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'Alta do PIB foi bombada por estímulos insustentáveis', diz pesquisador

A postura fiscal do Ministro da Fazenda [Fernando Haddad] foi sempre de buscar mais receitas para tentar fechar essa conta. Isso é um modelo que não funciona, porque a carga tributária no Brasil já está muito alta e tem limite para aumento de receita. E para aumento de despesa não tem limite, porque aí é o desejo eleitoral de todo mundo. Então, o ministro da Fazenda, ele está realmente numa posição difícil, porque é um ministro da Fazenda que tem um pé na canoa da gestão da economia e outro pé na canoa eleitoral, olhando perspectiva de se eleger alguma coisa lá no futuro. Isso realmente é muito difícil, porque tem uma contradição entre essas duas coisas.
Marcos Mendes

Segundo o pesquisador, as despesas do governo subiram R$ 300 bilhões desde antes da pandemia, com metade desse valor ligada à ampliação do Bolsa Família. Mendes diz que o Executivo decidiu elevar gastos, mas outros poderes também contribuem, como o Legislativo com emendas e o Judiciário ao ampliar benefícios obrigatórios.

Não é só o Executivo que está aumentando a despesa. O Legislativo também está aumentando. Veja a metástase das emendas parlamentares, o crescimento enorme das emendas parlamentares [...] Os três poderes têm cada um a sua cota de responsabilidade no desequilíbrio fiscal. Agora, o Poder Executivo dá o ritmo da política fiscal.
Marcos Mendes

O pesquisador avalia que tanto o antigo teto de gastos quanto o novo arcabouço fiscal fracassaram por falta de compromisso social e por brechas criadas para burlar as regras. Mendes defende reformas estruturais profundas para que o setor público se ajuste à capacidade de arrecadação.

Os dois fracassaram, porque em vez de um acordo social em que todos os grupos, os lobbies se conformaram e se acertaram para gerar reformas, o que teve foi uma iniciativa pulverizada de diversos setores da sociedade para furar o teto e tentar puxar a sardinha para sua brasa.
Marcos Mendes

Ele alerta que, sem mudanças nas políticas inconsistentes, novas regras fiscais serão rapidamente dribladas e o país continuará com dificuldades para fechar as contas sem receitas extraordinárias ou antecipações, o que Mendes chama de "receita predatória".

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