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A corrida das IAs vai deixar seu próximo PC mais caro? Entenda

A chegada dos PCs com hardware dedicado para inteligência artificial deixou de ser tendência e virou padrão de mercado. Com as novidades da CES 2026, fica claro que a nova geração de máquinas sairá de fábrica com processamento neural integrado, unindo o poder das NPUs ao desempenho das GPUs. Impulsionada por gigantes do setor e pelas novas diretrizes do Windows — que exige chips potentes para recursos locais de IA —, a expectativa do mercado é clara: em 2026, mais de 50% dos PCs vendidos no mundo devem ser categorizados como "AI PCs".

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação sobre o impacto dessa transição no bolso do consumidor. Afinal, chips mais potentes exigem litografias avançadas, componentes de memória de alta largura de banda e o desenvolvimento de softwares otimizados. Enquanto isso, as fabricantes tentam equilibrar a conta com preços competitivos para acelerar a adoção global. Mas até quando isso será possível? Para te ajudar a entender, o TechTudo analisou um relatório da Newsis que aponta uma valorização de até 150% em componentes de memória. Então, respondemos à pergunta que realmente importa: vale comprar um PC agora ou é melhor esperar? Confira!

 gerado pelo nano banana ) PCs com NPU devem dominar o mercado até 2026, mas a transição pode elevar preços no curto prazo. Estudos apontam que mais de 50% dos modelos terão IA embarcada — Foto: gerado pelo nano banana

Esperar ou comprar agora? Como saber a hora de adquirir um novo PC

Os estudos mais recentes mostram que 2026 será o ano de virada da indústria, pois mais recursos de IA rodarão no próprio dispositivo. Para entender essa mudança, como ela pode afetar preços e seu próximo upgrade, separamos tudo o que você precisa saber. Veja os pontos abordados na matéria:

  1. O que é uma NPU?
  2. Por que as NPUs se tornaram padrão na geração 2025/2026?
  3. O que fabricantes projetam para a próxima linha de chips?
  4. Quais fatores pressionam o preço?
  5. Vale comprar agora?

A NPU (Unidade de Processamento Neural) é um componente projetado especificamente para executar tarefas de IA com alta velocidade e baixo consumo de energia, atuando de forma complementar à CPU e à GPU. Por isso, ela assume funções essenciais, como reconhecimento de imagem, processamento de linguagem natural e a inferência de modelos de linguagem locais. Essa divisão de trabalho reduz a carga geral do sistema e maximiza a eficiência energética, permitindo que processos complexos de IA rodem sem depender da nuvem — o que garante mais velocidade, segurança e privacidade.

A adoção massiva dessa tecnologia teve início com chips como o Intel Core Ultra (Meteor Lake), AMD Ryzen AI e Qualcomm Snapdragon X Elite. Esses processadores inauguraram o conceito de AI PCs, que agora amadurece com modelos mais potentes e prontos para rodar recursos de software embarcados, como no Windows 11 e nos aplicativos de produtividade.

 Divulgação/Microsoft NPU é uma das exigências para laptops compatíveis com Copilot+ — Foto: Divulgação/Microsoft

2. Por que as NPUs se tornaram padrão na geração 2025/2026?

O mercado vive um momento de virada: os AI PCs representaram 31% das vendas em 2025 e a projeção é que superem a marca de 50% em 2026. Esse salto é impulsionado, em grande parte, pelo setor corporativo, que passou a adotar a IA local para reduzir a dependência da nuvem, cortar custos operacionais e elevar a segurança de dados. Essa demanda criou uma pressão para que as fabricantes incluíssem NPUs até mesmo em modelos intermediários.

Outro fator crucial para essa aceleração é o fim do suporte ao Windows 10, ocorrido em outubro de 2025. O encerramento do ciclo de vida do sistema operacional forçou empresas e usuários domésticos a iniciarem uma atualização em massa de suas máquinas. Como o mercado agora é dominado por hardware de nova geração, esse ciclo de renovação naturalmente consolidará os computadores com inteligência artificial como o novo padrão global.

 Getty Images Dell Inspiron 16 Plus traz a NPU Intel® Core™ Ultra, um processador que otimiza as atividades de inteligência artificial — Foto: Getty Images

3. O que fabricantes projetam para a próxima linha de chips?

Intel, AMD e Qualcomm consolidam de vez essa arquitetura com chips como Intel Lunar Lake, AMD Strix Point e Snapdragon X Elite 2. O foco desses modelos é o processamento de IA local, preservando o alto desempenho sem sacrificar a eficiência energética. A indústria prevê três níveis de PCs com IA: básicos, avançados e de alta capacidade. Para acompanhar essa divisão, as fabricantes aceleram a integração de SLMs (Small Language Models) que rodam totalmente offline. Como consequência, ferramentas como o Copilot+ e assistentes personalizados exigirão hardware cada vez mais robusto, tornando obsoletos os chips sem NPUs de alto desempenho nas linhas premium.

Já no segmento gráfico, a linha GeForce RTX 50, da NVIDIA, introduz o recurso Multi Frame Generation, que usa de processamento local de IA para aumentar a geração de quadros durante a execução de jogos. Para isso, a tecnologia pega um frame e, com base nele, gera até outros cinco. Assim, ela suaviza o trabalho do componente, entrega um número de quadros maior e uma imagem mais suave para o usuário final.

 Brigida Nogueira/TechTudo Processador Intel Lunar Lake — Foto: Brigida Nogueira/TechTudo

4. Quais fatores pressionam o preço?

O custo de desenvolvimento dos novos chips é o principal fator de encarecimento, já que NPUs potentes exigem litografias de ponta, novas matrizes de silício e designs mais complexos. Além disso, o consumidor final enfrenta uma concorrência agressiva com o setor de infraestrutura: a demanda massiva dos data centers de IA por componentes e matérias-primas limita a oferta e inflaciona os preços globalmente. Soma-se a isso a "corrida das TOPS", na qual, a cada geração, as fabricantes elevam a capacidade de processamento neural — uma escalada tecnológica que encarece a produção e alimenta a competitividade no setor.

Nesse cenário, NVIDIA e AMD preparam um aumento que pode chegar a 150% no preço das placas de vídeo já a partir do próximo mês. Segundo o relatório da agência sul-coreana Newsis, o vilão é o alto custo das memórias (como as GDDR7 e HBM), cujos estoques estão sendo priorizados para servidores de IA.

Embora as NPUs sejam o coração da nova arquitetura de produtividade, essa crise de suprimentos atinge todo o ecossistema. Como as memórias de alta performance são essenciais tanto para o processamento gráfico quanto para as unidades neurais, o custo de fabricação dos AI PCs como um todo acaba pressionado. A tendência é que essa elevação persista durante todo o ano, já que não há previsão de normalização na cadeia de suprimentos.

"De acordo com especialistas ouvidos pela Newsis, o cenário é crítico porque 'a participação da memória no custo total de fabricação das GPUs disparou recentemente, ultrapassando a marca de 80%', o que torna quase impossível para as fabricantes absorverem esses gastos sem repassá-los ao consumidor.", afirma o relatório.
 Letícia Rosa/TechTudo Notebook Acer AI PC Intel Core Microsoft Copilot+ NVIDIA — Foto: Letícia Rosa/TechTudo

Se você precisa renovar o computador imediatamente por trabalho, estudo ou produtividade, pode comprar agora. Os modelos atuais foram fabricados antes da alta de preços, e as primeiras gerações de NPUs não são tão úteis para usuários casuais. Por outro lado, quem deseja comprar um modelo de notebook mais potente, ou montar um PC gamer de alto desempenho, deve esperar um pouco mais e torcer para os valores voltarem ao normal.

Com isso, a decisão depende do seu perfil. Para usuários criativos, produtores de conteúdo e profissionais que dependem de IA ou de GPUs potentes, o momento de investir é agora: com a alta de até 150% no horizonte próximo, aguardar pode significar pagar muito mais caro pelo mesmo hardware em poucos meses.

Já para quem tem um perfil de uso básico, focado em navegação, pacote Office e streaming, a disparada nos componentes premium ainda não deve impactar drasticamente os modelos de entrada no curto prazo. Nesse caso, a compra pode ser feita com mais calma, de acordo com a necessidade de renovação do aparelho.

 Microsoft Microsoft transforma todo Windows 11 em AI PC com agentes autônomos — Foto: Divulgação: Microsoft

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