O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo Lula (PT) na Câmara, pediu nesta terça-feira (26) que a PF (Polícia Federal) investigue o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) em razão das transações do governo local com uma fintech investigada pela Operação Carbono Oculto.
O caso foi revelado pela Folha, em reportagem publicada nesta segunda (25). A reportagem embasa o pedido de Lindbergh, direcionado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Caiado deixou o governo em março. Ele é pré-candidato à Presidência da República. Em caso de confirmação da candidatura, deve enfrentar o presidente Lula nas urnas.
"A gravidade dos fatos decore de possível inserção de recursos públicos, programas sociais e comerciantes locais em ambiente financeiro contaminado por suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e organização criminosa", disse o parlamentar, no pedido direcionado à PF.
A gestão de Caiado usou a BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank, para movimentar R$ 1,36 bilhão de programas de transferência de renda. A BK é uma fintech, suspeita de atuar como um banco paralelo da facção criminosa PCC, conforme as investigações da Carbono Oculto.
Um documento do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) mostra repasses de R$ 1,36 bilhão da Agência de Fomento de Goiás à BK, entre outubro de 2021 e agosto de 2025, mês da deflagração da Carbono Oculto.
A agência é responsável por operacionalizar benefícios sociais, e os repasses a uma conta na BK dizem respeito ao pagamento de programas de transferência de renda que atendem 880 mil beneficiários, segundo o Governo de Goiás. A partir dessa conta, eram efetivados os repasses aos cartões dos usuários finais, conforme a gestão estadual.
Sobre o valor das operações dos programas sociais, incidia uma taxa de utilização de até 6%, cobrada dos estabelecimentos comerciais credenciados para a realização de compras pelos beneficiários dos programas. Do valor cobrado, 50% eram destinados à Agência de Fomento e 50%, à BK Bank.
Isso vigorou até 2024, quando o Governo de Goiás decidiu contratar uma nova fintech. A taxa paga pelos comerciantes ganhou uma nova divisão: 75,6% são destinados à Agência de Fomento e 24,4%, à nova instituição financeira contratada.
"Quando da deflagração da Operação Carbono Oculto, a agência adotou medidas administrativas e judiciais para resguardar o interesse público. Até o momento, não há prejuízo constatado à GoiásFomento", disse o Governo de Goiás.
Caiado afirmou que certidão do Banco Central atesta a BK como "autorizada em atividade". Não havia como os estados suspeitarem de vínculo da empresa com organização criminosa, segundo o ex-governador.
"Não estaria existindo, neste momento, conivência ou omissão do Coaf na prevenção de crimes dessas organizações criminosas, deixando-as operar e informando delitos somente depois da operação policial que trouxe à tona o envolvimento da empresa com o narcotráfico? De quem parte a ordem para calar o Coaf?", questionou Caiado.
A BK foi procurada por email e por telefone pela reportagem, mas não houve resposta.

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