Habituados a conjugar sua imagem à de modelos de estabilidade, riqueza e à margem dos conflitos regionais, os seis países do Golfo Pérsico se veem sob a ameaça concreta de serem arrastados para a guerra de EUA e Israel contra o Irã. Desde sábado, hesitam sobre como devem calibrar a resposta aos ataques iranianos, que atingiram hotéis de luxo, portos, aeroportos e refinarias de petróleo de seus territórios.
A retaliação ao regime dos aiatolás impõe a estas monarquias um custo alto: o fim da neutralidade e o risco de serem associadas a Israel. Não revidar, por outro lado, também tem seu preço — o de demonstrar fraqueza e vulnerabilidade interna diante da opinião pública.
A ofensiva militar de EUA e Israel ao regime teocrático desencadeou uma reação rápida do Irã, mirando nos países vizinhos que abrigam bases americanas na região. Os ataques, no entanto, foram além das instalações dos EUA e alcançaram a infraestrutura de Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e até do sultanato de Omã, que mediava as negociações entre EUA e Irã. Jordânia e Iraque também foram atingidos.
Até agora, suas defesas correm para interceptar drones e projéteis disparados pelo Irã. O volume dos estragos surpreendeu e enfureceu os líderes árabes, dando a eles a clara sensação de que a estratégia do regime era disseminar o caos e paralisar a economia regional para que o governo Trump fosse pressionado a desescalar o conflito.
A contar pelas primeiras 72 horas, o objetivo parece ter sido alcançado: o tráfego aéreo na região, que funciona como um hub entre a Europa e o Oriente, está parcialmente suspenso, prejudicando o turismo e abalando a imagem de países autoproclamados como oásis de prosperidade e polos atrativos para investimentos.
Mas esta tática do regime expôs também uma reação contrária entre os vizinhos. A resposta ao Irã deve vir por meio do Conselho de Cooperação do Golfo, que compõe os seis países. Maior aliado do Irã na região, o Catar foi alvo de drones em uma importante instalação de gás, em prédios civis e no aeroporto de Doha, e revelou dureza na repreensão à agressão a seu território.
“Um ataque como este não pode ficar sem retaliação. O Irã terá que pagar um preço por este ataque flagrante contra o nosso povo”, declarou o Ministério de Relações Exteriores.
Conforme prevê o pesquisador Steven Cook, do Council on Foreign Relations, a incerteza será a palavra de ordem para os líderes do Golfo daqui para frente. “Agora que a ação militar começou, seu maior temor provavelmente é a sobrevivência do regime iraniano. Eles não querem um regime enfraquecido e vingativo como vizinho.”
O contra-ataque iraniano parece ter abalado definitivamente a matemática que regia os Estados do Golfo em prol de sua segurança e combinava a aliança com os EUA e o equilíbrio com o regime teocrático.

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