Parlamentares de oposição à gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobretudo do PT e do PSOL, têm intensificado suas ações e queixas contra a privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), uma das bandeiras do governador.
O tema será um dos mais explorados durante a campanha eleitoral, e a gestão Tarcísio já ligou o seu alerta e acompanha, de perto, a comunicação da Sabesp.
O pré-candidato Fernando Haddad (PT) e seus aliados tentam, de forma pejorativa, rotular a Sabesp como a Enel da água. A concessionária que fornece energia elétrica para toda a região metropolitana sofre com processo de caducidade após sucessivos apagões.
"O resultado dessa política, que trata um serviço essencial como um ativo financeiro, é sentido pela população. O número de reclamações contra a Sabesp disparou e a empresa assumiu a liderança do ranking de queixas do Procon em 2025, ultrapassando a Enel" afirma o deputado estadual Maurici (PT).
Como reforço às críticas, a oposição cita episódios como a explosão no bairro Jaguaré, que deixou dois mortos e mais de 30 imóveis destruídos, e o rompimento de uma adutora que prejudicou mais da metade do município de Guarulhos desde quinta-feira (28) —a previsão de normalização total do abastecimento é até este domingo.
"Antes da privatização a Sabesp realizava um serviço que tinha, sim, suas deficiências, mas em em um patamar de qualidade muito superior ao que acontece atualmente", diz a deputada estadual Beth Sahão, líder da Minoria na Assembleia Legislativa de São Paulo.
"A realidade é que até agora quatro pessoas já morreram e milhares foram afetadas por imperícias", prosseguiu.
Na esteira destes episódios, o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) apresentou nesta sexta-feira um projeto de lei na tentativa de reverter a privatização. "A Sabesp tem sido reconhecida como uma prestadora de serviços padrão Enel", diz o psolista.
A Sabesp afirmou, em nota, que "discorda da comparação com outras concessionárias e entende que avaliações devem considerar indicadores técnicos, capacidade de investimento e entregas concretas à população".
A companhia afirmou que já realizou o maior ciclo de investimento de sua história, com R$ 15,2 bilhões em 2025. "Nesse período, 2,1 milhões de pessoas passaram a ter acesso à água tratada e 4,3 milhões passaram a contar com coleta e tratamento de esgoto", diz a companhia.
No caso do Jaguará, a Sabesp diz que as famílias afetadas continuam sendo acompanhadas e apoiadas. E em Guarulhos, a companhia diz que normalizou o abastecimento neste domingo.
Procurada pelo Painel neste domingo, a gestão Tarcísio não se manifestou.

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