada, o aumento da ansiedade de desempenho, a dificuldade de manter a ‘presença’ erótica e a redução do gatilho de excitação", explica o médico urologista.
"No entanto, há estudos que indicam que o uso de celular por curtos períodos não aumenta o cortisol — hormônio ligado ao estresse e à ansiedade — nem a frequência cardíaca, o que nos leva a questionar se todos os indivíduos respondem da mesma maneira", acrescenta o profissional.
O vício em estímulos rápidos pode dificultar a excitação com estímulos reais?
O consumo excessivo de vídeos curtos e pornografia digital promove no cérebro, de forma instantânea, uma descarga maciça de dopamina, o famoso neurotransmissor da recompensa. Com o tempo, esse padrão cria uma tolerância, exigindo estímulos cada vez mais intensos e variados para gerar o mesmo nível de satisfação anterior.
O problema surge quando o homem tenta transpor essa dinâmica para a vida real, onde a parceira ou parceiro não oferece a mesma velocidade de "novidade" do algoritmo. Essa dessensibilização cerebral faz com que o sexo convencional pareça menos estimulante, dificultando a manutenção da ereção.
O fenômeno é frequentemente descrito como um condicionamento psicológico, no qual o cérebro "aprende" que a excitação deve vir acompanhada de controle total e variedade infinita. Na interação real, a falta de controle sobre o ritmo e a ausência de mudanças visuais rápidas podem gerar frustração e queda de libido.
O uso problemático da tecnologia altera a percepção do prazer, transformando o ato sexual em uma atividade que exige esforço mental excessivo para competir com o digital. O resultado é um aumento nos casos de homens jovens que relatam dificuldades de ereção mesmo sem terem problemas físicos aparentes. Sobre este condicionamento, Fakhouri afirma:
O uso do celular antes de dormir gera queda na testosterona?
A qualidade do sono é o principal pilar para a produção natural de testosterona, que ocorre majoritariamente durante as fases mais profundas do repouso noturno. O uso do celular na cama atrasa o início do sono e reduz sua duração total, o que impacta diretamente os níveis hormonais do dia seguinte.
Estudos comprovam que uma semana de restrição de sono é suficiente para causar uma queda drástica nos níveis de testosterona em homens jovens saudáveis. Logo, o smartphone atua como um "ladrão" de hormônios ao encurtar o tempo que o corpo tem para se regenerar.
Luz emitida pelo celular impede a indução natural ao sono — Foto: FreePik Embora se discuta muito sobre a luz azul emitida pelas telas, o maior vilão nesse contexto parece ser o comportamento de adiar o descanso para consumir conteúdo. A exposição luminosa pode suprimir a melatonina, desregulando o ciclo circadiano, mas é a privação quantitativa de horas de sono que mais agride o sistema endócrino. Homens que dormem menos de seis horas por noite apresentam, com frequência, quadros de fadiga e baixa libido que são reflexos diretos dessa desregulação.
O sedentarismo associado ao uso de telas pode causar disfunção erétil?
O tempo excessivo gasto em frente às telas está intrinsecamente ligado ao comportamento sedentário, que é um dos maiores inimigos da saúde cardiovascular masculina. A ereção depende da integridade do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, para liberar óxido nítrico e permitir a entrada de sangue no pênis.
Quando um homem passa horas sentado, sem atividade física regular, ele favorece o surgimento de problemas como obesidade e resistência insulínica. Essas condições degradam a qualidade dos vasos sanguíneos, tornando-os menos flexíveis e dificultando a irrigação necessária para a performance sexual, como enfatiza Fakhouri.
Imagem ilustrativa de um rapaz que começa a dar indícios de estafa mental após o uso prolongado de celular — Foto: pikisuperstar | FreeP!k A disfunção erétil é frequentemente considerada o "sentinela" da saúde do coração, sendo muitas vezes o primeiro sinal de que algo não vai bem na circulação. O sedentarismo digital promove um estado inflamatório crônico que ataca as artérias sistêmicas, incluindo as penianas, que são menores e entopem mais facilmente.
Sem o estímulo do exercício, o sistema circulatório perde eficiência e a capacidade de resposta rápida ao estímulo sexual diminui drasticamente. Nesse caso, o uso de telas não prejudica apenas a mente, mas compromete a engrenagem vascular que sustenta a função erétil masculina.
Quais mudanças adotar para “resetar” o organismo e reverter os danos?
Reverter os prejuízos causados pelo excesso de tecnologia exige uma mudança consciente de hábitos que priorize a recuperação física e mental. A primeira medida essencial é a higiene do sono: estabelecer um horário fixo para desconectar todos os aparelhos eletrônicos antes de dormir. O cenário ideal exige um ambiente escuro e silencioso que permite ao corpo retomar a produção hormonal máxima durante a noite. Além disso, o distanciamento físico do celular durante o dia, evitando o contato direto com a região pélvica, ajuda a mitigar possíveis efeitos térmicos e de radiação.
Imagem ilustrativa d eum rapaz praticando atividade física, focando em seu bem-estar — Foto: cookie_studio Outro pilar essencial é a prática de exercícios físicos regulares. Essa rotina de treinos atua como um poderoso restaurador da função vascular, melhorando a circulação sanguínea e a autoestima do homem. No campo mental, é fundamental reduzir a carga de notificações e o consumo de conteúdos hiperestimulantes que geram vício dopaminérgico.
Por fim, estabelecer janelas específicas para checar mensagens e redes sociais diminui a ansiedade e devolve ao indivíduo a capacidade de estar presente nos momentos de intimidade. Essas ações combinadas formam um protocolo de "detox digital" que pode restaurar a saúde sexual em poucas semanas de disciplina.
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1 mês atrás
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