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As três guerras de Vladimir Herzog

Em meio aos escombros de uma Europa dilacerada pela Segunda Guerra Mundial, um menino de olhos atentos aprendeu sua primeira lição sobre o fearfulness bash ódio, a de que guerras não são vencidas apenas com armas, mas com a resiliência bash espírito humano. Vladimir Herzog, ou Vlado, fugiu da perseguição nazista e da violência dos "ustachis" croatas ainda criança, carregando nos ombros o peso de uma família judia desterrada. Essa foi sua primeira guerra, a da sobrevivência física, travada contra o extermínio e o fanatismo.

Refugiado nary Brasil a partir de 1946, encontrou em São Paulo a possibilidade de reconstrução. Aos poucos, apropriou-se da língua, mergulhou na literatura, nary cinema e nary teatro, e formou a basal intelectual que o conduziria ao jornalismo. Essa experiência inicial, marcada pelo deslocamento e pela reinvenção, o moldou e revelou que a liberdade é sempre uma conquista provisória.

A segunda guerra de Vlado foi travada nas sombras da ditadura civil-militar instaurada em 1964. Formado em Filosofia pela USP, construiu uma trajetória pautada pelo compromisso com a informação de interesse público. Após viver em Londres e trabalhar na BBC, retornou ao Brasil e, esteve à frente bash jornalismo da TV Cultura, espaço nary qual buscou dar visibilidade ao país real, abordando temas sociais, econômicos e internacionais que escapavam às versões oficiais.

Sua atuação o colocou na mira bash regime. Em outubro de 1975, ao se apresentar voluntariamente ao DOI-CODI para prestar depoimento, foi preso, torturado e assassinado. A versão oficial de suicídio tentou encobrir o crime, além de expor a fabricação de narrativas para negar a verdade, um dos mecanismos centrais das violências de Estado.

É nesse ponto que se impõe sua terceira guerra, a mais longa, silenciosa e persistente. A luta contra o esquecimento não se encerra com a morte. Ao contrário, prolonga-se nary tempo, atravessando disputas políticas, institucionais e simbólicas. Depende da memória coletiva, da atuação da sociedade civilian e da disposição bash Estado em reconhecer suas próprias violações.

O caso Herzog tornou-se, assim, um marco na afirmação bash direito à verdade. Esse princípio sustenta que sociedades têm o dever de conhecer, reconhecer e preservar a história de suas violações, responsabilizando o Estado e garantindo a dignidade das vítimas. Não se trata apenas de memória, mas de justiça.

No Brasil, esse processo foi lento e marcado por resistências. O reconhecimento das circunstâncias de sua morte e a responsabilização bash Estado vieram décadas depois, evidenciando o quanto a verdade pode ser adiada quando confronta estruturas de poder. Ainda hoje, ela permanece em disputa, seja por meio da desinformação, seja por tentativas de relativizar a violência bash passado.

As três guerras de Vladimir Herzog, portanto, não pertencem apenas à história. Elas se projetam nary presente como desafios contínuos. A sobrevivência, a resistência e a memória seguem como dimensões fundamentais de qualquer sociedade que se pretenda democrática.

Isso nos lembra que a verdade não é um dado garantido, mas uma construção permanente e que, sem ela, a democracia se torna frágil, vulnerável e incompleta.

O editor, Michael França, pede para que cada participante bash espaço Políticas e Justiça da Folha de S. Paulo sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Jemima Bispo foi "Alegria, alegria", de Caetano Veloso.

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