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12 filmes de comédia que vão te fazer rir, mas também pensar

Filmes de comédia têm o propósito claro de fazer rir, mas existem produções inteligentes que instigam o pensamento crítico do espectador. Além de oferecer piadas bem-humoradas, títulos como Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (2022), O Feitiço do Tempo (1993), Fuga das Galinhas (2020) e Barbie (2023) lançam reflexões que devem ser levadas a sério, como feminismo, valorização da vida, existencialismo, liberdade e igualdade. Por sorte, muitos desses títulos podem ser reassistidos na Netflix, Amazon Prime Video, Disney+, YouTube, entre outras plataformas.

Se você assistiu alguns desses filmes e não captou os significados mais profundos, o TechTudo elencou uma lista com 12 produções para você assistir com outros olhos. Todos os títulos a seguir estão disponíveis em plataformas de streaming e aluguel como Além de elenco e enredo, você confere as notas da imprensa e público junto com as mensagens importantes de cada filme.

 Reprodução/Warner Bros. Pictures Margot Robbie desempenha o papel titular em Barbie, como a boneca estereotipada — Foto: Reprodução/Warner Bros. Pictures

Busca uma comédia que te faça rir e pensar ao mesmo tempo? Então acompanhe a lista a seguir.

  1. Feitiço do Tempo (1993)
  2. Monty Python - O Sentido da Vida (1983)
  3. Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (2022)
  4. Robôs (2005)
  5. Thelma (2024)
  6. Barbie (2023)
  7. Cara Gente Branca (2014)
  8. Fuga das Galinhas (2000)
  9. Obrigado por Fumar (2005)
  10. O Show de Truman (1998)
  11. Não Olhe Para Cima (2021)
  12. BÔNUS: Idiocracia (2006)

1. Feitiço do Tempo (1993)

Estrelado por Bill Murray (Os Caça-Fantasmas) e Andie MacDowell (Casamento Sangrento), Feitiço do Tempo é uma comédia cult que está disponível para aluguel no Amazon Prime Video, Apple TV+, Claro TV+ e YouTube. No enredo, o repórter de TV Phil Connors (Murray) é enviado para fazer a cobertura de um evento chamado "Dia da Marmota", realizado em uma cidade do interior. Connors nutre um desprezo pela festa e pelos moradores, mas o que ele não esperava é que um loop temporal faça com que ele reviva diariamente o mesmo dia.

Quem é mais ligado em filosofia já deve ter percebido a relação entre o enredo de Feitiço do Tempo com a teoria do "eterno retorno", conceito elaborado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844 - 1900) no livro A Gaia Ciência. O ciclo de ininterrupto de vivências instiga Phil Connors (e até mesmo o espectador) a refletir se o loop é uma benção por permitir a ele desfrutar de uma ótima vida, ou uma maldição, por prender o protagonista em um ciclo de ressentimentos e frustrações mal-resolvidos. Feitiço do Tempo possui nota 8 no IMDb e aprovação "fresh" de 94% no Rotten Tomatoes.

 Reprodução/IMDb Feitiço do Tempo mostra um repórter de TV preso em um looping temporal — Foto: Reprodução/IMDb

2. Monty Python - O Sentido da Vida (1983)

O grupo britânico de comédia Monty Python já hávia zoado a lenda de Rei Arthur no longa Em Busca do Cálice Sagrado (1975) e até o cristianismo em A Vida de Brian (1979). Em O Sentido da Vida, a trupe formada por Graham Chapman (O Pirata da Barba Amarela), John Cleese (franquia Harry Potter), Terry Gilliam (Os Doze Macacos), Eric Idle (Shrek Terceiro), Michael Palin (Um Peixe Chamado Wanda) e Terry Jones, que assina a direção do longa, montou uma antologia de esquetes para tentar descobrir a resposta de uma milenar pergunta: afinal, qual é o sentido da vida?

No longa presente no Amazon Prime Video, Apple TV+, Claro TV+ e YouTube, os Pythons passam por cima de todos os baluartes que sustentam as convenções sociais: do comportamento sexual cristão aos enigmas do universo, do autoritarismo do exército ao colonianismo britânico. Tudo isso para rir (e refletir) do absurdo que permeia todos os elementos simbólicos presentes na cultura ocidental. Entre o público, o longa obteve nota 7,5 no IMDb. Já entre a crítica, a avaliação ficou em 86% no RT.

 Reprodução/The Movie Database Trupe britânica de comédia usa de diversas esquetes para lançar reflexões ácidas sobre os absurdos da existência — Foto: Reprodução/The Movie Database

3. Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (2022)

Sucesso no Oscar de 2023, com sete estatuetas conquistas, Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo acompanha a vida de Evelyn Wang, uma imigrante chinesa dividida entre as atribulações familiares e os problemas de sua lavanderia com a receita federal. Durante uma audição do fisco, ela recebe a visita de uma versão alternativa de seu marido que diz que somente Evelyn pode parar com uma ameçada do multiverso chamada Jobu Tupaki. O longa está no catálogo do Max.

Com roteiro e direção de Daniel Kwan e Daniel Scheinert (Um Cadáver Para Sobreviver) e protagonismo de Michelle Yeoh (A Noite das Bruxas), Jamie Lee Curtis (franquia Halloween) e Ke Huy Quan (Loki), o longa usa de diversos gêneros em seu enredo, mas o conceito principal do longa (que são as múltiplas realidades) soa como uma metáfora para as diferentes escolhas e perdas que acumulamos ao longo da vida e como lidamos com elas. No IMDb e RT, o filme apresenta médias de 7,8 e 94% (selo "fresh").

 Reprodução/IMDb Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo é recheado de lições sobre as decisões que tomamos e as perdas deixadas pelo caminho — Foto: Reprodução/IMDb

A animação infantil do Disney+ reuniu as vozes de Ewan McGregor (franquia Star Wars), Halle Berry (X-Men - O Filme) e Robin Williams (Jumanji) em uma aventura retrofuturista cheia de significados escondidos. Em um mundo habitado apenas por robôs, Rodney Lataria (McGregor) sonha em ser um inventor importante assim como O Grande Soldador (Mel Brooks), um gênio da robótica e empresário. Mas Rodney descobre que a empresa liderada pelo seu ídolo já não fabrica peças para modelos ultrapassados como ele, o que motiva o protagonista a reverter essa decisão.

Filmes infantis são constantemente subestimados pelos adultos, mas Robôs abriu espaço para discutir temas de gente grande. A começar pela prática da obsolescência programada, uma estratégia industrial para construir propositalmente produtos de pouca durabilidade para serem substituídos mais rapidamente. Essa lógica, aplicada à realidade dos personagens, ainda debate o quão nocivo é a ideia de lucro empresarial acima do bem-estar social; nesse caso, a distribuição igualitária e adequada de peças para todos os robôs. O longa recebeu médias 6,4 e 64% no IMDb e RT.

 Reprodução/The Movie Database Robôs discute desigualdade social e obsolescência programada em um contexto infantil — Foto: Reprodução/The Movie Database

Lançado despretensiosamente em 2024, Thelma surpreendeu público e crítica ao mostrar um filme de ação e comédia protagonizado por atores idosos. June Squibb (Nebraska) interpreta a personagem-título, uma senhora de 93 anos que perde US$ 10 mil em um um golpe telefônico. Sem ter ajuda da polícia para reaver o dinheiro, Thelma chama Ben, seu melhor amigo, para encontrar o criminoso. Completam o elenco Fred Hechinger (The White Lotus), Malcolm McDowell (Laranja Mecânica) e Richard Roundtree (Shaft).

Disponível para aluguel no Prime Video, Apple TV+, Claro TV+ e YouTube, o filme de estreia do diretor e roteirista Josh Margolin sensibiliza o público ao mostrar não só o etarismo gritante ainda existente na sociedade, como também o sentimento de deslocamento que as gerações da era analógica, como Thelma e Ben, têm em meio aos avanços digitais. O longa recebeu aprovação de 98% no Rotten Tomatoes (selo "fresh") e média 7 no IMDb.

 Reprodução/Mubi Thelma é uma mistura de ação e comédia disponível na Prime Video — Foto: Reprodução/Mubi

Presente na Max, o maior fenômeno cultural dos cinemas em 2023 finalmente colocou a boneca Barbie numa trama em live action inesquecível para diferentes gerações. Margot Robbie (Babilônia) e Ryan Gosling (Diário de uma Paixão) interpretam Barbie e Ken genéricos em um mundo habitado por diferentes versões dos brinquedos da Mattel. De repente, Barbie lida com problemas de aparência que só uma viagem no mundo dos humanos pode resolver.

Por ser dirigido por Greta Gerwig (Frances Ha), famosa por tratar de temas feministas em suas obras, Barbie usa do existencialismo à la Simone de Beauvoir para questionar o real papel da mulher em uma sociedade baseada em construções dicotômicas e patriarcais de gênero, além de puxar os homens para o mesmo debate. Vencedor do Oscar de Melhor Canção Original, o longa recebeu nota 6,8 no IMDb e aprovação de 88% no Rotten Tomatoes, com selo "fresh".

 Reprodução/The Movie Database Barbie diverte mulheres de todas as gerações, mas também abre discussões sobre o papel da mulher na sociedade — Foto: Reprodução/The Movie Database

7. Cara Gente Branca (2014)

A comédia satírica do diretor Justin Simien (Mansão Mal-Assombrada) mostra a união de um grupo de estudantes negros para debater racismo em uma faculdade predominantemente branca. Por meio do seu programa de rádio, a locutora acadêmica Samantha White desnuda toda a cadeia de eventos preconceituosos que acontece na instituição. Quando um grupo de estudantes brancos e ricos decide fazer uma festa de Halloween com "blackface", em resposta à militância de Samantha, a radialista se reúne com um grupo de amigos de diferentes personalidades para afrontá-los.

Com um enredo desses, nem é preciso esclarecer que Cara Gente Branca oferece ao espectador verdades incovenientes (a depender de quem esteja assistindo) sobre classe, raça e gênero. O longa conta com as atuações de Tessa Thompson (Thor: Ragnarok), Tyler James Williams (Todo Mundo Odeia o Chris), Kyle Gallner (Sorria), Teyonah Parris (Clonaram Tyrone!), Dennis Haysbert (24 Horas), entre outros. Disponível no Disney+, o longa recebeu médias de 6,4 no IMDb e 88% no RT. Vale lembrar que o sucesso do filme ainda rendeu uma série homônima na Netflix.

 Reprodução/The Movie Database Um grupo de estudantes negros decide protagonizar o debate sobre racismo para colegas brancos — Foto: Reprodução/The Movie Database

8. Fuga das Galinhas (2000)

Essa animação em stop motion dirigida pela dupla Peter Lord (Piratas Pirados!) e Nick Park (Wallace & Gromit - A Batalha dos Vegetais) se passa em uma fazenda no Interior da Inglaterra onde vive Ginger, uma galinha inteligente e idealista que há anos bola um plano para salvar todos os seus iguais do cruel destino de serem mortos. Repentinamente chega até a fazenda o galo americano Rocky, que aparentemente sabe voar. Ginger precisa aprender esse dom o mais rápido possível, antes que uma máquina industrial recém-chegada na fazenda possa matar todas as galinhas de uma vez.

Além das notas elogiosas da crítica, Fuga das Galinhas (que está na Netflix e Telecine) também foi tratado por esse mesmo público como um manifesto femininista, uma vez que o plano de fuga é idealizado e coordenado por mulheres. Críticas ao especismo, tipo de discriminação contra seres de outras espécies, também são observadas no longa. Com vozes de Mel Gibson (Mad Max), Julia Sawalha (Absolutely Fabulous), Imelda Staunton (The Crown) e Miranda Richardson (Perdas e Danos), o longa recebeu aprovação de 97% no RT (selo "fresh") e nota 7,1 no IMDb.

 Reprodução/DreamWorks Estrelado por Mel Gibson e Julia Sawalha, A Fuga das Galinhas ganhou uma sequência em 2023, distribuída pela Netflix — Foto: Reprodução/DreamWorks

9. Obrigado por Fumar (2005)

Baseado no romance satírico de Christopher Buckley, Obrigado por Fumar faz uma crítica ácida ao lobby da indústria do tabaco e de outras corporações igualmente controversas nos Estados Unidos. O personagem central dessa história é Nick Naylor, um lobista que atua a favor do fim das propagandas contra o cigarro nos EUA. Embora seja talentoso em sua área, ele não consegue ser um pai modelo para o filho Joey, que está em dúvida sobre o real caráter de seu pai. Para piorar, militantes antitabagistas fazem de Nick um alvo para planos obscuros.

Presente no Disney+, filme conta com as presenças de Aaron Eckhart (Batman: Cavaleiro das Trevas), Cameron Bright (Reencarnação), Katie Holmes (Dawson's Creek) e William H. Macy (Shameless). Com 86% de aprovação no RT e nota 7,5 no IMDb, o longa foi elogiado por explicar de forma bem-humorada como a propaganda movida por grandes corporações tem grande peso na opinião pública americana, além de retratar temas como saúde e o direito à escolha dos cidadãos.

 Reprodução/The Movie Database Obrigado Por Fumar faz uma crítica ácida ao lobby do tabaco nos Estados Unidos — Foto: Reprodução/The Movie Database

10. O Show de Truman (1998)

Antes do boom dos reality shows, o astro da comédia Jim Carrey (Sonic - O Filme) e o diretor Peter Weir (Sociedade dos Poetas Mortos) já discutiam o tema no longa O Show de Truman. Carrey interpreta Truman Burbank, um homem que vive de forma pacata em uma cidade litorânea. Ele não sabe, mas toda sua vida, desde o nascimento, é um programa de TV. Aos poucos, Truman desconfia da simulação, o que pode ameaçar o futuro do show e do próprio protagonista.

Numa época antes dos reality shows, influencers digitais e transmissões IRL (In Real Life/Na Vida Real) na Internet, Show de Truman antecipava o tipo de entretenimento baseado na vida cotidiana dos cidadãos. O longa também discute a idealização de uma vida perfeita mediada pelas corporações de mídia e o direito à individualidade e privacidade em meio à expansão das câmeras (sejam elas de uso pessoal ou público, como celulares e sistemas de segurança). Disponível no Telecine e Mercado Play, Show de Truman possui nota 8,2 no IMDb e 94% no RT (selo "fresh").

 Reprodução/IMDB Jim Carrey como Truman Burbank em O Show de Truman: O Show da Vida (1998) — Foto: Reprodução/IMDB

11. Não Olhe Para Cima (2021)

Leonardo DiCaprio (Titanic), Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes), Rob Morgan (Bull), Jonah Hill (Certas Pessoas), Timothée Chalamet (Duna), Cate Blanchett (Tár) e Meryl Streep (O Diabo Veste Prada) são alguns dos astros presentes na comédia satírica Não Olhe Para Cima. No enredo, a doutoranda Kate Dibiasky (Lawrence) e seu orientador Randall Mindy (DiCaprio) descobrem um enorme cometa em rota de colisão com a Terra. Com pouco tempo para agir, os dois se deparam com uma onda de descrença da população e oportunismo por parte do governo e empresários.

Acompanhando o espírito do tempo dos anos de 2020 e 2021, a Netflix lançou a comédia dramática Não Olhe Para Cima em plena quarentena mundial durante a pandemia da COVID-19. O filme era para ser uma crítica ao negacionismo climático, mas acabou se relacionando com uma fase da década de 2020 onde os slogans "fique em casa" e "a economia não pode parar" entravam em conflito nas redes sociais (e em parte do espaço público). Indicado a quatro Oscar, o longa do diretor Adam McKay (Vice) recebeu nota 7,2 no IMDb e aprovação de 56% no RT.

 Reprodução/JustWatch Não Olhe Para Cima faz um alerta cômico sobre o negacionismo científico — Foto: Reprodução/JustWatch

12. BÔNUS: Idiocracia (2006)

Idiocracia é um dos poucos casos do cinema onde uma comédia é capaz de causar medo com o futuro. A trama começa em 2005, quando o bibliotecário Joe Bauers é selecionado pelo exército americano a participar de um programa de hibernação criogênica. Era para Joe ficar adormecido por um ano apenas, mas ele acaba acordando em 2505, ano em que a humanidade decaiu em termos de inteligência. Em um mundo habitado por idiotas, Joe agora é o humano mais inteligente da Terra.

Comédia para alguns, documentário para outros, Idiocracia especula como seria o futuro da humanidade se o consumismo, o entretenimento chulo e o desinteresse pela política e ciência afetasse o intelecto das pessoas. O diretor Mike Judge (criador da série Beavis & Butt-Head) conta com Luke Wilson (Legalmente Loira), Maya Rudolph (Fortuna), Dax Shepard (Zathura) e Terry Crews (Brooklyn Nine-Nine) no elenco principal. Indisponível no streaming nacional, Idiocracia acumula nota 6,5 no IMDb e aprovação de 75% no Rotten Tomatoes (selo "fresh").

 Reprodução/The Movie Database Um homem desperta 500 anos no futuro e descobre que a sociedade americana se imbecilizou — Foto: Reprodução/The Movie Database

Com informações de IMDb (1, 2, 3) e Rotten Tomatoes (1, 2)

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