
- Author, Alex Bysouth e Rahul Shrivastava
- Role, BBC Sport
Published Há 20 minutos
Tempo de leitura: 27 min
Estádios banhados pelo sol, com lotação esgotada, souvenirs chamativos, gols icônicos e jogadores brilhantes.
Os eventos fora do campo reverberavam tão alto quanto os dramas vividos nos gramados. O maior palco do futebol mundial era tratado com o brilho de Hollywood.

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Foi naquele verão que o futebol aterrissou de vez nos Estados Unidos, em um verdadeiro touchdown acompanhado pelo glamour de estrelas americanas de todos os gêneros, de Stevie Wonder a Robin Williams, de Oprah Winfrey a Diana Ross.
"Criamos a impressão de que este era um evento único e que todos precisavam se envolver", relembra o ex-presidente da Federação Americana de Futebol (US Soccer), Alan Rothenberg. "A forma como organizamos a Copa do Mundo mudou tudo."
Esta é a história da Copa do Mundo da Fifa de Futebol Masculino de 1994, nos Estados Unidos — um verão futebolístico que acordou um continente, de onde o Brasil voltou com a taça pela quarta vez.

A única liga profissional de futebol dos Estados Unidos havia sido desfeita apenas nove anos antes da Copa. Foi o fim de uma década de glamour, iniciada em 1975, quando a equipe do New York Cosmos tirou da aposentadoria o rei Pelé (1940-2022), pagando o maior salário do mundo na época.

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Os craques Franz Beckenbauer (1945-2024), Carlos Alberto Torres (1944-2016) e Johan Neeskens (1951-2024) acompanharam Pelé no Giants Stadium de Nova Jersey, completamente lotado.
Ali, o mascote era o coelho Pernalonga e era possível ver jogadores e presidentes se misturando com astros e estrelas, como Barbra Streisand, Mick Jagger e Muhammad Ali (1942-2016).
George Best (1946-2005), Johan Cruyff (1947-2016), Gerd Müller (1945-2021). Grandes jogadores de futebol atravessaram o Atlântico até o fim desta era dourada, causado pela expansão desmedida, excesso de gastos e diminuição do público, além do fracasso dos Estados Unidos por não ter conseguido promover a Copa de 1986, realizada no México.
Mas aquela fase deixou no país a chama da paixão pelo esporte. E esta chama foi suficiente para convencer a Fifa de que os Estados Unidos ainda eram um campo fértil para fazer crescer a popularidade do futebol.
Foi assim que os Estados Unidos Unidos se tornaram o primeiro país, fora da Europa e da América Latina, a promover o maior torneio futebolístico do mundo.

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Mas, para isso, havia uma condição: criar uma nova liga de futebol profissional. O desejo da Fifa era que a Major League Soccer iniciasse em conjunto com a Copa do Mundo.
Rothenberg tinha diversas ideias para americanizar o jogo. Uma delas era permitir que os jogadores dessem voltas em torno das traves, como no hóquei sobre o gelo.
Ele prometeu ao então secretário-geral da Fifa, Sepp Blatter, que lançaria a liga se a Copa fosse bem sucedida.
Os primeiros sinais do brilho que os Estados Unidos queriam trazer para a Copa do Mundo surgiram durante o sorteio dos grupos, realizado no Caesars Palace, em Las Vegas.
Os cantores James Brown (1933-2006) e Smokey Robinson se apresentaram no evento. O comediante Robin Williams (1951-2014) usou uma luva cirúrgica para sortear as equipes e ainda brincou com Blatter na ocasião.

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Houve uma semana de shows musicais no icônico Hollywood Bowl, em Los Angeles, que reuniu desde a Orquestra Sinfônica de Moscou até a banda Red Hot Chili Peppers.
Celebridades surgiam em todos os eventos possíveis, como os cantores Stevie Wonder, Enrique Iglesias, Barry Manilow, Liza Minnelli e Bryan Adams. Até os pugilistas Evander Holyfield e Oscar De La Hoya participaram da turnê promocional.
"Não acho que houvesse muito conhecimento ou interesse pela Copa do Mundo nos Estados Unidos", conta Rothenberg à BBC Sport. "O que sabíamos é que os americanos adoram um grande evento. Por isso, reunimos artistas e celebridades."
"Muito do que fizemos nunca havia sido feito antes", prossegue ele. "E funcionou."
Sonho americano que começou em um trailer

Quando Rothenberg assumiu a presidência da US Soccer, acabou também por se tornar presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo.
A Copa pode ter sido marcada pelo brilho, mas Rothenberg encontrou uma pequena organização dirigida por voluntários, "sem estrutura futebolística". Ela operava em um trailer cedido de graça pelo Comitê Olímpico americano na sua sede, em Colorado Springs.
Eles usaram o poder da Copa do Mundo para conseguir patrocínio e melhores instalações. E também convocaram as cidades-sede a oferecer serviços de primeira, em termos de transporte e segurança, além de estádios prontos e acabados para receber o público.
Chicago, por exemplo, havia recebido o papa João Paulo 2° (1920-2005) no ano anterior. Rothenberg se lembra de ter dito ao prefeito da cidade que "mais pessoas se preocupam com a Copa do Mundo e, por isso, espero o mesmo tratamento".

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Mas os Estados Unidos precisavam melhorar também dentro de campo.
A seleção do país havia se classificado para a Copa de 1990, na Itália, pela primeira vez depois de 40 anos. E perdeu os três jogos da fase de grupos.
"Aquela amostra foi simplesmente um desastre", relembra Rothenberg.
"Precisávamos encontrar uma forma de dar credibilidade ao time, pois, se déssemos vexame, aumentariam os descrentes. Havia muito desrespeito em relação à nossa capacidade."
Dos jogadores que compuseram a seleção americana de 1994, sete jogavam no exterior. Os demais eram jogadores universitários ou disputavam ligas regionais, contratados pela US Soccer.
Eles ficaram sob a orientação do experiente técnico sérvio Bora Milutinovic, ex-treinador do México e da Costa Rica em Copas do Mundo.

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Milutinovic realmente trabalhou para conseguir o cargo. Ele encontrou em San José, na Califórnia, o assistente de Rothenberg, Steve Sampson, e insistiu para ser contratado.
O zagueiro Alexi Lalas chamava o técnico sérvio de mistura de "Zé Colmeia e Yoda". Ainda assim, em 1991, Milutinovic venceu o holandês Rinus Michels (1928-2005) e o português Carlos Queiroz, e se tornou o treinador da seleção americana.
Bora Milutinovic dirigiu a seleção dos Estados Unidos como se fosse um clube. Ele criou um programa de residência de 16 meses perto de Los Angeles, onde todos os treinos incluíam fute-tênis.
Eles jogaram mais de 90 partidas em três anos antes do torneio. E chegaram a vencer a impotente Inglaterra do técnico Graham Taylor (1944-2017) por 2x0, durante a US Cup de 1993.
O "saco de risadas do futebol internacional", segundo o jornal britânico The Independent.

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Nenhuma seleção do Reino Unido disputou a Copa de 1994, algo que não acontecia desde 1938, na França. Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e o País de Gales não conseguiram se classificar para o primeiro Mundial realizado nos Estados Unidos.
No seu livro The Big Bounce: The Surge That Shaped the Future of US Soccer ("O grande salto: a onda que moldou o futuro do futebol dos Estados Unidos", em tradução livre), Rothenberg conta que as autoridades americanas ficaram aliviadas por não terem "hooligans britânicos gritando nos nossos aeroportos, tentando fazer estragos".
Oprah, OJ e a cerimônia de abertura

Os Estados Unidos viviam um momento de grande fluxo cultural.
O mundo acabava de perder Kurt Cobain (1967-1994). Michael Jordan jogava em ligas pequenas de baseball e o futebol precisava competir com uma série de filmes de Hollywood lançados naquele verão, como Velocidade Máxima, O Máscara e Forrest Gump: O Contador de Histórias.
O desenho da Disney O Rei Leão foi lançado no mesmo dia do jogo Brasil x Camarões, o segundo da seleção brasileira na Copa. Bebeto, Romário e Márcio Santos foram os astros do seu longa-metragem particular, marcando 3x0 no placar.
A apresentadora de TV Oprah Winfrey deu as boas-vindas a um público de 750 milhões de pessoas em todo o mundo, durante a cerimônia de abertura no estádio Soldier Field, em Chicago. Em seguida, ela caiu no palco.
Antevendo o desfecho do torneio, a cantora Diana Ross chutou a bola para fora, longe do gol, em uma cobrança de pênalti na cerimônia de abertura. Mas, de qualquer forma, as traves desabaram.
Não fosse o bastante, a vitória da Alemanha sobre a Bolívia por 1x0 no jogo de abertura mereceu apenas uma nota de rodapé nos telejornais da noite, enquanto os carros de polícia perseguiam O. J. Simpson (1947-2024) por quase duas horas pela Califórnia.

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O goleiro da Itália, Gianluca Pagliuca, e seus companheiros de equipe acompanharam tudo no Somerset Hills Hotel em Nova Jersey, enquanto se preparavam para a sua estreia no dia seguinte, contra a seleção da Irlanda.
"Ficamos chocados, eu me lembro com muita clareza", relembra ele.
"Observamos toda a perseguição se desenrolando ao vivo na TV. Era como assistir a um filme, algo quase irreal. Ficamos todos grudados na televisão."

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A Azzurra teve uma recepção incrível em Nova Jersey, por parte de uma grande diáspora italiana que seguia cada um dos seus movimentos.
"Foi realmente maravilhoso", relembra Pagliuca. "Havia sempre guarda-costas controlando a situação, já que eram muitos italianos morando ali, pedindo fotos e autógrafos."
Já os irlandeses não receberam a mesma efusividade do público local, de maioria italiana. E ainda precisaram se adaptar ao clima da região.
Alguns jogadores chegaram a perder 3 a 4 kg durante os treinamentos, encharcados pelo suor. Mas o técnico Jack Charlton (1935-2020) e o atacante John Aldridge travariam discussões acaloradas com os bandeirinhas durante o torneio.
"No ônibus, a caminho do estádio, só conseguíamos ver camisas e bandeiras da Irlanda, o que nos deu muita esperança", contou o meio-campista Ray Houghton ao Serviço Mundial da BBC.

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Entre os torcedores, animada com a Copa do Mundo disputada na porta de casa, estava Heather O'Reilly, futura estrela da seleção feminina dos Estados Unidos. Ela tinha então nove anos de idade.
"Com um sobrenome como O'Reilly, é fácil imaginar o entusiasmo para torcer pela Irlanda", ela conta.
"Eu me lembro das pessoas fazendo embaixadas no estacionamento, cozinhando, ouvindo os tambores. Tudo aquilo teve enorme influência sobre mim."
Um meio-voleio de Houghton selou a surpresa: vitória da seleção irlandesa contra a Itália por 1x0 no Giants Stadium, mesmo tendo quase subido ao gramado com o uniforme errado. Quando as duas equipes se alinharam no túnel, a Itália também estava vestindo camisas brancas.

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"Nós olhávamos uns para os outros e nos perguntávamos 'bem, um de nós está errado, mas quem será?'", relembra ele. "Descobrimos que éramos nós. Precisamos voltar correndo para o vestiário."
"Imagine Jack Charlton repreendendo um roupeiro pelo erro! Aquilo simplesmente nos descontraiu. Saímos rindo e sorrindo para os hinos nacionais."
No mesmo dia, em Detroit, os Estados Unidos conseguiram um empate contra a Suíça por 1x1.
O atacante Eric Wynalda, com sua camisa azul estrelada, marcou o gol americano com um chute direto no canto superior, levado pelos treinos noturnos no estádio coberto Pontiac Silverdome, onde a equipe assistiu a um vídeo motivacional.

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"Eu pedi ao chefe dos roupeiros que trouxesses minhas chuteiras e duas bolas", relembra Wynalda.
"Eu queria ver se conseguiria acertar dois chutes livres. As bolas simplesmente dispararam. Pensei 'uau, a bola age diferente neste estádio'."
O barulho da torcida quando seus esforços deram resultado deixaram Wynalda "elétrico".
Quando ele voltou para o hotel após o jogo, um dos seus heróis do futebol, atuando como comentarista, o esperava no bar.
O ex-jogador inglês Chris Waddle "acena para mim e diz 'você paga as duas próximas rodadas por aqui!".

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Depois de eliminado nas oitavas de final em 1990, na Itália, o Brasil chegou à Copa de 1994 com a melhor campanha nas eliminatórias sul-americanas. Foram cinco vitórias em oito jogos disputados, incluindo goleadas contra a também classificada Bolívia (6x0) e a Venezuela (5x1 e 4x0).
Mas a campanha também foi marcada pela primeira derrota brasileira em eliminatórias para a Copa do Mundo, para a Bolívia em La Paz, por 2x0.
Dirigida por Carlos Alberto Parreira e com Zagallo (1931-2024) como auxiliar técnico, a seleção estreou na Copa vencendo a Rússia por 2x0 em Palo Alto, com gols de Romário e Raí. Foi a primeira Copa disputada pela seleção russa, após a dissolução da União Soviética (1922-1991).
Depois de vencer Camarões no mesmo estádio por 3x0 (com gols de Romário, Márcio Santos e Bebeto), o Brasil fechou a fase de grupos empatando por 1x1 com a Suécia e se classificou como primeiro colocado do grupo. Romário marcou contra os suecos, em Detroit.
O jornalista Ledio Carmona acompanhava a seleção brasileira e percebeu um "interesse curioso" entre o público americano.
"Os olhares eram um tanto exóticos", ele conta. "Algo como 'o que é essa fascinação que cativa tantas pessoas neste esporte?'"
Rothenberg conta que os diretores da Fifa ficaram "deslumbrados" com os enormes públicos.
"Eu me lembro de Sepp Blatter ligando para mim, era um jogo da rodada de abertura e os ingressos estavam esgotados. Ele ficou simplesmente estupefato."

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A saída de Maradona e a tragédia colombiana
A Argentina se classificou para a Copa na repescagem contra a Austrália.
Mesmo assim, logo na primeira rodada, o implacável Gabriel Batistuta marcou três gols, levando seu time a uma vitória de 4x0 contra a Grécia, estreante em Copas do Mundo.
Mas quem receberia as manchetes seria o jogador que marcou o quarto gol naquele jogo.
Diego Maradona (1960-2020) havia sido suspenso por 15 meses, ao testar positivo para cocaína em março de 1991. Ele estava incomodado e acima do peso quando voltou ao futebol, primeiro no Sevilha, da Espanha, e, por um breve período, no Newell’s Old Boys da Argentina.
Parecia improvável que ele pudesse disputar a Copa do Mundo sem um rigoroso regime e um programa de treinamento. Mas ele perdeu quase 13 kg e anunciou:
"Estou cansado de todos os que disseram que eu estava gordo e não era mais o grande Maradona. Eles irão ver o verdadeiro Diego na Copa do Mundo."
Ele tinha então 33 anos. E seu extraordinário gol contra a Grécia foi um retrato do seu passado glorioso. Uma rápida troca de passes na entrada da área, dois toques sutis para abrir espaço e um tiro de perna esquerda, direto no canto superior.
Sua comemoração foi ainda mais simbólica, se arremessando contra a câmera e rugindo para a lente, com a boca aberta e os olhos esbugalhados.

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Aquele seria o último gol de Maradona em Copas do Mundo.
Em sua participação final, o mágico argentino criaria as jogadas que resultaram nos dois gols de Claudio Caniggia, que levaram a alviceleste a vencer por 2x1 outro estreante na Copa, a Nigéria, no jogo seguinte.
"Precisei marcá-lo homem a homem", relembra o nigeriano Sunday Oliseh.
"Nunca vi um jogador controlar a bola como ele fazia. Ele fez a diferença. Era simplesmente um gênio."
Mas a campanha da Argentina na Copa saiu de controle quando o exame antidoping de Maradona naquele jogo mostrou traços de substâncias proibidas.
Ele alegou inocência. Seu treinador pessoal havia comprado o suplemento alimentar errado, Ripped Fuel, em vez de Ripped Fast.
Mas o filho favorito da nação argentina foi suspenso antes do último jogo da fase de grupos, contra a Bulgária.

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"Diego estava desesperado, estava em pedaços, começou a chorar, se trancou no quarto e não queria falar com ninguém", contou à BBC Roberto Peidro, membro da equipe médica da Argentina.
Ele comparou o ambiente da concentração com "um funeral".
A Argentina estava entre as favoritas para a conquista da Copa até a suspensão de Maradona, mas perdeu em Dallas por 2x0, para uma seleção búlgara inspirada pelo atacante Hristo Stoichkov. E acabou voltando para casa nas oitavas de final, ao perder por 3x2 para outra surpresa, a Romênia.
Outra seleção que foi para a Copa de 1994 com grandes expectativas foi a da Colômbia, automaticamente classificada após bater a Argentina por 5x0 em Buenos Aires, no ano anterior.
Figuras como Pelé, Johan Cruyff e o italiano Arrigo Sacchi indicavam os colombianos como possíveis favoritos.
Com seu uniforme reserva na cor azul, a Colômbia perdeu por 3x1 para a Romênia na sua estreia em Pasadena, na Califórnia. Os romenos Raducioiu e Gheorghe Hagi balançaram as redes do goleiro Óscar Córdoba, que havia substituído o antigo titular, René Higuita, preso no ano anterior.

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Em meio às ameaças de morte ao técnico colombiano Francisco Maturana, transmitidas nas telas de TV no hotel da concentração e atribuídas aos cartéis de drogas do país, a seleção colombiana enfrentou a novata equipe dos Estados Unidos na segunda rodada da fase de grupos.
Aos 35 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Andrés Escobar (1967-1994) fez um gol contra, dificultando ainda mais a missão colombiana. Earnie Stewart fez o segundo gol americano, para alegria dos quase 94 mil torcedores presentes ao estádio Rose Bowl, em Pasadena.
Adolfo Valencia descontou para a Colômbia no final do jogo, fechando o placar em 2x1. Os Cafeteros venceram a Suíça no jogo final da fase de grupos por 2x0, mas acabaram eliminados da Copa.

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Ao voltar à Colômbia, Escobar escreveu um artigo para o jornal colombiano El Tiempo, dizendo: "A vida não termina aqui."
Mas, apenas 10 dias depois do seu gol contra, o jovem de 27 anos foi morto a tiros na porta do Bar El Indio, na cidade colombiana de Medellín, após uma discussão no estacionamento do local.

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O assassinato foi apresentado como uma morte por vingança. Outras pessoas, como o próprio Maturana, consideraram Escobar uma vítima infeliz da violência reinante na sociedade colombiana naquela época.
A morte do zagueiro marcou um final trágico à era de ouro do futebol do país.

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A saída dos donos da casa, frente ao Brasil

Os Estados Unidos se classificaram no seu grupo e, mais do que isso, receberam de presente um embate emocionante nas oitavas de final, contra o Brasil. A animação foi ainda maior, pois o jogo seria disputado no dia 4 de julho, data da independência americana.
"Foi uma guerra", relembra Carmona.
"Os americanos deram tudo de si para vencer no Dia da Independência. O jogo foi dramático. Um verdadeiro duelo na Copa do Mundo."

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No lado brasileiro, Leonardo foi expulso no final do primeiro tempo, ao atingir o meio-campista americano Tab Ramos com o cotovelo.
Ramos conta que, depois do golpe, ele se sentiu como se fosse morrer, mas o técnico Milutinovic tentou fazê-lo voltar, antes da intervenção dos médicos.
Leonardo iria visitá-lo posteriormente no hospital, para se desculpar com o jogador americano.

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"Entrei para substituir Tab", conta Wynalda.
"Eu não sabia se ele sobreviveria àquilo. Sua aparência era horrível. Ele é um ótimo amigo, foi realmente muito difícil."
"Saímos de campo mais ou menos rapidamente e a primeira pergunta foi 'como está Tab? Ele está bem? Ele ainda está conosco?' Estávamos muito preocupados."
Os donos da casa seguraram o placar até o gol de Bebeto, aos 27 minutos do segundo tempo.
O Brasil seguia na Copa, para enfrentar a Holanda nas quartas de final. E, para os milhares de torcedores americanos no estádio, a derrota por 1x0 foi uma saída gloriosa do torneio, provando que a seleção americana inspirava confiança.

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"Mesmo com a tristeza, nós comparecemos a um evento pouco depois do jogo e Robin Williams estava presente", conta Wynalda.
"Em 30 segundos, ele nos fez rir muito e esquecer aquilo. Ele simplesmente reiterou como estava orgulhoso, ele e os Estados Unidos, do que havíamos acabado de fazer."
Para Rothenberg, aquele jogo foi "uma reviravolta para o futebol" nos Estados Unidos.
"Todos conhecem o grande e impactante entusiasmo dos torcedores brasileiros. Mas havia um número igual de torcedores americanos, com rostos pintados, acenando com bandeiras, dançando nas ruas."
"Foi quando pensei 'sabe de uma coisa? Nós nos tornamos um país do futebol.' E acho que isso permanece até hoje."

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Já a Itália se classificou em terceiro lugar no seu grupo. As quatro equipes terminaram com o mesmo número de pontos.
Pagliuca foi suspenso por dois jogos após ter sido expulso no jogo contra a Noruega. Foi a primeira expulsão de um goleiro em uma Copa do Mundo.
Por isso, ele perdeu o último jogo da seleção italiana na fase de grupos (um empate contra o México por 1x1) e a vitória sobre a Nigéria na segunda fase, por 2x1, após prorrogação.

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Seu substituto, Luca Marchegiani, se saiu tão bem que Pagliuca chegou a pensar que sua participação no torneio havia acabado.
Ele estava no seu quarto de hotel, assistindo a uma partida de golfe na TV com seu colega Roberto Donadoni, quando o auxiliar técnico da seleção italiana veio confirmar o retorno do goleiro titular na partida contra a Espanha, pelas quartas de final.
O auxiliar técnico da Itália na Copa de 1994 era o atual treinador da seleção brasileira, Carlo Ancelotti.
"Para mim, a Copa do Mundo começou, na verdade, naquela noite", conta Pagliuca. "No jantar, eu obviamente estava muito feliz, mas não podia demonstrar isso."
"Após o jantar, nós costumávamos sair para caminhar, para auxiliar a digestão. Eu fumava um cigarro quando Marchegiani se aproximou de mim e perguntou se eu sabia de algo. Eu me senti mal, mas haviam me pedido para manter segredo."
Os ícones do verão americano

O verão futebolístico de 1994 nos Estados Unidos foi marcado por desempenhos individuais notáveis.
O búlgaro Hristo Stoichkov chegou às semifinais com seis gols ao longo do torneio. Seu desempenho o levou a ser o artilheiro da Copa, ao lado do russo Oleg Salenko, que marcou cinco vezes em um único jogo, a vitória de 6x1 contra Camarões na fase de grupos.

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"Stoichkov era um jogador notável, absolutamente único", relembra Pagliuca. "Ele estava no auge da carreira e era muito perigoso, mas nós o marcamos extremamente bem."
A Bulgária enfrentou a Itália nas semifinais, depois de eliminar os detentores do título, a Alemanha, por 2x1.
Stoichkov ganharia a Bola de Ouro naquele ano, mas a Itália tinha o seu próprio herói: Roberto Baggio.
O "Rabo de Cavalo Divino", como era chamado, foi para o sacrifício com a expulsão de Pagliuca contra a Noruega, mas serviu de inspiração para a Azzurra nos jogos eliminatórios.
Baggio fez o gol de empate no final do jogo contra a Nigéria, nas oitavas de final, e marcou de novo para classificar a Itália na prorrogação.
Nas quartas de final, ele driblou o goleiro Andoni Zubizarreta para marcar o gol da vitória italiana sobre a Espanha por 2x1, a dois minutos do final da partida. E também assinalou dois gols mágicos na semifinal contra a Bulgária no Giants Stadium, vencida pela Itália também por 2x1.

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"A partir das oitavas, Baggio explodiu e nos carregou até a final", relembra Pagliuca. "Ele marcou gols incrivelmente importantes."
"Ele não era só um grande jogador, mas uma pessoa verdadeiramente boa. Ele tinha uma personalidade calorosa, muito brincalhão, sempre rindo e brincando — perfeito para o vestiário."
"Tínhamos um ótimo grupo", conta o goleiro. "Nós nos sentíamos bem juntos."
Na outra chave, estava o talentoso romeno Gheorghe Hagi. Depois de trocar o Real Madri pelo Brescia, ele passou a temporada na Série B italiana e ficou descontente com o clube, que negou sua transferência para substituir Maradona no Napoli.
"A motivação da Copa do Mundo fez com que ele se reinventasse", relembra o jornalista romeno Emanuel Rosu. "Do nada, ele começou a treinar cada vez mais e melhor do que ninguém."

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"Ele disse que era uma 'bomba', antes da viagem da Romênia para os Estados Unidos, de tão preparado", relembra o jornalista. "Ele dizia para as pessoas à sua volta que a Romênia poderia vencer o torneio."
"Basicamente, ele impulsionou todo o time na direção certa. E também o país. Havíamos acabado de sair das trevas do comunismo."
A campanha da Romênia na Copa de 1994 terminou nas quartas de final, em uma derrota nos pênaltis para a Suécia, outro vibrante ataque do torneio.
Mas o desempenho de Hagi conquistou os torcedores romenos e surpreendeu todo o mundo.

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Para a Romênia, aquela "foi a maior alegria dos anos 1990, depois que a sangrenta revolução matou milhares de pessoas e os mineiros foram duas vezes a Bucareste, poucos anos antes, agredindo as pessoas e os opositores do regime", relembra Rosu.
"Romênia 94 pacificou a sociedade e nos iluminou a todos. Houve muitos votos para Hagi escritos à mão nas eleições presidenciais realizadas poucos anos depois. Ele era muito popular."
Bebeto e Baggio vão às lágrimas

Relembrando a Copa de 1990, na Itália, os Três Tenores — Luciano Pavarotti (1935-2007), José Carreras e Plácido Domingo — se apresentaram no Dodger Stadium, em Los Angeles, na noite anterior à final da Copa de 1994.
Estavam presentes o ex-presidente americano George Bush (1924-2018), Arnold Schwarzenegger, Frank Sinatra (1915-1998), Nicole Kidman e Tom Cruise.
Paralelamente, os diretores da US Soccer recebiam elogios.
A Copa do Mundo havia atingido recordes de público, com 3,6 milhões de pessoas presentes a 52 jogos. A média de gols por jogo foi superior à Copa anterior e os lucros financeiros foram imensos.

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E o Brasil, onde estava nesta história?
O país ainda vivia o luto pelo seu herói nacional, Ayrton Senna (1960-1994). O acidente que causou a morte do tricampeão mundial de Fórmula 1 havia ocorrido apenas dois meses antes da Copa.
Após a vitória sobre os donos da casa nas oitavas de final, a seleção brasileira derrotou a Holanda por 3x2 em um jogo memorável nas quartas de final, com gols de Romário, Bebeto e Branco. Na semifinal, o Brasil eliminou a Suécia ao vencer por 1x0, com gol de Romário.
Com estes resultados, Brasil e Itália disputariam a final da Copa no estádio Rose Bowl, em Pasadena, repetindo a final de 1970 no México.
Mas o jogo contra os holandeses ficou marcado pela icônica comemoração de Bebeto ao marcar o segundo gol do Brasil, balançando seu bebê.

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Dois dias antes do jogo pelas quartas de final, Bebeto recebeu na concentração um telefonema da sua esposa, avisando que o filho do casal havia nascido saudável. E, em questão de uma hora, a TV Globo conectou o atacante, a esposa e o recém-nascido por um link de vídeo.
Mattheus comemora 32 anos em 2026. Atualmente, ele é meio-campista do Tampa Bay Rowdies, que disputa a USL Championship, a segunda divisão americana.
"Foi totalmente espontâneo", declarou Bebeto posteriormente à Fita. "Ainda fico emocionado ao falar sobre isso."
A semifinal entre Brasil e Suécia também foi disputada no Rose Bowl. Já a Itália precisou voar da costa leste para a final da Copa, a ser disputada no sol da Califórnia, ao meio-dia.
Carmona conta que os jornalistas "derreteram nas arquibancadas", mas, para Pagliuca, o tempo era mais fresco no gramado.
"Havia menos umidade", ele conta. "Lembro que era muito mais quente em Nova York e em Boston. Surgiu até uma leve brisa no final."

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Brasil x Itália foi um tenso empate sem gols, o primeiro 0x0 em uma final de Copa do Mundo.
O momento mais marcante foi um chute de longa distância de Mauro Silva. A bola passou pelos dedos de Pagliuca e bateu na trave.
Aliviado, o goleiro italiano beijou a luva e acariciou o poste.
"Beijei a trave porque ela salvou minha carreira", diz ele, sorrindo. "Se aquela bola tivesse entrado, eu ficaria marcado para o resto da vida. Todos se lembrariam do erro de Pagliuca na final."

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A batida na trave fez com que a final fosse lembrada pelo pênalti decisivo perdido por Roberto Baggio.
Três jogadores já haviam perdido seus pênaltis na decisão: Franco Baresi e Daniele Massaro, pela Itália, e Márcio Santos, pelo Brasil.
A vitória brasileira viria justamente dos pés do jogador que havia conduzido a Itália até a final. Baggio cobrou e mandou a bola por cima do gol.
Foi um final agonizante para a mágica campanha do italiano. O Brasil era tetracampeão mundial de futebol.

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"É claro que a decepção foi enorme", relembra Pagliuca. Ele abraçou o atacante após o pênalti perdido.
"Ele se sentia particularmente culpado, mas nós dissemos que ele havia nos levado até ali. Por isso, não havia por que se desculpar."
"Este é o futebol", destaca o goleiro. "Você pode ser um herói em um momento e outra coisa no momento seguinte."
"Nós tentamos confortá-lo ao máximo possível. Ele ficou muito abalado. Até hoje, quando o vejo, às vezes falamos sobre aquilo."
"As emoções daquele dia ficarão comigo para sempre."

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Na concentração do Brasil, a sensação era de alívio. Mas persistiram os debates sobre o cauteloso estilo da seleção de 1994, aparentemente incomum para o futebol brasileiro — e que rendeu vaias durante as eliminatórias.

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"Os cartolas também receberam muitas críticas", relembra Carmona. "Um deles atacou um jornalista durante a comemoração do título."
"Havia também uma luta de poder entre a imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo, cada uma com suas próprias preferências técnicas e táticas. O ambiente era tenso, mesmo na comemoração."
O técnico Carlos Alberto Parreira permaneceu imperturbável. Ele respondeu aos seus críticos citando um dos grandes expoentes da música norte-americana.
"Como Frank Sinatra naquela canção, I did it my way" — "eu fiz do meu jeito", declarou Parreira.

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O nascimento da Major League Soccer

A Copa dos Estados Unidos foi um sucesso. E a Major League Soccer, a principal liga de futebol americana, foi lançada dois anos depois.
"Na minha opinião, a Copa do Mundo de 1994 foi muito importante para aproximar os americanos do futebol", segundo Pagliuca.
Rothenberg destaca que "houve muito ceticismo por parte da maioria dos torcedores de futebol do mundo, que coçavam a cabeça, dizendo: 'Como este país que não é do futebol conseguiu organizar isso?' Acho que eles passaram a acreditar de verdade."
Eric Wynalda foi o autor do primeiro gol da MLS, na vitória do San José Clash sobre o DC United por 1x0, em abril de 1996. Ele recebeu uma ligação de Jürgen Klinsmann, campeão mundial pela Alemanha Ocidental em 1990, comemorando o feito: "Não sei se você percebeu a importância deste gol."

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Atualmente, a MLS conta com 30 equipes. Ela já recebeu astros internacionais como David Beckham, Zlatan Ibrahimovic, Kaká, Wayne Rooney e Lionel Messi.
Mas Rothenberg afirma que a liga teria "sido um desastre", não fosse pelo sucesso da Copa de 1994.

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A Fifa recusou algumas das propostas iniciais de mudanças nas regras do futebol, como a ideia de Rothenberg sobre o "hóquei no gelo" e o aumento do tamanho da bola e das traves.
"Examinamos a possibilidade de dividir o jogo em quatro tempos. Promovemos a ideia dos gols maiores, que acabou sendo rejeitada. Sepp Blatter respondeu que 'não podemos mudar o tamanho da rede em cada país do mundo!'"
Rothenberg e seus colegas perceberam que precisavam se concentrar nos torcedores já existentes. Por isso, eles eliminaram os relógios em contagem regressiva e os chutes de 35 jardas (32 metros), adotados em substituição à decisão por pênaltis.
"Tentar converter pessoas que não apreciam futebol seria uma batalha longa e árdua e estávamos ofendendo os puristas", explica ele.
Houve época em que era difícil até mesmo encontrar futebol na TV americana. Rothenberg conta que não houve cobertura em língua inglesa da Copa do Mundo de 1990 nos Estados Unidos.
Agora, com a Copa de 2026, os jogos masculinos e femininos são imensamente populares e totalmente integrados à cultura americana.

Crédito, Getty Images
"Saímos da ausência da televisão para a saturação completa", analisa ele.
"Agora, você entra em um estacionamento e as crianças estão chutando uma bola de futebol, não lançando um passe para a frente", como no futebol americano.
"Se você visitar os shoppings, é mais provável encontrar pessoas vestindo réplicas de camisas do seu time local, do Messi, do Bayern de Munique ou do Tottenham, Real Madri e Barcelona. Elas se destacam até mesmo em cidades onde reina o baseball ou o futebol americano."
Para Rothenberg, este é o verdadeiro legado da Copa do Mundo de 1994.

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