A morte foi inicialmente confirmada pela agência estatal Fars em seu perfil no Telegram. "O líder supremo da Revolução foi martirizado", diz a publicação. O gabinete de governo declarou 40 dias de luto nacional e 7 dias de feriado geral.
Em uma rede social, Trump havia confirmado mais cedo a morte de Khamenei, e disse que o aiatolá não conseguiu escapar dos sistemas de inteligência e rastreamento dos EUA em parceria com Israel.
Veja abaixo, em tópicos, tudo o que se sabe sobre o ataque e suas consequências.
O ataque ocorreu após semanas de negociações tensas e pressão dos EUA para que Teerã encerrasse seu programa nuclear.
O que se sabe do ataque de EUA e Israel:
- Agências de notícias informaram que mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e a instalações utilizadas pelo líder supremo em Teerã, capital do Irã.
- As Forças de Defesa de Israel (IDF) divulgaram um comunicado que lista os membros do alto escalão iraniano mortos.
- Entre eles, está o o líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
- O ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, morreram nos ataques israelenses. Ali Khamenei não estava nesta lista.
- Segundo a agência estatal iraniana Fars, explosões também foram ouvidas nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah, em diferentes regiões do país.
- O Exército israelense afirmou ter atingido “centenas de alvos militares iranianos”, incluindo lançadores de mísseis.
- O ataque deixou 201 mortos e 747 feridos, segundo a imprensa iraniana com base em informações da rede humanitária Crescente Vermelho.
- O bombardeio a uma escola de meninas no sul do Irã deixou mais de 100 mortos, segundo o embaixador do Irã na ONU. Na mesma região, outras 15 pessoas morreram em um ginásio.
O que se sabe sobre a retaliação do Irã:
- Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra o território israelense, onde sirenes de alerta foram acionadas.
- Explosões também foram ouvidas em outros países da região, como Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes Unidos — todos com presença de bases norte-americanas.
- Em comunicado, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado vários mísseis iranianos e informaram que uma pessoa morreu na capital, Abu Dhabi. Uma explosão também foi ouvida em Dubai e vários prédios residenciais foram atingidos no Bahrein.
- Sistemas de defesa antimísseis foram acionados por Israel e por países do Golfo.
- 4 pessoas morreram na Síria após um míssil iraniano atingir um prédio, informou a Reuters.
- Já na noite de sábado, o Irã lançou uma nova rodada de mísseis, mirando alvos militares e de segurança dos EUA e de Israel.
- Uma pessoa morreu e outras 21 ficaram feridas na região de Tel Aviv
- Outra pessoa morreu e mais sete ficaram feridas em um "incidente" no Aeroporto Zayed, em Abu Dhabi.
- Quatro pessoas ficaram feridas após um incidente no Aeroporto Internacional de Dubai, informou o gabinete de imprensa da cidade neste sábado.
- O escritório de comunicação do governo de Dubai confirmou que destroços de um drone interceptado causaram um incêndio na fachada externa do edifício Burj Al Arab.
Veja os locais dos ataques e da retaliação
Mapa mostra os locais dos ataques no Irã e da retaliação — Foto: Arte/g1
Programa nuclear iraniano está no centro do confronto
A escalada militar entre Irã, EUA e Israel tem como pano de fundo uma disputa antiga: o programa nuclear iraniano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças.
Trump considera o programa uma ameaça, embora o governo iraniano negue possuir uma bomba nuclear. Parte da comunidade internacional, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável pela fiscalização nuclear no mundo, contesta a versão iraniana.
Essa é a segunda vez em menos de um ano que os EUA atacam o Irã. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas. A ação ocorreu em apoio a Israel, que travava conflito com o país.
O resultado do ataque de nove meses atrás, no entanto, permanece incerto. Na época, o presidente americano disse que as instalações haviam sido destruídas. Em seguida, Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, afirmou que os ataques causaram danos graves, embora “não totais”.
Saiba mais na reportagem abaixo.
Ali Khamenei, líder supremo do Irã, morreu nos ataques
O governo do Irã e a sua mídia estatal confirmou a morte do aiatolá Ali Khamenei ainda no sábado. A morte foi divulgada pela agência Fars em seu perfil no Telegram. "O líder supremo da Revolução foi martirizado", diz a publicação.
O gabinete de governo declarou 40 dias de luto nacional e 7 dias de feriado geral.
"É com profundo pesar e consternação que informamos que, após o ataque brutal do governo criminoso dos Estados Unidos e do regime abjeto sionista, o modelo de fé, luta e resistência, o líder supremo da Revolução Islâmica, sua eminência o grande aiatolá Ali Khamenei, alcançou a grande graça do martírio", diz o texto.
Segundo a agência estatal, Khamenei foi morto em seu local de trabalho na manhã deste sábado, enquanto cumpria os seus deveres no escritório.
"Os meios de comunicação ligados ao regime sionista e à reação regional alegaram repetidamente que, por medo de assassinato, o Líder da Revolução vivia em um local seguro e escondido. Seu martírio em seu local de trabalho provou, mais uma vez, a falsidade dessas alegações e da guerra psicológica do inimigo", completa a nota.
A agência também compartilhou o comunicado das Guardas Revolucionárias do Irã, que lamentou a morte. "O corpo de Guardas da Revolução Islâmica, as Forças Armadas da República Islâmica e o vasto Basij (milícia popular) continuarão poderosamente o caminho de seu guia para defender o precioso legado deste líder supremo e resistirão contra conspirações internas e externas, punindo exemplarmente os agressores da pátria islâmica".
Veja detalhes na reportagem abaixo.
O que disse Trump sobre os ataques
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou os ataques e disse que o objetivo é “defender o povo americano” de “ameaças do governo iraniano”.
Sobre os alvos da operação, Trump disse que os EUA vão “arrasar a indústria de mísseis até o chão”.
Trump alertou que, como resultado da operação militar dos EUA, “podemos ter baixas”. Segundo o jornal “The New York Times”, o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, havia alertado Trump em reuniões privadas de que tropas americanas poderiam ser mortas ou feridas em uma guerra com o Irã.
Veja a íntegra do pronunciamento na reportagem abaixo.
O que disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o “Irã não deve ter permissão para se armar com armas nucleares” e que a ofensiva “criará as condições para que o povo iraniano tome as rédeas do próprio destino”.
Veja a íntegra do pronunciamento na reportagem abaixo.
O que disse o Ministério das Relações Exteriores do Irã
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país é alvo de uma “agressão militar criminosa” que coloca em risco a paz mundial e pediu providências à ONU.
“Assim como estávamos preparados para negociar, estamos ainda mais preparados do que nunca para defender a integridade do Irã. As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão aos agressores com firmeza.”
Veja a íntegra do pronunciamento na reportagem abaixo.
'Momento de voltar às ruas está próximo', diz opositor iraniano
O príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi, publicou uma mensagem na rede social X logo após os ataques, dizendo que a “ajuda americana finalmente chegou” e que o “momento de voltar às ruas está próximo”.
Durante os protestos de janeiro contra o regime dos aiatolás no Irã, Pahlavi surgiu como possível sucessor de Ali Khamenei. Para alguns, ele é a principal figura da oposição no país.
Ele, que deixou o país na juventude e não retorna ao Irã desde 1978, está longe de ser unanimidade entre analistas e mesmo entre aliados políticos. O jornalista Guga Chacra o descreveu como um “playboy, filho de ditador, que vive no exterior”.
Saiba mais na reportagem abaixo.
Quem são os aliados de EUA e Irã no Oriente Médio
Os ataques de EUA e Israel ao Irã são mais um capítulo no cenário geopolítico do Oriente Médio. A região, uma das mais conflituosas do mundo desde meados do século XX, também concentra diversas bases militares norte-americanas.
Veja abaixo os principais aliados dos EUA e do Irã na região:
- Israel: é o principal aliado dos EUA no Oriente Médio, recebendo armamentos e compartilhando inteligência e tecnologia militar.
- Arábia Saudita: Riad mantém laços estreitos com o Ocidente e com os EUA há décadas, apesar de divergências pontuais que nunca escalaram para conflito aberto. Como principal potência sunita da região e guardiã de Meca, cidade sagrada do Islã, o país mantém rivalidade com o Irã, de maioria xiita.
- Emirados Árabes Unidos: o país da Península Arábica mantém forte cooperação militar e econômica com os EUA.
- Jordânia: a monarquia da família Hashemita é tradicional aliada das potências ocidentais, assim como a família Saud, da Arábia Saudita.
- Bahrein: aliado da Arábia Saudita e dos EUA, que mantêm no país insular do Golfo Pérsico a sede da Quinta Frota.
- Kuwait: é aliado estratégico dos EUA no Golfo Pérsico. Os americanos defenderam o país quando foi invadido pelo regime de Saddam Hussein, do Iraque, em 1990. Desde então, mantêm parcerias em acordos de defesa.
- Egito: embora não se alinhe automaticamente aos EUA em todas as questões regionais, o governo do Cairo recebe ajuda militar americana desde os anos 1970, quando reconheceu Israel e se aproximou do Ocidente para recuperar o controle da Península do Sinai, ocupada por Tel Aviv em 1967. Atualmente, busca atuar como mediador de conflitos.
- Síria: o país era um dos principais aliados do Irã durante o regime de Bashar al-Assad, cuja família pertence a um ramo da minoria xiita local. Após a queda de Assad, o presidente interino, Ahmed Al-Sharaa, ex-integrante da Al-Qaeda local, busca aproximação com Trump e com Israel. Apesar da desconfiança ocidental, ele manteve o espaço aéreo aberto para ataques israelenses ao Irã durante o conflito de junho de 2025.
- Iêmen (houthis): o país é amplamente controlado pelos houthis, grupo xiita que tomou a capital, Sanaa. O regime não tem amplo reconhecimento internacional. Os houthis recebem apoio militar de Teerã e realizam ataques ocasionais contra Israel.
- Hezbollah: o grupo extremista é um partido libanês xiita com milícia própria que atua como força paramilitar. Embora o Líbano permaneça formalmente neutro, o Hezbollah mantém forte aliança com Teerã. O grupo foi enfraquecido em 2024 após ataques israelenses e a morte de seu líder, Hasan Nasrallah.
- Hamas: um dos raros aliados sunitas do Irã. Tanto o Hamas, ligado à Irmandade Muçulmana, quanto os aiatolás compartilham oposição ao Estado de Israel.
- Paquistão: não integra o Oriente Médio, mas faz fronteira com o Irã e costuma se alinhar a Teerã quando o país é atacado ou ameaçado.
Saiba mais na reportagem abaixo.
Veja a repercussão dos ataques
Líderes da Europa, China, Rússia, Japão, França e outros países se manifestaram sobre os ataques pela manhã.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou os ataques como “extremamente preocupantes”.
O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, criticou Trump e questionou a posição de Washington.
“O ‘pacificador’ mostrou mais uma vez sua face”, disse Medvedev, ex-presidente da Rússia. “Todas as negociações com o Irã são uma operação de fachada. Ninguém duvidava disso. Ninguém realmente queria negociar coisa alguma.”
Saiba mais na reportagem abaixo.
O que disse o governo brasileiro
O Itamaraty condenou o ataque conjunto de EUA e Israel ao Irã e afirmou que a negociação entre as partes é o “único caminho viável para a paz”.
Na manifestação, o Ministério das Relações Exteriores “apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção”, a fim de evitar a escalada das hostilidades e assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.
O Itamaraty afirmou que as embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos do conflito e que o embaixador brasileiro em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança.
Saiba mais na reportagem abaixo.
FOTOS e VÍDEOS mostram destruição em Teerã e retaliação iraniana
EUA e Israel realizaram ataque coordenado contra o Irã. Em resposta, o país disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.
Veja as imagens na reportagem abaixo.
Relembre a onda de protestos que tomou o Irã
Os protestos no Irã começaram diante da insatisfação popular com a situação econômica do país. A moeda local sofreu forte desvalorização, enquanto o custo de vida aumentava.
O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, principalmente após a reimposição de sanções pelos EUA e outros países. A medida foi adotada em 2018, quando Trump deixou o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.
Os primeiros registros dos protestos ocorreram em 28 de dezembro, quando comerciantes iranianos iniciaram greve e fecharam lojas em reação à situação econômica.
Saiba mais na reportagem abaixo.
ANÁLISE: Trump e Netanyahu defendem mudança de regime iraniano, mas se expõem a riscos políticos
A jornalista Sandra Cohen, especializada em temas internacionais, escreve que a campanha militar prolongada e capacidade de retaliação do Irã guiarão as consequências para ambos os líderes em ano eleitoral.
Leia a análise completa abaixo.

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