
Crédito, Jefferson Rudy/Agência Senado
- Author, Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
Published Há 26 minutos
Tempo de leitura: 5 min
"Meu apoio, a minha solidariedade integral a um colega senador da República, e eu tenho a convicção de que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas e um dia elas serão julgadas. E é lá, nesse dia, que a pessoa pode ser condenada ou inocentada", disse, em declaração a jornalistas.
Alcolumbre reclamou ainda do fato de políticos serem tomados como culpados assim que são alvos de operações e fez referência a parlamentares de diferentes partidos terem sido atingidos, sem citar nomes.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) também é suspeito de ter favorecido o Master em troca de propina, enquanto o senador Flávio Bolsonaro negociou o repasse de dezenas de milhões de reais do banco para bancar um filme sobre seu pai Jair Bolsonaro (PL) e chegou a se encontrar com o banqueiro Daniel Vorcaro após sua primeira prisão, quando estava solto com monitoramento eletrônico.
Tanto Nogueira quanto Flávio negaram repetidas vezes qualquer envolvimento em irregularidades.
"Eu vou falar para vocês, na condição de presidente do Congresso Nacional: é muito triste, todo mundo é culpado e condenado antes de ser julgado", criticou Alcolumbre.
"Todos desse país podem ser investigados. Todos podem ter, por parte do Judiciário, algum questionamento. E isso é normal no Estado Democrático de Direito. Mas todos também têm que ter a presunção da inocência, seja ele senador ou deputado federal do PT, ou seja eleito senador ou deputado federal do PL", disse.
Ele criticou ainda o fato de políticos do PT comemorarem quando políticos do PL são alvo de operações e vice-versa.
"Mas tá muito difícil, porque a polarização no Brasil está nos trazendo esse dilema. Porque não é mais o amor que vai prevalecer, é o ódio", continuou.
Logo após o anúncio da operação contra Wagner, Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato ao Palácio do Planalto, atacou o PT.
A fala ocorreu durante o anúncio de 12 medidas para a segurança pública em São Paulo, em evento de sua pré-campanha presidencial. O anúncio foi feito ao lado do senador Sérgio Moro (PL-PR), pré-candidato ao governo do Paraná.
"O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal com operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Como nós sempre dizemos, o cerne de todo esse problema [do Banco Master] era o PT da Bahia e agora começa a vir a tona", disse Flávio.
"Então, um péssimo dia para o Comando Vermelho, para o PCC e também para o PT", continuou.
Já o presidente nacional do PT, Edinho Silva, emitiu uma nota na qual afirma que Wagner é "depositário de toda a nossa confiança".
"Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados", diz o presidente do PT.
"Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência".
A BBC News Brasil entrou em contato com representantes do senador Jaques Wagner e do banqueiro Augusto Ferreira Lima, mas ainda não obteve retorno.

Crédito, Waldemir Barreto/Agência Senado
Entenda a operação contra Jaques Wagner
A nona fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal — que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master — atingiu Jaques Wagner e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, entre outros alvos.
"O senador Jaques Wagner é apontado pela Polícia Federal como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais", afirma decisão assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que é relator do caso.
O senador teria recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio por medidas no Congresso que ajudariam o Banco Master — como a chamada "Emenda Master".
Já Augusto Ferreira Lima é descrito como "gestor ligado ao Banco Master, principal interlocutor privado de Jaques Wagner e figura central na suposta entrega de vantagens econômicas indevidas ao parlamentar e a pessoas de seu entorno".
A PF disse que agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF na Bahia, São Paulo e Distrito Federal.
"Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte", afirma a nota da polícia."
Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro."
Foram autorizadas buscas em endereços ligados ao senador — mas não dentro de seu gabinete no Senado.
A Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil dólares e outros € 33,5 mil na operação desta quinta-feira. Uma fonte que acompanha as investigações afirmou à BBC News Brasil em caráter reservado que o dinheiro foi encontrado em dois endereços ligados a Jaques Wagner. Um no Distrito Federal e outro na Bahia.
As autoridades brasileiras investigam três eixos principais nessa fase da operação:
a possível "entrega de vantagens econômicas", com destaque para a compra de um apartamento em Salvador
a identificação de pagamentos e repasses a empresas "vinculadas ao núcleo familiar de Jaques Wagner"
a verificação de "indícios de atuação parlamentar, por parte do Senador, em temas de interesse do Banco Master", especialmente "em matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e em iniciativa parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB".
A PF diz que Wagner teria encaminhado a Augusto Ferreira Lima dados de um apartamento do empreendimento Poème Horto avaliado em R$ 2,45 milhões. A compra final teria sido feita por outra empresa "em dinâmica que a autoridade policial reputa compatível com ocultação do beneficiário final", segundo a decisão.
Essas tratativas teriam acontecido mesmo depois da deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero.
A PF afirma que a BN Financeira Ltda. — uma "empresa associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner" — teria recebido R$ 3,5 milhões de uma "pessoa jurídica vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima".
As autoridades também dizem que houve "atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master".
Além disso, as autoridades afirmam que há outras questões "mais laterais" por parte de Wagner, como o "uso gratuito de aeronaves vinculadas a Augusto Ferreira Lima ou ao Banco Master"; e o "recebimento de ingressos para shows no exterior de elevado valor".
A decisão cita ingressos à família do senador para shows de uma cantora que teriam acontecido em Los Angeles, em valor superior a R$ 63 mil.

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