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A polarização ainda navega no mar das incertezas

Não há hoje no horizonte razões substantivas para se temer pela continuidade da vigência do regime democrático no Brasil, ao menos no que concerne às candidaturas presidenciais já apresentadas.

O presidente Luiz Inácio da Silva (PT) faz jus ao histórico de respeito à legalidade em derrotas anteriores quando diz que, se perder, nada lhe cabe a não ser aceitar o resultado. O principal oponente, Flávio Bolsonaro (PL), sinaliza só aceitar como legítima a vitória, mas a prisão do pai confere ao discurso o tom de bravata desprovida de lastro na realidade.

Portanto, a defesa da democracia é bandeira eleitoral com prazo de validade vencido. Se quiserem conquistar os votos determinantes dos indecisos/independentes —algo na casa do 30% do eleitorado—, vão precisar combater no campo do atendimento às demandas daqueles desprovidos de emoções ideológicas.

Esse pessoal já sabe como Lula governa, mas não faz a mais pálida ideia de como Flávio Bolsonaro pretende governar. A referência da gestão do pai é negativa e a tentativa do filho de imprimir colorido moderado às convicções da família esbarra nas convicções do clã sobre a maneira de conduzir o país. Flávio negará Jair? Difícil de acontecer.

Brasília Hoje

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Acrescente-se o fato de nenhum dos dois exibir credenciais de estadista. O primogênito do ex-presidente precisa se mostrar em pele diferente. O figurino em tom pastel convencerá os moderados a aderir e os extremados a entendê-la como truque de ocasião?

Da parte do petista, a despeito de juízo de mérito, a vocação para a liderança é inequívoca. As dúvidas que ficam dizem respeito à motivação do eleitorado para mais uma vez confiar na teoria da frente ampla, impulsionada na campanha de 2022 e abandonada na Presidência, além da credibilidade de um programa de governo envelhecido.

Temos, portanto, um problema de credibilidade a assombrar as candidaturas favoritas. O fantasma se materializa nos 62% do eleitorado que ainda não manifestam de modo espontâneo a opção do voto.

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