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A despeito de Trump e Putin, União Europeia vence na Hungria ao destronar Viktor Orbán

Por Sandra Cohen

Especializada em temas internacionais, foi repórter, correspondente e editora de Mundo em 'O Globo'

Vitória do opositor Péter Magyar, com maioria absoluta, representa o realinhamento geopolítico do país e a derrota da principal referência da extrema direita no continente.


Oposição vence eleição na Hungria e encerra 16 anos de governo de Viktor Orbán

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“Meus compatriotas húngaros, nós conseguimos! Esta noite, a verdade prevaleceu sobre as mentiras”, resumiu Magyar, diante da multidão que lotou as margens do Rio Danúbio para comemorar a vitória.

Peter Magyar , líder do partido da oposição Tisza, segura uma bandeira nacional após a divulgação dos resultados parciais das eleições parlamentares, em Budapeste — Foto: REUTERS/Marton Monus

O triunfo do opositor é igualmente o da União Europeia, paralisada pela atuação de Orbán como sabotador de acordos importantes — seja para fortalecer a Rússia, impedindo a aplicação de um pacote de sanções, seja para enfraquecer a Ucrânia, bloqueando a liberação de empréstimos de 90 bilhões de euros para ajudar o país.

“A Hungria escolheu a Europa. Um país está de volta ao seu caminho europeu. A União da Europa está mais forte. O coração da Europa bate mais forte esta noite na Hungria”, festejou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Ex-aliado do premiê, Magyar conhece por dentro a estrutura do partido Fidesz e demonstrou ter ferramentas para combatê-lo. No discurso de vitória, ele deixou claro que seu governo reintegrará a Hungria ao sistema judicial da União Europeia e voltará a ser uma aliada do bloco e da Otan.

Suas palavras corroboram que a posição do país em relação à guerra de Putin na Ucrânia mudará de rumo, distanciando-se da influência do Kremlin.

Na mão inversa, a reaproximação com a Europa trará benefícios à Hungria, abrindo o caminho para o bloco liberar fundos de 19 bilhões de euros ao país, bloqueados em retaliação às medidas autocráticas de Orbán.

A ascensão de Péter Magyar representa, portanto, o realinhamento geopolítico da Hungria. Como declarou o premiê eleito, “a Hungria está na Europa há 1.000 anos e vai continuar lá”.

A extrema direita, por sua vez, parece ter perdido o rumo, com a derrocada de seu principal modelo de referência na Europa.

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