A dinâmica dos relacionamentos abusivos muitas vezes ultrapassa os limites da agressão física direta para atingir o que a mulher possui de mais valioso. A violência vicária caracteriza-se por esse movimento no qual o agressor utiliza filhos ou objetos de valor sentimental para torturar a vítima emocionalmente. Essa modalidade de controle busca silenciar a mulher por meio da manipulação de terceiros vulneráveis sob sua responsabilidade afetiva.
O termo se popularizou principalmente a partir do dia 11 de fevereiro de 2026, quando o secretário de Governo da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, atirou contra os dois filhos e, em seguida, tirou a própria vida para tentar atingir a então esposa. Para o enquadramento legal desta modalidade de abuso no território brasileiro, demanda-se uma interpretação técnica das normas penais que estão vigentes hoje. Para isso, chamamos especialistas no assunto com o intuito de entender melhor os embasamentos jurídicos, conhecer os canais de denúncia e como reunir provas. Confira a seguir.
Entenda como o agressor utiliza filhos e objetos para atingir a mulher emocionalmente; conheça o conceito de violência vicária, o que diz a lei brasileira e os canais fundamentais para denunciar o crime e garantir proteção jurídica eficaz — Foto: Divulgação/Freepik O TechTudo apresenta a seguir como identificar os sinais desse crime e os canais de denúncia. O guia detalha os procedimentos necessários para a coleta de provas digitais e testemunhais qualificadas.
- Definição de violência vicária;
- Enquadramento jurídico atual e projetos de lei;
- Identificação de sinais de abuso indireto;
- Canais de denúncia e medidas protetivas;
- Guia para organização de provas e documentação;
1. O que é violência vicária?
A agressão vicária opera através de uma triangulação perversa onde o agressor escolhe alvos que a mulher não pode proteger sem se submeter. Jenifer Moraes esclarece que a conduta de prejudicar pessoas próximas visa especificamente causar sofrimento à vítima principal. Essa modalidade substitui o golpe físico pela tortura emocional constante baseada no bem-estar de terceiros. O agressor utiliza o vínculo afetivo como uma arma de manipulação para manter o controle absoluto.
O termo descreve uma forma de agressão onde a vítima principal é atingida através de danos causados a pessoas ou objetos de seu afeto. O agressor utiliza filhos, familiares ou animais de estimação para exercer controle e tortura psicológica. Dentre os exemplos, estão inclusos desde a manipulação da rotina de crianças para gerar angústia na mãe até a destruição proposital de bens com valor sentimental.
2. O que diz a lei brasileira?
Jenifer Moraes, professora de Direito Penal e Direito Penal Econômico da Universidade Presbiteriana Mackenzie, pontua a realidade do ordenamento jurídico nacional. A professora explica que: "No Brasil, não há um tipo penal específico sobre a violência vicária". De acordo com a especialista, a conduta de prejudicar entes próximos para ferir a vítima encontra respaldo em crimes como perseguição e ameaça. A Lei Maria da Penha serve como base para o tratamento processual adequado em casos domésticos. Além disso, o sistema judiciário utiliza essas ferramentas para garantir que a agressão psicológica não permaneça impune.
A modernização das garantias fundamentais para o público feminino passa pela discussão de propostas legislativas que visam maior precisão punitiva. Antonio Gonçalves, advogado criminalista, reforça que "nem a Lei Maria da Penha e, tampouco, o Código Penal têm uma previsão específica acerca da violência vicária". O especialista menciona o PL 3.880/24 como uma tentativa de inserir formalmente a terminologia no artigo 7º da lei atual. Gonçalves acredita que a tipificação própria contribuirá para o aperfeiçoamento necessário do sistema protetivo para as cidadãs brasileiras. O Judiciário já processa milhares de casos de violência psicológica, demonstrando que a lei busca proteger a mulher mesmo indiretamente. O foco reside na responsabilização do agressor, independente da via utilizada.
A violência vicária usa pessoas queridas como instrumento de controle contra a mulher; veja como a Lei Maria da Penha enquadra o abuso psicológico, os projetos em tramitação na Câmara e o passo a passo para reunir provas e realizar a denúncia — Foto: Reprodução / Instituto Lei Maria da Penha Em resumo: a legislação nacional não possui um artigo nomeado "violência vicária", mas as práticas são punidas através da Lei Maria da Penha. O Artigo 7º, incisos II e IV, abrange a violência psicológica e patrimonial. Mas, o advogado Antonio Gonçalves destaca o avanço legislativo com o PL 3.880/24, que "objetiva inserir a violência vicária como uma das formas de violência previstas no artigo 7º da Lei Maria da Penha".
Atualmente, o Judiciário utiliza mecanismos como a Lei da Alienação Parental e o Código Penal para responsabilizar agressores. A jurisprudência brasileira tem recepcionado milhares de processos sobre violência psicológica, relativizando barreiras para proteger mulheres e menores.
3. Como identificar sinais?
Para identificar os sinais, é importante entender a manifestação do abuso, que é exposto em comportamentos de coação e controle. Por isso, a vítima deve estar atenta com:
- Ameaças de retirada da guarda dos filhos como forma de punição emocional.
- Impedimento de convivência com familiares queridos para isolar a mulher.
- Manipulação de terceiros para vigiar ou constranger a ex-parceira.
- Destruição de objetos pessoais significativos para demonstrar poder.
Print do site da prefeitura de São Paulo, que consta a aba de endereços de Delegacias de Defesa da Mulher, além de outras formas de contatos para a denúncia — Foto: Reprodução / Prefeitura de São Paulo A denúncia pode ser feita presencialmente em Delegacias de Polícia da Mulher ou através do Disque 180. Este canal oferece atendimento gratuito, sigiloso e orientações sobre a rede de proteção. Medidas protetivas de urgência, como o afastamento do lar e a proibição de contato, podem ser solicitadas imediatamente após o registro da ocorrência. O sistema de justiça prioriza o afastamento do agressor para interromper o ciclo de violência psicológica.
Segundo o site do Governo Brasileiro, "é possível fazer a ligação de qualquer lugar do país ou acionar o canal via chat no Whatsapp (61) 9610-0180. Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, por meio do 190." Além disso, o canal do YouTube do Ministério das Mulheres tem um tutorial bem explicativo.
5. Guia para organização de provas e documentação
Para instruir o processo judicial, a coleta de evidências deve ser sistemática e técnica:
- Registros digitais: salve capturas de tela de conversas em aplicativos de mensagens. Mantenha os arquivos originais e áudios, pois eles comprovam o objetivo do agente.
- Nuvem e backup: armazene cópias de segurança em locais externos para evitar a perda de dados caso o aparelho seja danificado ou subtraído.
- Laudos profissionais: o advogado criminalista Antonio Gonçalves afirma que a "mãe pode contar com o auxílio de um profissional para tanto como um psicólogo e, até mesmo, um psiquiatra que fornecerão um laudo para instruir o processo".
- Testemunhas: identifique pessoas que presenciaram as ameaças ou a conduta abusiva contra os filhos e outros familiares.
- Danos materiais: fotografe objetos destruídos ou bens danificados que possuam valor afetivo, anexando as imagens ao boletim de ocorrência.
Veja mais informações no TechTudo:
O INSTAGRAM VAI FICAR PAGO? Calma! Não é bem assim...

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
1 semana atrás
5

/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/8/B/BipKq0RvSuqjBsnCGStA/design-sem-nome-50-copy.png)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/T/Y/VeA4dpQX6et03QWJ5VeQ/eternidade.jpeg)


:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)



:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2024/o/u/v2hqAIQhAxupABJOskKg/1-captura-de-tela-2024-07-19-185812-39009722.png)






Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro