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63% dos brasileiros que usam apps de namoro teriam date com IA; você toparia?

Um estudo divulgado pela empresa de segurança digital Norton indica que 63% das pessoas que utilizam aplicativos de namoro no Brasil considerariam sair com uma inteligência artificial (IA). A pesquisa aponta que a solidão é um dos principais fatores por trás desse comportamento, que não se restringe ao país e aparece em outras regiões do mundo. O relatório também alerta que a normalização de vínculos emocionais com IA amplia vulnerabilidades e pode aumentar a exposição a golpes amorosos praticados no ambiente digital. Veja detalhes a seguir.

 Arte/TechTudo Estudo aponta que a solidão é um dos principais fatores de possíveis dates com IA; entenda — Foto: Arte/TechTudo

Você sairia com uma IA? Entenda o estudo

De acordo com o estudo, 39% dos entrevistados acreditam ser possível desenvolver sentimentos românticos por uma IA. Isso pode estar relacionado ao desenvolvimento de sistemas de IA projetados para serem atenciosos, empáticos e sempre disponíveis, qualidades que podem rapidamente estimular o apego. Quase metade dos entrevistados (47%) afirma que um parceiro de IA poderia ser mais compreensivo emocionalmente do que um parceiro humano.

Mas o relatório mostrou que esse fenômeno não é exclusivo entre os brasileiros. A pesquisa, intitulada 2026 Norton Insights Report: Artificial Intimacy, foi realizada em 14 países, incluindo o Brasil, entre julho e agosto de 2025, entrevistando mais de 14 mil pessoas com 18 anos de idade ou mais. Em Hong Kong, 82% dos usuários de apps de namoro afirmam que aceitariam sair com uma IA. A Austrália registra 70%, enquanto Alemanha e Japão aparecem com 65% cada, todos acima do índice brasileiro, reforçando que a normalização da intimidade artificial é global.

 Reprodução/Norton Mapa mostra visão global de quem está aberto a namorar IA em cada país — Foto: Reprodução/Norton

Solidão impulsiona vínculos com tecnologia

O estudo aponta a solidão como fator central para a aproximação com a IA. No Brasil, 82% das pessoas afirmam sentir-se solitárias, percentual que sobe para 90% entre integrantes da Geração Z. Um terço dos entrevistado afirmou que esse sentimento aumentou desde a pandemia de Covid-19, e 24% admitiram que a solidão os leva a tomar decisões mais arriscadas quando se trata de encontros online.

Com redes tradicionais de apoio sob pressão, a tecnologia passa a ocupar um espaço emocional relevante, o que amplia a disposição para vínculos mais profundos com sistemas digitais. Esse comportamento aparece no uso recorrente da IA para apoio emocional. Mais da metade dos usuários de aplicativos de namoro no Brasil (52%) afirma que recorreria a um chatbot como terapia após um término amoroso.

“Quando os níveis de solidão são altos, a confiança pode se formar muito rapidamente no ambiente online para preencher esse vazio, e é exatamente disso que os golpistas se aproveitam para explorar nossa necessidade de amor e companhia”, afirma Leyla Bilge, Head Global de Pesquisa de Golpes na Norton.

Entre aqueles que já utilizaram IA para conselhos sobre namoro, 61% dizem confiar mais em um coach de relacionamentos baseado em IA do que em amigos ou familiares para receber conselhos. Além disso, 29% afirmam que conversariam com um chatbot para lidar com um dia difícil, enquanto 50% dizem confiar, total ou parcialmente, na IA para oferecer conselhos amorosos seguros ou éticos.

O lado perigoso dos relacionamentos digitais

No Brasil, 27% dos usuários atuais de aplicativos de namoro afirmam já ter sido alvo de um golpe romântico, e 84% dos atingidos relatam ter caído na fraude. Entre eles, 36% dizem ter sido pressionados a enviar dinheiro e 35% foram abordados por perfis que alegavam ser celebridades ou figuras públicas. Mais de um terço dos entrevistados afirmaram ter compartilhado informações pessoais, e 17% efetivamente enviaram dinheiro, segundo o relatório.

Dados do Relatório de Ameaças da Gen indicam que a engenharia social representa mais de 90% das ameaças digitais direcionadas a pessoas. Golpes românticos estão entre os mais recorrentes, com mais de 17 milhões de tentativas bloqueadas apenas no quarto trimestre de 2025, crescimento de 19% em relação a 2024, em escala global. O avanço desses crimes acompanha o aprofundamento dos vínculos emocionais no ambiente digital.

 Reprodução/baona/Getty Image Uso intenso de chatbots de IA podem estimular solidão e ampliar perigo de golpes em relacionamentos amorosos, diz estudo — Foto: Reprodução/baona/Getty Image

O relatório também listou sinais recorrentes associados a golpes românticos, como recusa em realizar chamadas de vídeo, perfis com poucas fotos ou imagens roubadas, pressa em criar intimidade e pedidos de dinheiro ou favores financeiros. Como forma de proteção, a recomendação é desconfiar de abordagens rápidas, evitar o compartilhamento de dados pessoais, não enviar dinheiro, ativar autenticação em dois fatores e manter perfis privados. Verificar imagens e limitar interações fora das plataformas também pode reduzir riscos.

“À medida que mais pessoas buscam conexão por meio de aplicativos, chatbots e ferramentas digitais, é fundamental fazer uma pausa, proteger as informações pessoais e lembrar que a confiança verdadeira nunca deve vir acompanhada de pressão ou segredo. A IA em si não é um golpe, e muitas pessoas sentem que ela é genuinamente acolhedora ou reconfortante, mas ainda é artificial e não há substituto para a conexão humana real”, avaliou Leyla Bilge.

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