Vídeos hiper-realistas de animais silvestres criados por ferramentas de inteligência artificial têm se espalhado pelas redes sociais, chamando atenção pela qualidade visual e por cenas curiosas que imitam a vida selvagem. Apesar do apelo, mídias geradas por IA podem distorcer a percepção pública sobre a natureza, dificultar a educação ambiental e enfraquecer o senso de urgência em relação à conservação de espécies ameaçadas. É o que destaca um estudo publicado em 2025 na revista científica Conservation Biology, que divulga trabalhos sobre a conservação da biodiversidade e a proteção de ecossistemas em todo o mundo.
Segundo os pesquisadores, ao retratar comportamentos inexistentes ou interações improváveis entre animais, esses vídeos confundem o que é real e o que é ficção, especialmente para públicos mais jovens. Profissionais da área infantil, como a educadora Mariana Lopes, diretora-geral da Creche e Escola Global Tree, reforçam que muitas crianças aprendem sobre animais principalmente por meio de telas, tornando essencial a mediação de adultos e educadores para evitar interpretações equivocadas sobre a fauna e a biodiversidade. A seguir, confira mais detalhes.
Vídeos de animais feitos com IA podem ameaçar a natureza; entenda o motivo — Foto: Reprodução/Gabriel Pereira-Canva O fenômeno das mídias de IA com animais
Vídeos hiper-realistas de animais feitos com inteligência artificial se tornaram um fenômeno nas redes sociais, acumulando milhões de visualizações ao retratar cenas improváveis da vida selvagem. Predadores surgindo em quintais, bichos silvestres interagindo como humanos ou espécies diferentes convivendo pacificamente são alguns exemplos que chamam atenção pelo realismo e pelo tom curioso, mas que levantam questionamentos sobre até que ponto esse tipo de conteúdo reflete a realidade da natureza.
Alguns dos vídeos mostram animais em situações que até poderiam ser reais, e isso gera confusão no espectador.
Outros vídeos são mais excêntricos, porém a qualidade pode causar confusões em desavisados.
O estudo publicado na Conservation Biology aponta que a facilidade com que a IA cria espécies fictícias, comportamentos inexistentes e interações ecológicas irreais contribui para uma representação distorcida da natureza, cada vez mais difícil de diferenciar de registros reais.
A pesquisa destaca que esse tipo de conteúdo reforça o antropomorfismo ao atribuir emoções e atitudes humanas aos animais, como demonstrações exageradas de afeto, cuidado parental inexistente em determinadas espécies ou relações amistosas entre predadores e presas. Essas narrativas simplificadas podem levar o público a subestimar os riscos associados aos animais silvestres e criar expectativas irreais sobre seu comportamento.
Imagens ultrarrealistas criadas por IA podem confundir o público desavisado e criar uma visão distorcida da natureza — Foto: Reprodução/IA/ChatGPT Outro ponto é o impacto na percepção de conservação. Vídeos hiper-realistas de espécies ameaçadas circulando em grande volume podem transmitir a falsa sensação de abundância, reduzindo a percepção de urgência para ações de proteção. O estudo também observa que a maioria do conteúdo gerado por IA favorece animais "carismáticos", como grandes mamíferos, o que pode desviar atenção de espécies menos populares, mas igualmente ameaçadas.
Os pesquisadores alertam ainda para vídeos falsos que mostram animais fora de seu habitat natural ou em conflito com humanos. Esse material pode gerar medo injustificado, estimular perseguições à fauna e provocar impactos como o aumento do turismo desordenado em áreas sensíveis.
Impacto na educação infantil
Crianças estão cada vez mais conectadas e isso pode aumentar sua exposição a crianções feitas por IA — Foto: Tima Miroshnichenko Mariana Lopes, diretora-geral da Creche e Escola Global Tree, alerta que a sofisticação desse tipo de conteúdo dificulta que as crianças diferenciem o real do imaginário: "A inteligência artificial vem com uma riqueza de detalhes, com uma criação tão perto do que de fato é real, que o meu intuito é que essas crianças, nesse primeiro momento, não consigam diferenciar o que é e o que não é IA".
Ela destaca que o desafio é maior na primeira infância, quando a mediação de adultos se torna fundamental:
"Crianças tão pequenas, elas de fato elas acreditam que tudo aquilo que se vê é real. Até que um adulto com a ponte do conhecimento consiga mostrar o que não que é, o que não é", explica. Segundo ela, a exposição a conteúdos fictícios pode ter efeitos duradouros: "Se a gente criar uma história com animal inexistente, ela vai acreditar, que ela vai achar que aquilo de fato é real e talvez leve isso, né, ao longo da infância até ela ir amadurecendo".
Apesar disso, Mariana não acredita que o conteúdo falso rompa o vínculo emocional com a natureza. "O conteúdo falso pode desconectar emocionalmente esse público da fauna real? Não, não acho. Eu acho que as crianças pequenas se apaixonam por tudo que lhe é apresentado". Ela compara o fenômeno ao fascínio infantil por dinossauros, que mesmo extintos continuam despertando interesse, e alerta que criações de IA podem ganhar "uma força tão grande quanto o dinossauro" no imaginário infantil.
Para a educadora, o desafio está em equilibrar tecnologia e realidade. "Trazer pra vida dos nossos pequenos o que é real de fato que ele possa tocar, experimentar, sentir o cheiro... traz muito mais aprendizado do que aquilo que não existe".
Risco ao tráfico de animais
Jeferson Pires, presidente da Comissão de Animais Silvestres e Pets Não Convencionais do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), reforça a preocupação com os efeitos práticos desses vídeos:
"A utilização de vídeos que humanizam animais — seja por meio de comportamentos irreais, uso de roupas ou até de recursos de inteligência artificial que simulam fala e atitudes humanas — pode, sim, gerar expectativas equivocadas na população. Esses conteúdos acabam levando as pessoas a acreditar que determinados animais se comportam dessa forma na vida real, o que não corresponde à realidade".
Segundo ele, essa expectativa distorcida pode levar à aquisição de animais sem conhecimento prévio. "É importante destacar que apenas algumas poucas espécies silvestres possuem autorização de comercialização, concedida pelo IBAMA ou por órgãos ambientais estaduais. Antes de qualquer aquisição, é fundamental que o interessado estude profundamente sobre a espécie e busque orientação de um profissional capacitado, como um médico-veterinário especializado em animais silvestres ou pets não convencionais", ressalta.
O veterinário observa um padrão preocupante de circulação de vídeos, especialmente de aves, exibindo comportamentos que não ocorreriam naturalmente:
"Isso pode estimular a aquisição desses animais e, posteriormente, gerar frustração quando as expectativas não são atendidas. Quando a aquisição é feita por meios legalizados, criadores e estabelecimentos autorizados costumam fornecer orientações detalhadas sobre manejo, ambiente, necessidades específicas e nível de atenção exigido por cada espécie. Esse processo contribui para uma visão mais realista, diferente do que é apresentado nesses conteúdos irreais", destaca.
Pires é categórico quanto ao comportamento do público: "Por isso, vídeos que utilizam inteligência artificial ou mostram situações extremas e antinaturais devem ser evitados. O ideal é não compartilhar esse tipo de material, nem mesmo comentar, pois ele reforça expectativas irreais e pode incentivar aquisições impulsivas, sem planejamento ou compreensão adequada das responsabilidades envolvidas".
Imagens e vídeos de animais em situações inusitadas podem gerar confusões em usuários desavisados — Foto: Reprodução/ChatGPT Soluções propostas por pesquisadores e especialistas
O estudo da Conservation Biology defende a rotulagem explícita de imagens e vídeos criados por IA, permitindo que o público saiba quando está diante de uma representação artificial. Outra medida apontada é o fortalecimento da alfabetização midiática, para estimular crianças e adultos a desenvolverem pensamento crítico sobre o que consomem online.
Para Jeferson Pires, "a principal solução passa pela educação ambiental. Por meio dela, as pessoas compreendem a importância de cada animal em seu ambiente natural, reforçando que animais silvestres pertencem à natureza e não devem ser removidos dela sob nenhuma circunstância".
Ele destaca ainda: "Também é fundamental informar que existem criadores comerciais legalizados pelo IBAMA, responsáveis pela comercialização de algumas espécies específicas, sempre seguindo critérios rigorosos. Caso alguém tenha interesse em adquirir um animal, o correto é procurar o órgão ambiental competente para se informar sobre quais criadores são devidamente autorizados".
O veterinário conclui: "Além disso, é indispensável que o interessado estude sobre a espécie, conheça suas necessidades, características comportamentais e busque orientação profissional. O caminho para minimizar esse problema envolve informação, responsabilidade e conscientização da sociedade".
Veja também: Essa BONECA SEXUAL REALISTA deu o que falar na CES 2026!
Essa BONECA SEXUAL REALISTA deu o que falar na CES 2026!

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
2 horas atrás
1
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/P/A/LKiWnISuOiAkNdNP4R0A/2025-04-10t155952z-3395034-rc2lwq9414h1-rtrmadp-3-google-workspace-federal-agencies.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/n/6/Ds8ItNTda1nFIcge6NAw/fotojet-2026-01-06t111837.347-1-.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/D/9/DizTMISTmWNAeRnReBcg/ap25344774178993.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2024/9/g/cf4G63TD2aM0G09Y6LBQ/captura-de-tela-2024-01-19-as-15.44.44.png)

:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)










Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro